quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

E Chaplin falou



"Chaplin morreu no dia de Natal. É um desafio simbólico à
civilização contemporânea, que se encontra profundamente ameaçada
pelo Apocalipse. A morte de Chaplin corresponde hoje à morte do
humanismo do século XX, no definitivo fracasso da civilização
ocidental. O fato de isso ter ocorrido no dia de Natal deve servir
de alerta para todos aqueles que controlam o poder atômico e para
todas as forças progressistas que lutam pela justiça social e pela
liberdade. Ele é a maior imagem estética do século XX. No século XXI
ficará apenas uma imagem do cinema: a imagem de Carlitos."


Glauber Rocha

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

E no final do banquete...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Tomar posição - o que fazer com o São Francisco?

Eu me divido na questão da transposição do rio São Francisco. Li a respeito em variados lugares, ouvi opinião de especialistas e apaixonados de ambos os lados. Gostaria de ser convencida que é uma obra que trará mais que bons rendimentos à(s) feliz(es) empreiteira(s) que irá(ão) fazê-la.
Odeio a pressão greve de fome, acho injusta e inegociável. Há anos atrás, outro religioso (ou o mesmo? Não sei. Taí, ando com muitas dúvidas) teve a mesma atitude, que no meu ver, é quase terrorista, coloca o outro lado em uma sinuca de bico das piores. Eu não gostaria de ser responsável - ou ser responsabilizada por, para ser mais precisa - pela morte de um padre, bispo, wathever.
Vi radicais dos dois lados. Vi gente bacana dos dois lados. Tem uma galera que detesto do lado contrário, que quase por um impulso atávico, me fez favorável.
Mas sinceramente? Vale aquilo tudo? Vai realmente mudar a vida de comunidades? Vai democratizar? Ou vai tirar de quem precisa? Vai valorizar terras de coronéis?
Alguém pode me ajudar?

Época = Veja?

que capa é aquela, meus amigos? Grande derrota do Lula e da gastança? FH é vencedor? mas acuma?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O plenário do Senado que não aprova a cpmf

é o mesmo que não cassa o Renan.

Sou uma cidadã assassariada, que paga seus impostos mesmo sem querer. Preferiria, como qq um, não ter de fazê-lo. E eu não tenho isenção de impostos como uns industriais por aí usufruem...

A cpmf, como sou duranga, num pesa muito não. Para os ricos, imposto tirado diretinho na conta corrente (a que eles têm no Brasil, claro), deve ser uma facada da boa. Mas...

domingo, 9 de dezembro de 2007

A verdadeira cara da oposição estudantil na Venezuela


Este ótimo documentário da Telesur, de 25 minutos, mostra quem são os estudantes que fazem oposição a Chávez, suas conexões internacionais com o imperialismo e a aproximação com os setores mais reacionários da igreja católica.

Altas críticas

Vaiei minuto de silêncio, na Convergência Socialista. Aplaudi a queda do stalinismo lá no leste europeu - Morreu! Morreu! Fiz rimas pobres como esta. Minei maiorias. Marquei posições. Saí da sala para quebrar o quorum mínimo.

E mudei. Li. Li mais, cresci, tentei ouvir. E ouvi. E como não sou estúpida, nem criança, sei mudar de opinião. E se me dão licença, posso criticar, a partir do lugar de onde já estive.
Não dá. Tipo, (me permitam o vício de linguagem), não dá para nossos troscos apoiar o Não na Venezuela da maneira que apoiaram. Até porque algo que nos define são nossos aliados.

Eu ouvia, há décadas atrás, que Trotsky não seria trotskista. Taí. Hoje, fecho com essa posição.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O que é isso, companheiros?

E segue enorme polêmica entre a esquerda sobre a posição do PSTU na plebiscito venezuelano, contra Chávez, ao lado dos EUA. Uma cobrança está sendo feita: o partido teve posição distinta, e contraditória, com outro militar que tomou o poder na AL, com discurso socialista, mas que demonstrou ser uma enorme farsa. Foi ele Lucio Gutiérrez (foto), militar equatoriano que entrou no cenário daquele país participando de um golpe contra o então presidente, Jamil Mahuad, no ano 2000. Não conseguiu sucesso de imediato, foi preso, mas seu nome ficou ligado a um discurso de esquerda, o que o levou ao poder logo depois, em eleições democráticas.

Bastou as intenções, suas alianças com os partidos de esquerda no Equador, para se transformar em um ícone do PSTU. Esteve no Brasil, onde foi saudado por quadros do partido, deu entrevistas e foi chamado de companheiro de luta. No poder, logo à frente, ficou constatado sua face neoliberal. Tudo era só conversa e seu péssimo governo o levou a ser deposto em 2005.

Para entender, uma matéria na Caros Amigos e uma reportagem de dirigente do PSTU na época.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A Venezuela não tem liberdade de imprensa?



Veja os títulos, e até a propaganda, da edição do último domingo do El Nacional, principal diário de Caracas, e tire suas próprias conclusões. Vídeo de Luiz Carlos Azenha.

Es una vergüenza!

Das primeiras conclusões a se tirar da derrota de Chávez, a mais evidente é a de que nossa mídia perdeu um dos seus mais insistentes argumentos, o de que Chávez é um ditador. Vão ter que inventar outra. Até hoje não existiu na história ditador perdendo eleição, seria esta a primeira vez.

Perdeu, reconheceu a derrota e segue seu rumo. A Venezuela em parte lembra o Chile de Allende. Projetos de reforma, de interesse dos mais desfavorecidos, levavam ao enfrentamento de classes. Na Venezuela já há sinais de atuação das elites na desestabilização da economia, tal como no Chile, com suas tentativas de desabastecimento, levando a propaganda a culpar o governo.

Neste acirramento de lá, uma baixa aqui no Brasil. O PSTU, partido trotskista, ligado a LIT – Liga Internacional dos Trabalhadores, defendeu o voto pelo não, contra Chávez e ao lado de Bush. Bastou para uma avalanche de revoltas dentro da esquerda, já atingindo seus próprios quadros. O sociólogo marxista americano, James Petras, simpatizante das idéias de Trótski, citado muitas vezes com admiração por este partido, quicou nos tamancos. Em entrevista ao site Rebelion, chama os trotskistas brasileiros de oportunistas e contra-revolucionários:

¿El PSTU de Brasil estaba con el NO?

- Sí, me mandaron los documentos a favor del NO pero activos con los estudiantes financiados por el imperialismo, ya tenemos documentos de la agencia de ayuda internacional donde reconocen dar 213 mil dólares de los estudiantes entrenados en los Estados Unidos que vuelven y siembran la lucha en las calles, etcétera, con esta gente trabajaban los trotskistas, los sectores trotskistas afiliados con el PSTU.

Yo por lo menos les decía a ellos que nunca mas voy a tener algo que ver con un grupo tan oportunista y, al final de cuenta,s contrarrevolucionario, a pesar de la retórica. Ahora estos factores tenían dos efectos, uno de movilizar sus seguidores y garantizar que van a participar y segundo sembrar confusión y descontento en los sectores populares neutralizando el apoyo de Chávez, yo no creo que ganaran muchos de las clases populares, ganaran un pequeño sector pero más que nada sembraran la confusión y neutralizaran la participación.


Como existe a piada de que reunião de três trotskistas acaba sempre em duas dissidências, devemos esperar muitas novas siglas para breve.

Ps: vale dar uma olhada no site do jornalista Luiz Carlos Azenha. Ele esteve em Caracas e mostra imagens que dizem muito, como um vídeo onde simpatizante do NÂO comemora a vitória com bandeira dos EUA.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Na Venezuela é SIM!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Escândalo: CIA vai intervir no plebiscito da Venezuela

Foi publicado hoje na Counterpunch, importante revista americana sobre política, artigo assinado por James Petras que revela uma operação da CIA para atuar, militarmente, na desestabilização do plebiscito no próximo domingo na Venezuela. Segundo um memorando de Michael Middleton Steere, funcionário da embaixada americana venezuelana, a Michael Hayden, diretor da CIA, cerca de US$ 8 milhões serão usados para cooptar partidários da Chávez, falsificar votos, preparar manifestações pelo não e, caso derrotados pelo sim, organizar ações violentas contra prédios do governo, incluindo o palácio presidencial. O documento divulga pesquisa própria, com a previsão de vitória do sim com 57% dos votos, mas com uma alta abstenção de 60%, o que daria margem para uma posterior contestação do resultado.

É grave a denúncia e deve ser acompanhada por todos os democratas.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

As notícias e o meu asco

Ainda retomo o cotidiano depois de férias. Confesso a irritação com a enfadonha leitura das notícias. Preciso de tempo para me readaptar. Um pouco de tanto já tenho opinião para compartilhar:

***

A campanha contra a reforma constitucional na Venezuela em nossa mídia beira o ridículo. O jornal O Globo decidiu ser didático. Para cada item da constituição é chamado um especialista para “explicar” ao populacho o quão Chávez é anti-democrático. Sobre o artigo 318, que cuida das atribuições do Banco Central, chamaram Gustavo Franco, que afirmou estarem inventando algo ridículo, “não há nada parecido no mundo”. Muito esclarecedor. Mas ridículo mesmo é terem chamado um sábio das finanças deste quilate, alguém que à frente do nosso BC no governo FH supervalorizou o real, quase quebrando o país. Claro, não podemos dizer que tudo foram perdas: sua conta pessoal e a de André Lara Rezende engordaram muito. Imagina se Chávez fizesse algo assemelhado. Paredão, no mínimo. Mas nosotros somos diferentes, mais “ajuizados”. Li no Blog do Mello.

***

Lula deu entrevista ao Globo, publicada no domingo. Ainda não li. Mas já tomei conhecimento de que nada apareceu de novidade. Como não, trataram hoje de publicar um grande editorial sobre o dito, tentando dizer o que pensa esta mídia e, por incrível coincidência, os liberais do PSDB e afins. Começam por um leve elogio aos resultados do governo, creditando em grande parte a sorte e a “conjuntura internacional incrivelmente favorável”. Logo, no quarto parágrafo, vem o recado: a falta de austeridade nos gastos públicos. Lula disse que para governar é preciso gastar. O editorial o chama de perdulário. Em confuso raciocínio, seguem adiante lembrando as dificuldades financeiras do estado para explicar o controle dos gastos: “temos municípios com renda insuficiente para justificar sua existência”. Citam números para dizer que sobra pouco para investimentos, este estado toma “35% ou 36% da riqueza nacional”, muito acima de outros países, mas deveria “estar investindo 25% do PIB para acompanhar o avanço dos nossos concorrentes. Mal chegamos hoje a 17% ou 18%”. Interessante a precisão de centésimos. Falta uma maior exatidão, mais esclarecedora, que indicaria que o custo, em grande parte, pertence ao pagamento de juros de dívidas passadas. Falta dizer que o jornal, e seus coincidentes partidos políticos amigos, fazem campanha contra a prorrogação da CPMF, um imposto mais democrático que os vários embutidos em cada mercadoria, que independem da renda de quem os compra. Mais ainda, embora não claramente dito, desejam um estado para seus favores, motivo que tanto os unem para retomar o poder, sem concessões ao andar de baixo, certamente aí um desperdício de recursos na sua ótica de classes.

***

Uma pérola surreal a do João Ubaldo: “Paranóia ou não, delírio ou não, está na cara que o presidente quer o terceiro mandato”. Quer dizer, está na cara que o escritor, baba-ovo das elites, está delirando. Juntinho aos seus mecenas da mídia, que fazem de tudo para emplacar esta provocação, na falta de maiores notícias. Li no ótimo Óleo do Diabo.

***

Ali Kamel voltou. Demorou a achar um tema à sua altura. Enfim, agora fala sobre Deus. O propósito é o livro “Deus, um delírio” do biólogo Richard Dawkins, já resenhado há várias semanas por diversos jornais e revistas. Sua crítica é sobre a falta de rigor científico do autor, seus argumentos pouco plausíveis, “que não levam a lugar algum”. Interessante tal crítica de quem já defendeu a isenção da rede globo na campanha das diretas. Deve ser inveja. Ali adoraria uma encomenda da família Marinho para um artigo sobre Deus. Certamente perguntaria: contra ou a favor?

***

Haja saco!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Triste Brasil

Estive por mais de uma semana afastado de internet, jornais, notícias. Emendei dois feriados com mais alguns merecidos dias de férias para, em caravana carioca, estar com familiares no interior deste país.

Retomo a labuta cotidiana ainda com o gosto das costelas com canjiquinha e da boa prosa, sem atentar para o que nossa mídia está fabricando de novo. Nos dias passados em rincão distante, Brasil pobre, vi algo instigante: na estrada, em meio a vilarejo de casas de tijolo aparente, outras de pau-a-pique, um posto de gasolina de rede nacional, todo moderninho, com sua oferta de salgadinhos industrializados, bebidas de marcas internacionais. Bem à porta, uma placa anunciava ali haver uma rede wi-fi para o notebook dos viajantes.

Matutei um tempo sobre aquilo, tentando entender o que estava acontecendo com nosso Brasil, que futuro tal visão apontava. A ficha caiu quando vi o Jornal Nacional, no único dia que tomei conhecimento das notícias. Lá estava o PSDB reunido, discursando, a Globo afirmando que o partido negava a infâmia de ser um partido das elites. Pronto. Era isso. O Brasil deles, dos liberais, destes tão queridos da mídia, é o de um país onde há Fandangos em ambiente wi-fi. Basta isso. Uma economia de grandes monopólios. Donos de postos de gasolina são empregados. Onde tudo é padronizado, igualzinho, sem surpresas. Lá, de dentro do vidro forte, mal podemos ver as casas de pau-a-pique. Afinal, elas são de um Brasil velho, de gente mal-educada, sem cultura, tal como disse o FH em discurso naquele dia.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Cultura?!

Leio no blog do Mino a referência a uma carta, de quem já virei "fã", Maria Izabel Brunacci, desde sua maravilhosa resposta à uma crônica da Danuza Leão de uns meses atrás.

Por estes dias, a professora chama atenção para um generoso carimbo que o Ministério da Cultura concedeu, no valor de R$ 5.717.385,94 ao Instituto Fernando Henrique Cardoso, para um projeto de Preservação, Catalogação, Digitalização e Acervo Presidente FHC, referente ao PRONAC 045808”.

Gostaria de fazer minha a indignação da professora. Qual é a relevância deste acervo? Por que o Instituto do dito cujo, apoiado com pompa e circunstância por grandes empresários precisa de apoio do governo para realizar tal preservação? Eles precisam de renúncia fiscal?!

Há um tempo fiz um post sobre um trabalho que o tal Instituto deveria fazer: A Casa de Cultura Efiagá. Reforço a sugestão.

A Revolução Russa e a imprensa brasileira

Não é de hoje que a nossa imprensa comete equívocos grosseiros ou maldades intencionais com os fatos ligados a Revolução Soviética. Um excelente texto de Augusto Buonicore relata que desde Rui Barbosa a principal tarefa da mídia era desinformar.

El Bufón Real de España

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Bate-boca nonagenário




A Revolução Soviética ainda causa reação e incompreensões diversas. Em post no site O Biscoito fino e a massa, coloquei uma parte de minha visão e recebi resposta do leitor blogueiro Adriano. Repliquei e acabei falando mais sobre a revolução do que estava imaginando. E peguei gosto, quero mais debate.

Começou com este comentário meu:

Idelber, ótimo post. E lembrou falha minha por ainda não ter comentado o assunto em meu blog. Mas o farei. Tenho relido John Reed, um dos melhores relatos sobre a revolução russa, que deu em um filme, infelizmente sem a mesma qualidade. Como foram ricas as discussões! Quanta paciência dos bolcheviques com o pensamento burguês! Mesmo com o Palácio de Inverno tomado, com o poder já em suas mãos, as assembléias eram ricas em debate e contavam com ferrenha oposição de mencheviques, SRs, cadetes, social-democratas de direita, desejosos de um caminho de conciliação. Durante muito tempo a revolução contou com inimigos declarados e alguns não tanto. As anos seguintes foram igualmente riquíssimos. Impossível não reconhecer a vitória do socialismo que permitiu aquele país, em poucas décadas, deixar de ser um país agrário em uma das maiores potências industriais do planeta, responsável principal pela derrota do nazismo, mesmo que a máquina de propaganda ocidental tente o tempo todo esconder esta verdade. O discurso de direita, impedido de maiores lógicas em seus argumentos, passou a se fixar na mesma tecla: a barbárie cometida. A maldade no argumento é evidente. Já acontecia na contra-revolução em 1917, John Reed relata no livro. Não deixou de ser tentada depois, até hoje servindo como principal argumento da direita e, também, de herdeiros dos mencheviques. Estes deveriam cobrar de George Washington suas culpas. Afinal, o cara virou nota, mesmo tendo maltratado tantos soldadinhos ingleses.

Jurandir em novembro 12, 2007 10:59 AM

Adriano respondeu:

Senhores,

O paralelo entre George Washington e os bolcheviques é totalmente sem cabimento. Se a "direita" critica o socialismo soviético não é por ele ter matado nazistas ou quaisquer pessoas de outros povos com que a Rússia pudesse estar em guerra. O grande problema é que pelo menos duas dezenas de milhões de russos morreram na mão... de russos; isso é sem paralelo na história, a não ser que se fala da quase centena de milhões de chineses que morreram em quatro anos em decorrência da Grande Fome.
Em relação ao outro argumento de Jurandir, é preciso repetir que a economia russa estava em pleno desenvolvimento já nos últimos anos do atrasado sistema czarista. Fica, assim, posta em dúvida se a transição do "feudalismo" (ou agrarismo) se daria necessariamente, que é o que defendo, ou se se deveu ao totalitarismo socialista.
E, para defender Marx, também é preciso dizer que a revolução viria da mão dos trabalhadores, a partir da tomada de consciência do proletariado, que parece, no fundo, ter sido manipulado por líderes pequeno-burgueses como Lênin e Tróstsky.
Isso tudo sem contar ainda que a Rússia leninista só sobreviveu com a NEP, que foi uma espécie de estado de exceção... capitalista.


Adriano em novembro 12, 2007 5:25 PM

Repliquei assim:

Caro Adriano,

Sua acusação é conhecida. Foram vinte milhões de russos vítimas do seu governo? Eu o desafio a apresentar fontes diferentes de William Hearst, Robert Conquest e Aleksandr Solzhenitsyn. Para não me alongar aqui, sugiro um link.

O primeiro foi o grande magnata da imprensa marrom americana que inspirou o filme Cidadão Kane, um inimigo declarado do regime soviético, amigo de hitler nos anos 30. O segundo foi desmoralizado pelo The Guardian, que o acusou ser homem do IRD (Information Research Departement, do serviço secreto inglês, antes Communist Information Departement), o último, depois que a cada palestra aumentava o número de vítimas do regime soviético e reinventava histórias, começou a ser esquecido por seus próprios patrocinadores, caindo no ostracismo.

Todas estas mentiras caíram por terra quando em 1989, no governo Gorbachov, um grupo de historiadores russos, como V. N. Zemskov, A. N. Dougin e O. V. Xlevjik (pesquise no Google) teve acesso pela primeira vez a vários documentos do sistema corretivo soviético até a data de 1953, reunindo o resultado em 9 mil páginas que desmentem as mentiras até então inventadas sobre aquele período.

Acusar a revolução soviética de ser uma fábrica de mortos é nítida manobra diversionista. Foi o capitalismo, e ainda é, um dos maiores fabricantes de vítimas e de barbárie em toda a história da humanidade. Fique só nas ações dos EUA que já terá números e relatos impressionantes. Comece com a expansão americana chegando ao Caribe para destronar o decadente império Espanhol e ganhar de presente as Filipinas, caminho natural para o rico Oriente, seus recursos, seus mercados. A selvageria contra o indefeso povo filipino está registrada na história como um dos seus episódios mais cruéis.

Seu argumento de que nos últimos anos do czarismo havia pleno desenvolvimento da economia é absurdo. A fome e a miséria haviam aumentado substancialmente, inclusive com os efeitos da primeira guerra, motivo inclusive de ser a paz uma das principais bandeiras dos bolcheviques.

Massas manipuladas por líderes pequeno-burgueses? Nunca na história se discutiu e se deliberou tanto e por muitos. Que sistema democrático no mundo teve experiência de dar voz e poder a soldados, operários, camponeses como naquele? As democracias burguesas no mundo foram mais democráticas? Que isso? Se Bush não tivesse roubado não seria eleito.

Ah, sim, a NEP foi uma medida capitalista, o que demonstra o poderio do socialismo, que é o de ser capaz de ter jogo de cintura para fazer o mais certo, na hora mais exata. Ou, na melhor linguagem de Lênin: “É preciso voltar um passo atrás para depois avançar dois à frente". Quantas vezes o capitalismo ousou isso?


Bom, é assunto ainda para muitos posts.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A revolução de outubro e seus impactos no século 20

Estava querendo fazer um post sobre as comemorações dos 90 anos da Revolução Russa. Até comentei sobre isso no excelente blog O biscoito fino e a massa, mas acabo de ler um texto onde está quase tudo que desejava dizer, e um tanto a mais. Aconselho a leitura.

92% dos alemães orientais ainda preferem o comunismo no país

Pois é. Quem pesquisou foi a Der Spiegel, que nunca foi de esquerda.

A matéria está no site Vermelho.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Bra, Gávea, Armínio Fraga e o silêncio

Leio por aí que um dos sócios da falida empresa aérea BRA é a Gávea Participações, do nosso conhecido Armínio Fraga, chapa do Principe da Sorbonne. Mais de 40% das ações da dita que demitiu 1100 funcionários e deixou os passageiros a ver navios pertencem a este fundo e nenhum jornal fala nadica de nada sobre o fato.

Os jornalões inclusive tratam do assunto sob a rubrica política, e não economia, onde de acordo com um mínimo de bom senso deveria estar. Ora, por que será?

Vamos ver agora o que mais esse cidadão de sucesso vai armar...

Os outros negócios do Gávea*
Nos últimos dois anos, o ex-presidente do BC Armínio Fraga investiu em setores que vão de logística a shopping
Multiterminais

Em fevereiro, os fundos do Gávea compraram, por 125 milhões de reais, 25% da empresa, que fatura 206 milhões de reais por ano
BRA

Em dezembro de 2006, o Gávea comprou, com outros seis bancos e fundos, 45,9% da companhia aérea
Aliansce Shopping Centers

Em abril, foram adquiridos 23,5% da Aliansce, que administra 15 shopping centers e faturou 2,5 bilhões de reais em 2006

*segundo a revista Exame, que acaba a matéria linkada aqui com o seguinte texto:

Ainda não se sabe onde exatamente a compra do McDonald's se encaixa nessa estratégia, mas o plano do Gávea é esperar de quatro a cinco anos para se desligar dos negócios em que investiu. Esse será o tempo necessário para saber se a turma de Armínio é realmente tão boa nos negócios como no mercado financeiro.

Já deu pra ver, né?

Democracia no rabicó dos outros...

“Pervez Musharraf é tratado pela mídia brasileira como presidente. Governa o Paquistão e chegou ao governo através de um golpe de estado. Hugo Chávez foi eleito presidente da Venezuela pelo voto direto, reeleito e instituiu o “hábito” de realizar referendos e plebiscitos para que o povo se manifeste sobre qualquer assunto de maior envergadura e que diga respeito às estruturas políticas, econômicas e sociais do país.”

Assim começa o excelente texto do jornalista Laerte Braga, que denuncia a contradição da nossa esquizofrênica mídia. Aconselho a leitura. A questão se resume a legitimidade do processo democrático? Balela. Poucos neurônios são suficientes para desconfiar e desejar mais informação. Procurando, descobre-se facilmente que a Venezuela jaz sobre uma das regiões mais ricas em petróleo das Américas, que durante anos foi sugada pelo colonialismo americano. Para tal, governos foram impostos ou comprados, independente da vontade popular, ou da tal democracia. Chávez mudou o modelo de gestão. Foi mais moderno que o ensinado nos prolíferos MBAs que abundam para nossos executivos liberalóides. Devolveu o solo de seu país a quem de direito ele pertencia. Disse um grande não para o imperialismo e ainda criou riqueza, um novo padrão, de interesse da maioria E, a maior de suas provocações: dentro da mesma democracia que os americanos se apoderaram, clonada dos franceses. Pelo sucesso, virou tirano, diz a nossa mídia, agradando os interesses de seus patrões, que não moram no Brasil, mas aqui têm bons negócios.

Musharraf, um notório meliante, defeca baldes sobre a tal da democracia, mas é tido como presidente em nossos jornalões. E nem é o único no planeta a ter o mesmo tratamento. Pergunto: quantos editoriais o Estadão, o Globo, a Folha fizeram contra Abdala bin Abdelaziz? Não me lembro de um único texto. Deveriam. Afinal, este senhor governa sem poder legislativo, sem partidos políticos, sem constituição. E ainda decapita em praça pública os opositores de seu regime. A cada vez, sem que um Diogo Mainardi, um editorial, uma chamadinha na primeira página denuncie ser um atentado a tal da democracia. O que faz o rei da Arábia Saudita ser tão blindado a críticas em nossa mídia? Fala sério. Não importa quem inventou. Democracia, autocracia, estratocracia, mediocracia, plutocracia, timocracia, canalhocracia, é tudo a mesma merdocracia.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Mostrar o quê?!

Renan planeja mostrar sua inocência.
Uia, mas a gente já não viu?

domingo, 4 de novembro de 2007

Aviões de carreiras

O caso do jato Gulfstream II, acidentado no México com 4 toneladas de cocaína, ganha mais informações a cada dia, como a ligação deste episódio a um outro, 18 meses atrás. Na coluna de Claudio Humberto, o empresário brasileiro, João Luiz Malagó, sócio da Donna Blue Aircraft, oficialmente proprietária do avião, declara ser “vítima de jornalistas irresponsáveis”, que "queimaram meu negócio, que é vender e comprar aviões há quarenta anos sempre através de corretor".

Talvez existam um tanto mais “negócios” nas atividades do empresário. Basta uma pesquisa no Google com seu nome para descobrirmos um pronunciamento do Tribunal Supremo de Jurticia, da Venezuela, sobre o pedido de posse de dois aviões retidos no aeroporto de Maiquetía, em 2004, por suspeita de terem sido furtados no Brasil, segundo informações da Interpol, entre várias outras irregularidades na documentação. O Sr. Malogó se fez representar como um dos proprietários em procuração a um cidadão venezuelano, Cirilo Enrique Rada Tovar. O estranho é que o mesmo Google mostra que o Sr. Tovar tem seu nome ligado a vários processos na justiça venezuelana, entre eles, um contra seu nome por falsificação de documentos.

Ao que tudo indica, há no ar algo muito além dos aviões de carreira.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Quem é o dono da boca?

Pautados pelo filme “Tropa de elite”, nossos jornalões e revistas dedicaram recentemente um razoável espaço para a discussão sobre drogas. Articulistas gastaram muitas letras para dividir culpas, fazer julgamentos e destilar prosa. Fariam melhor seu dever de casa se tivessem prestado atenção a uma pequena notícia , totalmente desprezada em suas páginas.

Em 24 de setembro um pequeno avião americano caiu em Yucatan, no México, com cerca de quatro toneladas de cocaína. Seria apenas mais uma pequena notícia se alguns repórteres não tivessem procurado saber a quem pertencia. A resposta foi confusa. O luxuoso jato era propriedade de uma empresa de Nova York, de um certo William Achenbaum que o vendeu dias antes da viagem a outra empresa, da Flórida, a Donna Blue Aircraft, de dois brasileiros, João Luiz Malago e Eduardo Dias Guimaraes. O tal Achenbaum nada quis comentar, os brasileiros disseram que apenas fizeram um negócio em comprar e vender o aparelho, logo em seguida, para dois pilotos, Clyde O’Connor e Greg Smith, os que pilotavam o avião. A Federal Aviation Administration disse que nada foi informada sobre as estranhas transações comerciais.

Não foram as grandes agência de notícias que procuraram conhecer a tal Donna Blue Aircraft. Quem o fez, descobriu que a empresa não tinha placas, ninguém os recebeu e, estranhamente, estacionados à porta, estavam seis carros da polícia, novos e sem distintivos. Seguindo a mesma reportagem, outros tentaram saber dos recentes registros de planos de vôo do avião, descobrindo que Guantanamo foi visitado algumas vezes.

Para não deixá-los com sensação de filme de James Bond, sugiro uma pesquisa sobre a notícia no Google. É claro que há o dedo da CIA. E você, imagino, estará dizendo agora que é impossível, o governo americano tem o DEA, que combate as drogas no mundo, isso é mais uma teoria da conspiração, blá blá blá... Legal. Sugiro começar a entender um tanto como os vários governos americanos colocaram a mão diretamente no tráfico de drogas internacional, começando no caso Irã-contras. Alguns posts à frente, voltamos ao assunto.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Vai, Google, vai!

Na falta do que fazer, um sujeito pop do mundinho dos blogs resolveu atacar este humilde espaço. O Velho do Farol, o Marcus Pessoa, resolveu tomar o Abundacanalha como um blog de pessoas fake, que fazem comentários fake ( e com "nomes de pobre").

Isso porque a pessoa que vos escreve cometeu o crime de se chamar Kelly, não gostar da mídia golpista (o que me transformou em petista fanática. Hein?!?!) e ter feito um comentário no blog do cidadão querendo saber como ele sabe tudo sobre os usuários de drogas. Qual a metodologia. But. O que tive em resposta foi o tal ataque. Além de um xingamento na minha caixinha de comentários.

O rapaz não gosta MESMO de ser questionado. Gente sábia é assim mesmo.

Então Google, é isso:

Este é o blog que o Marcus Pessoa odeia.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Fedor no parquinho



Original: Detalhe de Nicolas Bertin, Phaéton na carruagem de Apollo, óleo, 90 x 125 cm, Museu do Louvre, Paris.

Itália: querem blogs com certificado e impostos

Nossa mídia, mais desejosa de descobrir desvios antidemocráticos em Chávez, não deu importância ao projeto de lei que Romano Prodi, primeiro-ministro da Itália, encaminhou ao Conselho de Ministros no dia 12 de outubro. Ele exige de cada site, cada blog italiano, um certificado do governo, com pagamento de impostos, mesmo que não tenham proposta comercial. As agências de notícias internacionais acharam coisa pouca, olharam para o outro lado. Foi o terceiro blog mais acessado do mundo, o Boingboing, quem deu a notícia, com justo escárnio. Vale ler seus irados leitores.

O fascismo deixou marcas e alguns herdeiros na Itália. Um dia após o projeto, 500 mil pessoas se reuniram em Roma convocadas por Francesco Fini, líder da Aliança Nacional, saudosa dos camisas negras, aliada de Berlusconi, aquela espécie de Silvio Santos versão cosa nostra, dono da mídia italiana. Os brados, a motivação, era para desqualificar a vitória de Walter Veltroni, prefeito de Roma desde 2001, nas primárias do Partido Democrático, que o qualificou como adversário de Berlusconi nas próximas eleições.

O que desejam em restringir blogs? A Itália é hoje um dos países onde mais se necessita uma versão diferente da mídia tradicional, concentrada nas mãos do mesmo grupo. E estas outras versões existem. Uma delas, o blog de Beppe Grillo, um ex-comediante da televisão, consegue ser lido por 200 mil pessoas diariamente, que deixam cerca de 2 mil comentários cotidianos. Ele conseguiu, no fim de semana anterior às primárias, fazer com que 300 mil italianos assinassem, em 200 cidades, uma petição para expurgar a vetusta classe política italiana. Iconoclastia pura.

O que fazem os “democratas” italianos? O mesmo que todos os existentes no planeta. Mudam o jogo, criam novas leis. É como o tapetão em qualquer campeonato fuleiro de futebol. Só valem regras quando permitem chances ao time dos donos da bola.

Infelizmente, os italianos não estão inventando a pólvora.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Adivinhação

Deu em:
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=58010

Adivinanza

Michel Collon
www.michelcollon.info


El presidente A propone una nueva Constitución. La somete a la votación de su pueblo.

El presidente B propone también una Constitución. En cuanto una parte del pueblo dice no, se deja de votar. Un poco después es impuesta la misma Constitución. Sin votación. ¿Quién es el demócrata?

Se equivocan ustedes completamente. El primer presidente se llama Chávez; por lo tanto, es un populista y un dictador. El segundo se llama Sarkozy y la Unión Europea; son, por lo tanto, demócratas.

¡Viva la democracia!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Coisa de guri fedorento

"Eu não diria isso, mas lá no Rio Grande se chama isso de um guri de merda"

Comentário de Nelson Jobim, ministro da Defesa, sobre o deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM, após o jovem nervosinho ter feito várias grosserias no animado karaokê-jantar na casa do senador Demóstenes Torres, Fonte: Estadão.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Eu canto samba pq só assim eu me sinto contente

O Tuchinha é um dos compositores do samba da Mangueira de 2008.

E ex-traficante, dos quase românticos anos 80. Que foi condenado, preso e cumpriu parte da pena. Está solto como permitiu a lei.

Saiu da cadeia e deu a fazer samba. O dele ganhou a disputadíssima escolha do que a Mangueira irá cantar na Sapucaí.

Os jornais cariocas estamparam isso como um escândalo. Foi capa do Expresso, do Extra, do Dia, nota n´O Globo. Aliás, este último resolveu atacar com força o compositor.
O Ancelmo Goes - que todo dia publica uma gracinha pró Aécio ou pró Vale do Rio Doce (oh. Por que será?) - chegou a estampar uma foto com a legenda "a senadora do PT ideli curte o samba feito pelo traficante tuchinha na mangueira" e fez uma enquete no seu blog questionando se o fato do tal samba ter sido composto por um ex traficante não iria prejudicar a escola no ano que vem. Como era de se esperar, vindo de leitores cadastrados naquele jornal de eleitores de bolsonaro, o resultado deu que sim.

Não sei o que motiva tamanho ódio. Será que algum amigo da coluna perdeu a disputa do samba? Eu suspeito que não. Acho que só é preconceito.

Tuchinha talvez não quisesse ser traficante a vida toda. O Cacciola tem todo direito de fugir, não é mesmo? Mas um traficante, favelado, achar que pode ter uma vida mais ou menos normal?

Isso é inconcebível para as elites, cada dia mais favoráveis - e propagandeando cada dia mais - a bandeiras como a pena de morte, estado de exceção ou tortura. Tanto que a enquete atual do já citado colunista é para saber se a OAB pode ficar defendendo que os bandidos não sejam exterminados. Para eles é óbvio que defender a lei (ou existirem leis que protegem o que é diferente deles - este é o ponto) é tão absurdo quanto o fato de um ex traficante, feio, favelado virar um compositor.

Queria ver a ficha corrida do Aécio. Deve ser uma delícia.

Ah, não conheço Tuchinha. Nem ouvi o tal samba. Minha escola é outra. E olha, não falta é bandido bom nas escolas. E na Liesa... Mas desses, com carrões, ninguém fala mal ;)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

AdSense: Chega de prostituição!

Está virando uma praga. Muitos blogueiros estão sendo seduzidos pelas parcas comissões que o Google oferece para seus anúncios. O resultado é uma suruba capitalista para se vender de tudo o possível que faça sentido com as palavras de nossos outrora independentes blogs. Sim, se a primeira vítima é a boa diagramação, com um fuzuê de anúncios misturados ao texto, é a independência a maior vítima. Se o nosso blogueiro reclama da companhia de seu celular, lá aparece a mesma empresa vendendo seu último produto. Se é uma delicada análise das relações afetivas, vende-se um amor rápido em um site de “namore já”.

Nada é novo. Jornais, revistas, TVs, todos são sujeitos às mesmas leis capitalistas. Você ajuda a vender, junto vêm seus compromissos. Alguém acredita em falta de obrigações quando sua receita depende de alguns certos anunciantes? Toda a grande mídia tem sua lista de pautas proibidas. É este o mundo que alguns estão entrando. Blogs ainda são a esperança de uma outra versão dos fatos. A possibilidade da informação surgir nua, crua ou não, e servir de contraponto aos limites do jornalismo de pura propaganda da grande imprensa.

Não vamos com esta sedução imaginar estar reinventado a roda, ou o fogo. Lembro agora de uma aula de um antigo professor que citou um fato verídico acontecido na década de 30 do século passado, no Ceará. Um criativo fazendeiro inventou uma mistura moderníssima que permitiu eliminar várias pedras que atrapalhavam o caminho do seu gado. Os jornais locais o chamaram de gênio. Repercutiu até no sul. Ele havia descoberto que salitre, carvão e enxofre faziam aquele efeito. Quis até registrar a invenção.

Não precisamos redescobrir a pólvora. Blogs e anúncios não combinam. Melhor ganhar dinheiro mais honestamente, e fazer o bom jornalismo que a grande mídia não tem como fazer com o seu enorme rabo preso.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O dono da bola

Dura vida de baluarte da direita

Uma nota na última Carta Capital dá a Denis Rosenfeld o papel de primeiro neoliberalóide comercial de nossa mídia. Um exagero. O professor de ética política da Universidade do Rio Grande do Sul, embora algumas vezes citado por profetas da direita em alguns recantos do país, tem sua fama restrita às proximidades do Chuí. O que permite refletirmos o quão regionais eles o são. Exceção e justiça seja feita a Diogo Mainardi, graças a enorme tiragem da Veja, que o coloca em um palenquezinho bem remunerado há anos. E apenas a isso, vale registrar. Mais correto seria lembrar de nomes como Roberto Campos, Eugênio Gudin e Gustavo Corção, que freqüentaram quase cotidianamente páginas de jornais, como porta-vozes do mais legítimo pensamento da direita. Ganharam para tal.

Interessante que os três se formaram em engenharia. O primeiro foi diplomata, passou a se interessar por economia, tendo participado até da Conferência de Bretton Woods, aquela que forjou o enorme “banco imobiliário” que ainda estamos vivendo e que ajuda a empurrar o capitalismo para o buraco. Gudin se interessou por economia em 1920 quando passou a publicar artigos no O Jornal, do Rio de Janeiro. Algum tempo depois foi ser seu diretor de redação. Corção foi pensador católico, autor de vários romances e ensaios, um dos participantes mais constantes e ativos da imprensa carioca. Todos, ainda hoje, têm seus textos lembrados e citados pela nata do pensamento liberal.

Penso que deve ser difícil entrar hoje neste mundinho não tendo um bom curriculum de pensamento conservador. Daí, imagino as dificuldades de um Ali Kamel, depois de uma curta carreira de repórter, que tenta agora publicar seus primeiros livros e fazer polêmica para agradar seus chefes, atualmente enrolado em disse-me-disses prosaicos com Luis Nassif. Logo ele que justificou ontem algumas de suas últimas tentativas desastradas de opinião em carta de leitores no Globo como “Nota da redação”. Ou seja, o diretor do jornalismo da TV Globo também é a redação do jornal O Globo. Tem em suas mãos todo o poderio da mídia e se sujeita ao triste papel da retórica diversionista, evitando ser desnudado em sua impostura como teórico de qualquer assunto.

Claro, não vamos por isso ressuscitar Gudin, Corção ou Bob Fields, melhor esquecê-los todos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

As bancas são agora da Abril

Com a compra da Fernando Chinaglia pela Abril, anunciada dia 11 último, o processo de monopolização da mídia tupiniquim deu um de seus maiores e derradeiros passos. O que mais falta? A empresa era responsável pela distribuição de revistas como Carta Capital, Fórum, Diplô, entre outras. Agora todas ficam sujeitas à política da Abril. O que vocês acham que vai acontecer. É caso para ação no Cade, para irmos às ruas.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Dilma

para presidente!

A Folha de cabelo na língua

Certamente foi um momento masoquista, li a coluna de Nelson Ascher na Folha da última segunda. Chamou minha atenção o destaque da chamada da capa. A Folha, como outros jornais, investe no pensamento de quem bem esbraveja contra qualquer sintoma de esquerda. É cargo em alta nas empresas de mídia, qualquer currículo está emplacando. O deste cidadão não o credencia como alguém a se levar em conta. Ao dedilhar uma primeira pesquisa, vejo que na Wikipedia ele “cursou um ano de medicina, para enfim seguir o curso de administração da Fundação Getúlio Vargas e posteriormente pós-graduação em semiótica na PUC-SP.”. Tudo bem, talvez ainda procure uma ciência. Mas, nos passos seguintes, e dito pela própria Folha, é hoje poeta. Tamanho arco acadêmico me faz pensar que um dia ainda estará no programa do Faustão, especialista em dança no gelo, mágica de salão ou biógrafo de Ariel Sharon. Sim, isto está claro em seus escritos até aqui registrados: é um notório sionista, de cabelo na língua. Todo seu pensamento é uma confusa mistura de lógica motivada por ódio ao islamismo e profundo anti-comunismo. O que fica claro em sua última coluna.

Para ele, Eric Hobsbawm é um exemplo de contradição da visão comunista, já que o historiador apoiou a invasão da Finlândia pela URSS, como a única possível diante da ameaça nazista. Diz:

“Só que, se era tão antinazista, por que continuou a apoiar os soviéticos entre 39-41, quando estes eram os mais importantes aliados da Alemanha? Por que não abandonou o partido para apoiar o país que estava combatendo o Terceiro Reich, isto é, o seu?

Não é possível haver dúvida histórica no papel da URSS na derrota do nazismo. E, para tal, o pacto germânico-soviético foi fundamental naquele ambiente da traíras. Era exatamente o pais de Chamberlain que tentava um acerto com Hitler para que este se jogasse rumo ao Cáucaso, e adiasse uma treta com o oeste. Basta uma olhada básica no mapa para entender que a fronteira da Finlândia ficava a 36km de Leningrado. Foram 21 meses para preparar o que seria o começo da derrota do nazismo.

Mas o articulista tem um nítido valor entre as partes envolvidas. Diz sobre o comunismo:

“... não houve no mundo sistema mais desprezado e odiado por suas vítimas, as pessoas comuns. Mesmo o nazismo foi mais popular...”

Mais adiante, sobre os discípulos de Eric Hobsbawm:

“... especialmente no Reino Unido, acreditam que em sua aliança com as lideranças e massas islamizadas está a chave para a revolução antiimperialista.”

Cumé? Onde? Há quem acredite em um Osama bin Laden como líder? Não creio. O povo muçulmano está tomando feio, e Israel tem um papel horroroso nesta história, que bem lembra as práticas do nazismo.

Mas a parte mais esclarecedora do “pensamento” do quadro da Folha vem a seguir:

Se o comunismo foi um dia a aspiração prometéica de transformar o mundo sobre os ossos de cadáveres, hoje em dia ele não passa de um reacionarismo desorientado e rancoroso, cioso de cada detrito de sua mitologia kitsch (como Che Guevara) e sempre acreditando que “quanto pior, melhor”.

Como assim? A revolução comunista fabricou cadáveres, as burguesas distribuíram flores?

"Isso é o que transparece em reações a um artigo que, a respeito do assalto que sofrera nos Jardins, o apresentador de TV Luciano Huck publicou, na semana passada, na seção “Tendências/Debates”.

"O tom das respostas negativas era o de que um brasileiro que não seja “excluído” não tem direito nem aos benefícios da cidadania, nem à proteção das leis nem sequer à solidariedade. Está proibido até de reclamar. Segundo aquelas, caso alguém pertença à “elite”, mesmo que pague impostos e não cometa crimes, tem é que morrer, salvo, talvez, se ingressar no PT."

Não, pare o carro que tenho que descer. Entendo que o cartel da mídia tenha necessidade de reproduzir o seu pensamento, mas deveriam melhor escolher seus artistas. Este é capaz de fazer até Gengis Khan ficar corado de vergonha.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sobre os ódios e a ternura

A mídia das elites com seu poder monopolista consegue transformar pensamentos vulgares em audiência. Onde escreveria um Ali Kamel se existisse diversidade de pensamento na mídia? Que importância teria um Diogo Mainardi? Pensei isto agora ao ler mais um texto do Laerte Braga. Ele publica seus textos nas escondidas vielas da mídia alternativa. Ainda bem que com a internet elas sobrevivem. Foi dele o que mais me tocou sobre a lembrança do dia 9 de outubro de 1967, quando Che Guevara foi morto. Gostaria que aqui ficasse registrado:

“Quando publicarem a dor e a coragem, terão que publicar o amor “

Laerte Braga

Ernesto Rafael Guevara de La Serna viveu e morreu com a dignidade que nem VEJA e nem o Civita, mafioso que preside o grupo que edita a revista, jamais tevera em qualquer momento. VEJA é venal, mentirosa e representa interesses de uma república dentro do Brasil, a FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo), uma espécie de país vizinho que fala a mesma língua.

VEJA é a imagem do CANSEI, movimento de escravocratas mineiros e paulistas, dondocas aflitas e desesperadas e da chamada classe “mérdia”. A que não é e nem consegue ser.

É como a GLOBO. A cabeça da GLOBO pode ser sintetizada no episódio envolvendo o diretor do prostíbulo em casa, o Big Brother. O dito cujo ao lado da socialite Narcisa Tamborindeguy, monumento das elites ao vazio, ao não ser nada, injetava éter (como será que conseguia?) em centenas de ovos e escondido da janela do apartamento de um dos boys ou girls da turma se deliciavam atirando-os nas “vagabundas” que passavam pela rua.

Um grupo de rapazes criados com todo o “esmero” global, todos os cuidados informativos de VEJA, a turma dos condomínios fechados, baixou num ponto de ônibus e a pretexto de justiçar uma “vagabunda”, agrediu uma trabalhadora. Roubaram-lhe sessenta reais e um celular para comprar drogas.

O pai de um deles disse que o filho não podia ficar detido junto com presos comuns, pois era estudante de direito. Não disse mais uma palavra depois que ficou provado que a prática era comum. “Vagabundas” eram justiçadas todos os dias pela droga dos filhos dos condomínios fechados.

VEJA é podre. Quando da queda do avião da TAM o robô que apresenta o JORNAL NACIONAL, o tal que disse que “nosso público é como Homer Simpson” (um sujeito simplório que exerce uma função de importância numa agência nuclear e se deixa iludir e enganar com a maior facilidade), sofreu uma crise de chip ao transmitir a notícia, na tentativa de mostrar que a falta de ranhuras em Congonhas tinha provocado o acidente, pois o AIRBUS teria aquaplanado.

Em dois dias a mentira estava desfeita e o moço ganhou férias de uns cinco dias para não desgastar a imagem de mentiroso das oito e pouco da noite de segunda a sábado.

No domingo, a capa de VEJA era a seguinte: “O PILOTO FOI O CULPADO”. Nenhum respeito por coisa alguma, ou quem quer que seja, no afã de servir aos que pagam e compram a revista para publicar o que querem. Imunda.

Duas semanas depois a “caixa preta” mostrou que o acidente foi provocado por falha numa das turbinas, falha no reverso, a manutenção era precária na TAM e o piloto e o co-piloto haviam tomado todas as atitudes necessárias e corretas à situação.

Nem uma palavra de desculpas. A TAM é uma das empresas que compram VEJA. É uma empresa que anuncia em VEJA.

Há centenas de relatos e biografias de Chê em todas as partes do mundo. O rosto de Chê virou lucro para o capitalismo de cada dia. Por que tentar transformá-lo em vilão agora, cinqüenta anos depois de sua morte?

Só o setor do governo do Texas que comprou a revista, a matéria, em VEJA várias publicações sórdidas em todo o mundo pode explicar.

Chê ultrapassa seu tempo. Torna-se exemplo para uma juventude que vê diariamente as mentiras globais e aprende a matar nos jogos de vídeo e computador.

A morte asséptica da tortura nas prisões do Iraque, no campo de concentração de Guantánamo, ou no documento recém divulgado pelos próprios jornais independentes do Texas (ex EUA) em que o líder terrorista da Organização Casa Branca autoriza o uso de “técnicas aprimoradas de interrogatórios”. Tapas no rosto, exposição contínua a baixas temperaturas e afogamentos simulados.

A presença cada vez maior de Guevara incomoda. Claro. Em quem o jovem vai buscar inspirar-se? Em Renan Calheiros? Em Fernando Henrique Cardoso? Em José Serra? Em Aécio Neves? Num presidente que sobrevive engolindo sapos e largando compromissos ao Deus dará como Lula? Em Boninho e seus ovos podres? Em Mônica Veloso que fez tudo para “garantir” o futuro do filho, “preservá-lo” e foi parar nas páginas da PLAYBOY?

Em Antônio Ermírio de Moraes, “paladino” do progresso que vê o Parlamento da Suécia aprovar uma lei determinando que Estado venda as ações da ARACRUZ por práticas criminosas contra pessoas e contra o ambiente?

Nos heróis e vilões da GLOBO?

O modelo está falido. Tentar reduzir Guevara a adjetivos que interessam aos “donos”, aos senhores feudais da Idade Média da Tecnologia é parte de um processo de diluição do ser humano, de seus valores, de transformação desse ser em objeto, em mercadoria.

Roberto Requião, ao término das apurações no Paraná, onde foi reeleito governador com frente mínima, desabafou: “a senhora Miriam Leitão é mentirosa e mentiu com dolo no caso do Porto de Paranaguá. O senhor Pedro Bial é mentiroso e escolheu um terminal privado para tentar mostrar que o governo do estado não cuidava do porto para atender a interesses de privatização e dos plantadores de soja transgênica”.

Ambos engoliram em seco porque são mentirosos. Não importam os fatos, importam as versões que atendam aos interesses dos que pagam (bancos, grandes corporações, governo do Texas, FIESP (uma espécie de delegacia texana por aqui, algo como a agência Pinkerton).

A presença de Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa mostrando uma alternativa à verdade absoluta das franquias texanas ao resto do mundo incomoda. Palestinos lutando por liberdade e por sua terra incomodam. Iranianos buscando com um governo eleito pelo voto direto no único país árabe onde as mulheres votam incomodam.

Não é só VEJA que está procurando demolir a imagem de coragem de Guevara. São revistas e jornais da imprensa marrom no mundo inteiro, parte da sociedade de espetáculo, onde o show é formado de vários esquetes e o ser é tratado como um abjeto objeto sem o menor respeito.

O dia que a mídia for livre, isso mesmo, livre, e publicarem a dor e a coragem, terão que publicar o amor.

Guevara vive porque foi o oposto dessa podridão que gera Calheiros aqui. Calheiros no Paquistão. Calheiros na Argentina. Esses caras não suportam imaginar que possa existir quem se lhes seja exatamente o contrário.

Quanto o grupo que edita VEJA perdeu ao não conseguir vencer as concorrências para a edição de livros didáticos para as escolas públicas do País inteiro? FHC saiu e as fraudes ficaram mais difíceis. Pelo menos isso.

Como foram as operações do grupo com estrangeiros em violento desrespeito à legislação brasileira e agora tentam a todo custo evitar uma CPI para apurá-las?

A lavagem de dinheiro no “negócio”.

VEJA não fala nada de graça e nem publica. É tudo uma questão de tabela.

E a GLOBO também.

A matéria sobre Guevara é mais que um achincalhe mentiroso. É parte do processo de desrespeito total e absoluto à verdade e ao ser humano, com objetivos claros de manter ativos os “negócios”.

Um detalhe. Se o dono da VEJA pisar em solo italiano vai preso por fraudes financeiras. Mafioso.

A frase do título é de Fernanda Tardin.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Esculacho no quintal dos outros é festim


Li na Folha o desabafo de Luciano Hulk após ser assaltado em São Paulo, quando roubaram seu relógio de R$ 48 mil. Disse ele revoltado: “Onde está a polícia? Onde está a elite da tropa? Chamem o capitão Nascimento!”. Pronto. As elites têm um herói. Mais, é um novo modelo. Confesso que nunca entendi o projeto de segurança pública dos representantes dos mais abastados. O Alckmin vivia dizendo que o negócio era simples, bastava fazer mais presídios, contratar mais policiais. Mas agora o discurso deve mudar. No caso do relógio roubado, basta um capitão Nascimento subir a favela, colocar no saco alguns moradores, torturar até conseguir informações, que logo alguém dedura o ladrão. Simples, e o Luciano ficaria contente com seu relógio de volta.

Fiquei matutando esta confessa barbárie. Impossível não associar à última capa da Veja, esta revista que pretende ser porta-voz desta elite, suas preocupações. Para ela, o importante neste momento é desmascarar a farsa da imagem de Che Guevara. Juntou alguns notórios inimigos de Fidel, um agente da CIA para que dissessem que Che foi um bárbaro, um assassino cruel, além de mal cheiroso. Surpresa se tal time comentasse outras coisas, como a atabalhoada invasão da Baía dos Porcos, ou a operação NorthWoods, imaginada pela CIA. Não. Tudo o que dizem é que o revolucionário Che Guevara era violento.

Quer dizer, para fazer uma revolução não podemos dar tiros, temos que tratar bem os inimigos. A violência só é justa quando precisamos ter de volta um relógio roubado.

Outra coisa: um leitor anônimo deste blog deixou registrada uma ótima contribuição para análise. Em 1997 a Veja fazia uma isenta reportagem sobre Che Guevara, de autoria de Dorrit Harazim, esposa de Elio Gaspari. Pergunto: mudou a Veja? Mudou Che? Há uma marcha à direita no pais? Gostaria de opiniões.

E mais outra: Antonio Gabriel Haddad é um especialista em Cuba. Desmonta a "reportagem" da Veja em cada letra. Leia no blog do André Lux, o Tudo em Cima.

Na imagem acima, pintura de John Trumbull, “A morte do general Warren na batalha de Bunker Hill”. Momento não muito glorioso para os revolucionários de George Washington. Mesmo assim, detonaram mil soldadinhos vermelhos (não, não eram comunistas). E que eu saiba, não entraram para a história como bárbaros e violentos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Eu vaio minuto de silêncio

Eu odeio adsense. Odeio links patrocinados. Verdade que rio muito com o humor involuntário do google ads. E só.

Amigos blogueiros, me permitam fazer uma observação quase desagradável num mundo onde parece que todos só querem ganhar dinheiro.

Eu (e ninguém que conheço) nunca clico nos anúncios que poluem os blogs que eventualmente leio. Você quer ganhar dinheiro? Aplique na bolsa, prestenção no que conta nesse mundinho dos que querem ganhar dinheiro. O meu (que é pouco, admito) dinheirinho não cai nessa treta não.

E mais. Cuidado com os anúncios que vocês publicam nos seus sites. Daqui a pouco, caso dê certo, vocês se sentirão obrigados a falar bem deles. Olha, sei do que estou falando.

Vocês já leram jornais falando mal de anunciante?

quem ganha?


pt ou psdb?

domingo, 30 de setembro de 2007

Veja: o desespero do panfletão

Não há limites para o embuste da revista Veja. Em sua última edição ela coloca sua máquina de desinformação e mentiras para tentar mudar a história, recontando um Che Guevara como frio assassino, segundo ela, bem longe da visão romântica que o cercou até hoje. Para isso, usa como fontes confiáveis o escritor cubano Huber Matos, um notório renegado dos ideais da revolução e Felix Rodrigues, um agente da CIA, que esteve presente no assassinato do revolucionário. Este é o jornalismo verdade da revista, que pertence a uma editora que usa empresas fantasmas para esconder uma enorme maracutaia de venda de seu capital social.

CPI da TVA-Abril já!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Osso duro mesmo

Eu vi tropa de elite. No piratão. Comentei com meu companheiro que a galera ia aplaudir as cenas de tortura. Tipo quando no cidade de Deus o dadinho é o caralho virou herói. Claro que é horrível, lamentável achar q o Capitão Nascimento pode ser visto como um também. Mas o zé pequeno já virou. assim como o Olavo da novela. e assim vai. (esse é outro post, aliás)

Eu achei o filme quase bobo. Sério. Quem vive nas "comunidade" como eu sabe que é dali pra pior mesmo. Que os consumidores de droga podem pagar 50 pila no branco. Isso é grana pra quem tá do lado de cá, viu? Que os azuis são mais fáceis de comprar que água em dia de calor. Que todo mundo sabe que o Bope TORTURA. Ah, o filme mente que eles são incorruptíveis, mas caralho, é cinema. CI-NE-MA. O James bond tb não faz tudo aquilo, confere?

Mas... somos o país dos sociólogos, técnicos de futebol e críticos de cinema, não é mesmo? Então todo mundo sai indignado comentando, tecendo teses favoráveis e contrárias ao filme.

O que tem mais me chamado atenção desses últimos debates pautados pelo jornalzinho tijucano O Globo é o susto diante da grande reação das platéias do filme.

Pára tudo. Que platéias?

O filme só passou no Odeon para 800 convidados de gala do Festival do Cinema do Rio. Isso é gente como eu? Como você? Pode contar que não, parceiro. Passou em mais uma sessão em uma sala pequena do festival. E só.

Então, ó indignados de plantão e pauteiros do jornal: quem estava nos cinemas eram vocês.

Negócios de mineiros

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Mais sobre educação e elites

Essa eu li na diagonal. Pq, na boa, ler os jornais está ficando cada dia mais irritante. Mas um dos pontos da matéria sobre o projeto de educação de Chávez era a crítica da idéia da padronização do ensino.

Taí. GENIAL. Os alunos das escolas como a Parque, Santo Agostinho, Teresiano, ou qualquer outro que custe mais de R$2.500,00

(aliás, abro este parêntese necessário. Eles agora organizam passeatas com a PUC! Com carros batedores na frente, seguranças ao lado, câmeras High Definition filmando tudo para os documentários que eles irão produzir... já tão novos e tão cansados...)

realmente não podem aprender a mesma coisa que alunos das escolas públicas. Que isso! Absurdo! Já que tô pagando, meus meninos têm que saber mais. Imagina se algum deles luta pela universalização do ensino público, pela democratização da informação, claro que não. Quem quer manter as diferenças, jamais poderia concordar com a idéia de manter um padrão para o ensino.

Aliás, alguns teóricos das teoria das elites, como Michels ou Pareto explicam longamente como e porque quem está no andar de cima assim continua. E mantêm seus filhos lá também. A educação diferenciada está no cerne da questão.

Livros servem para fogueiras

Deve pensar o cidadão que tb afirma que o Brasil não é racista.
Então, ele discorda do que o tal livro didático apresenta e sugere a fogueira?
Eu discordo das bundas o dia todo na TV. Das propagandas racistas (ah, mas não somos, né?). Discordo de anúncios de cerveja de tarde e junto da programação esportiva (meus filhos pequenos assistem aquilo, cacete!). Mas o que penso é censura, e TODA censura é burra, de acordo com o anúncio pela patrocinado pela Tv Globo.
O que eu sugiro é censura. E das burras.
Mas... o que ele está fazendo é o quê mesmo?

Ps. este post já estava encomendando quando vi que meu brilhante sócio Jurandir (aliás, oi, Jura, tudo bem?) havia pensando a mesma coisa. Mas ele sabe desenhar ;)

E na Central Globo de Jornalismo e Educação...

Ditadura no bofó dos outros...

O Sr. Ali Kamel condenou um livro por este conter, segundo ele, elogios a ditaduras socialistas. Não é verdade. O livro é crítico com elas. Até ao contrário da essência da teoria revolucionária marxista, de implantação de uma ditadura da maioria contra a ditadura da minoria, com o propósito de eliminar as desigualdades e implantar uma nova ordem sem exploradores.

Ao que parece esta ditadura da minoria é muito bem-vinda na TV Globo. O Jornal Nacional comprova ao não mostrar imagens do estudante Andrew Meyers, da Universidade da Flórida, sendo agredido com choques elétricos por cinco policiais, depois que questionou o senador John Kerry , durante palestra, sobre sua falta de reação ao ter sido derrotado por Bush em mais uma fraude eleitoral, o que está publicado em livro, de Greg Palast, que portava enquanto discursava ao microfone.

O problema para a Globo não é a existência de ditaduras, pois a de Bush, que impede com violência a expressão de um estudante, não merece atenção em seu jornalismo, dirigido por Ali Kamel. Mas ainda podemos ver o vídeo no YouTube, enquanto a sanha ditatorial da minoria não descobrir uma maneira de nos impedir.

Reportagem e um bom comentário estão no blog do Rizzolo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

E Mr. Kane ajuda Aécio Neves

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

E ainda o Cidadão Kane

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O canavial e a cana

Presencio uma discussão sobre os últimos dados de aumento de renda. Pois é. Os dados melhoraram, sob todos os aspectos.
Mas críticas não faltam.
Desde os jornais (ooooh, claaaaro), que buscam aqui e ali informações para desqualificar os últimos anos do governo (é, a renda subiu, a desigualdade diminuiu, mas aqui e ali esta ainda está medonha!)
Dados econômicos, sob a chancela do ibge, ipea ou fgv têm muita credibilidade. Os do Dieese a rapeize nem vê mais, mas bora para a PNAD, que os leitores já conhecem.

Resumindo a ópera do que presenciei:

ouço a seguinte frase: olha só, tem trabalhador do canavial que prefere não trabalhar, colocar filho na escola e ficar recebendo bolsa-família! Oh. o horror, o horror.

Uma pessoa pontua: mas veja bem, isso pode pressionar os usineiros a não pagar a miséria que eles pagam por um trabalho quase escravo, não? E ainda veja só, é negócio pro cara e pro país, que vê os meninos dele estudando...

O outro: aaah, bando de vagabundo. Querem moleza.

A tal pessoa: mas essa pressão pode melhorar o índice da distribuição de renda, já que o usineiro, para ter cortadores de cana, terá que oferecer mais do que oferece para manter aquele lucro fabuloso...

O outro: mas veja bem... minha empregada, quando pedi para ela trabalhar domingo, não aceitou.

Acho que não preciso falar mais nada.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ler não ofende

A volta de Salvatore Cacciola me fez ler e reler algumas coisas, como estas frases tiradas de texto do jornalista Alberto Dines, no Observatório da Imprensa:

“Nossa imprensa sabe fazer barulho, não sabe descobrir os motivos para fazer barulho”

“Nosso jornalismo é praticado pelos editores e opinionistas. Repórteres ficam em segundo plano. A não ser quando se tornam dublês de opinionistas. Jornais e revistas esqueceram de investir em repórteres. São poucos, mal pagos e mal aproveitados”

“Criamos um jornalismo de repercussão, errático e inconseqüente”

“Nossa imprensa diária foi empurrada para o beco sem saída dos malabarismos marqueteiros...”

“O novo new journalism brasileiro é fragmentado, espasmódico e, por isso, sensacionalista, vulnerável sempre aos interesses de informantes”

“...a imprensa atrela-se a interesses político-partidários quando deveria manter-se acima deles”


Erraram os que imaginam ele estar se referindo a algo recente. Na verdade criticava a cobertura da CPI dos Bancos, enterrada em 1999, esquecida por esta mesma imprensa. Sua análise era para cobrar objetividade na apuração e um maior equilíbrio em ouvir os envolvidos na treta.

Pois é, concluam vocês, eu digo que equilíbrio no bofó dos outros é refresco.

Computar não ofende

Primeira coisa a pensar na volta ao noticiário de Salvatore Cacciola é pura contabilidade. Nossa cansada elite critica o bolsa-família, reclama de seus propósitos, de seus gastos. Mas o governo FHC, seu legítimo representante, usou de R$ 1,6 bilhão para tentar salvar um único banco, o falecido Marka. Algo como cerca de dois meses de salvação para mais de 11 milhões de famílias (R$ 819 milhões ao mês, segundo dados oficiais). Disseram que com isso evitavam uma crise bancária que perigava virar “sistêmica”.

Quer dizer, crise no lar de pobre não tem perigo de virar sistêmica.

sábado, 15 de setembro de 2007

Democracia para quem precisa


Com imagem de Sandro Botticelli, a história de Onesti (detalhe do terceiro episódio), Museu do Prado, Madri

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

de grão em grão

Taí. Finalmente um movimento ao qual quero aderir, iniciado pelo caríssimo Eduardo.

Acho que o Rio de Janeiro devia se mobilizar para pressionar essa mídia do balneário também...

vergonha é roubar e não poder carregar

tudo mundo tem vergonha do senado. da câmara. alguns têm vergonha do português do presidente.
e a maioria fica indignadíssima de acordo com a cara de indignado do willian bonner.
well, eu tb morro der vergonha de ter o renan calheiros como senador da república. mas ainda prefiro que o senado exista. e aliás, que volte a funcionar. se estamos em uma democracia, que as regras sejam cumpridas, que as pessoas tenham seus julgamentos.
Se eu acho se é justo? claro que não. Um trabalhador não tem os mesmos direitos q um senador, um ministro ou um rico mesmo sem títulos. não, não acho nada justo. mas nesse modelo no qual vivemos, a regra é essa.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O crepúsculo

Osamagate 2


Há motivos para alguém sugerir que o governo americano tinha interesses no resultado dos atentados de 11 de setembro? Sugiro a leitura de THE GRAND CHESSBOARD - American Primacy And It's Geostrategic Imperatives," de Zbigniew Brzezinski. Seu autor, o mais velho na foto acima, é professor de política externa americana na Universidade Johns Hopkins, foi secretário de defesa no governo Jimmy Carter, teve participação no governo Ronald Reagan e no de Bush pai, é conselheiro do Centro Internacional de estudos estratégicos e mais uma extensa lista de atividades que o credencia como um guru das empreitadas americanas pelo planeta. Não são precisos muitos neurônios para entender que tudo o que está sendo feito pelo governo Bush segue a cartilha do “professor”. O que nele está escrito, desnuda de forma clara a estratégia dos EUA de dominar o mundo, e é praticamente uma confissão de culpa.

Segundo ele, é necessário que os EUA exerçam seu papel de liderança em uma nova ordem mundial, sem competidores, controlada apenas pelos interesses de bancos, empresas e da elite dominante. Para tal, deve-se ter em conta uma estratégia de guerra que vise garantir o domínio deste grande tabuleiro. Do contrário, ameaça sobrevir um mundo em caos.

O centro da disputa, diz Brzezinski, é a Eurásia, o território que vai do leste da Alemanha até o Pacífico, abraçando Russia, China, o Oriente Médio e o subcontinente indiano. Diz:

“Desde que os continentes começaram a interagir politicamente, há cinco séculos atrás, a Eurásia passou a ser o centro do poder mundial”

“A chave para controlar a Eurásia é controlar as repúblicas da Ásia Central. E a chave para controlar a Ásia Central é o Uzbequistão”


Arrogante, né? Vale lembrar que neste país o movimento militar americano é intenso há muitos anos e foi citado por Bush, logo após os atentados, como o primeiro lugar para um grande desembarque de tropas.

Mas não fica nisso, suas idéias são mais radicais:

“A última década do século XX testemunhou uma mudança radical nas relações internacionais. Pela primeira vez, um poder de fora da Eurásia emergiu não apenas como árbitro das relações de poder entre as repúblicas deste território, mas como o supremo poder mundial. O colapso da União Soviética foi o último passo para a ascensão do poder ocidental, os EUA como o único e verdadeiro poder global”

“Neste contexto, a gerência da Eurásia é crítica para a América. A Eurásia, maior continente do mundo, é também o de maior importância geopolítica. Um poder que domine a Eurásia passa ter controle sobre duas das três mais produtivas regiões do planeta. Uma simples olhada no mapa sugere que o controle da Eurásia subordina a África, o Hemisférios Ocidental”

“...entretanto, é imperativo que nenhuma força eurasiana apareça, capaz de exercer alguma dominação na região e desta forma desafiar os EUA. A formulação de uma abrangente e completa geoestratégia para a Eurásia é a proposta deste livro”

“O recuo do poder americano no mundo, a emergência de outra nação rival, pode produzir uma imensa instabilidade internacional, logo estimulando uma anarquia global”

E aqui, o que me parece mais grave de tudo:

“A postura da opinião pública americana em relação ao poderio externo dos EUA tem sido muitas vezes ambivalente. A população só apoiou o engajamento da América na segunda Guerra Mundial em função do choque causado pelo ataque a Pearl Harbour”

“Além disso, como a América se torna a cada dia uma sociedade mais multi-cultural, fica mais difícil de se achar um consenso sobre assuntos de política externa, a menos na circunstância de uma massiva e percebida ameaça externa”



Qualquer semelhança com episódio acontecido há seis anos não será mera coincidência.

E a propósito: a foto acima foi publicada pelo The New York Village Voice, quando Brzezinski visitava seu bom garoto, Osama bin Laden, ao seu lado, em treinamento no exército do Paquistão, em 1981. Foto creditada a Agência Sygma/Corbis, Paris.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Osamagate 1


Esta alegre família de 22 irmãos, fotografados no verão da Suécia, em 1971, tem muitos significados na história mundial recente. Pertencem a mais abastada família da Arábia Saudita, riqueza só menor que a da real, com quem eles têm grandes afinidades. Foram todos educados no exterior, têm hábitos ocidentais e um enorme talento para negócios, herdados do pai, morto em 1968.

Desde 1979, quando o irmão mais velho, Salem bin Laden, investiu em uma certa Arbusto Energy, então propriedade do atual presidente americano, a família está presente em grandes negócios nos EUA. Por enorme coincidência, sempre com os mesmos Bush. Em 26 de outubro de 2001, os Bin Laden distribuíram uma lacônica nota a imprensa, para divulgar que retiravam US$ 2 milhões de dólares de seu investimento no Carlyle Group, um dos principais fornecedores de armas do Pentágono, onde Bush pai teve assento na direção, funcionando como um grande vendedor de seus produtos pelo mundo.

30 anos após, também, por enorme coincidência, o jovem assinalado na foto, Osama bin Laden, aqui aos 14 anos, viria a estar de novo fortemente envolvido com a família Bush. Mas, nem sempre esteve distante. Em 1985, por decisão do presidente Ronald Reagan, um forte amigo da família petroleira americana, foram feitos pesados investimentos na brigada muçulmana contra o Afeganistão soviético. O investimento foi feito via a ISI, a central de inteligência do Paquistão, que tinha ali Osama como dos principais organizadores do grupo. Mais adiante, em 1996, em Mogadíscio, na Somália, o mesmo Osama foi o anfitrião da reunião, com representantes da mesma ISI, que preparou nova brigada de muçulmanos para se incorporarem ao Kosovo Liberation Army,a KLA, que lutou na Chechênia pelos interesses estratégicos americanos, até 1998. Desta data, à frente, o departamento de estado americano e suas centrais de inteligência divulgaram a notícia de que o cara surtou, se transformando em um fundamentalista radical, inimigo dos interesses americanos. As razões, os fatos, desta virada tão radical, nunca foram provados, nem ao menos explicados, menos ainda apurados pela mídia internacional. Ao contrário das informações que aqui indico, que podem ser pesquisadas, ampliadas e comprovadas. Temos que conviver com um Osama bin Laden, alardeado como grande terrorista internacional, que ocasionalmente aparece em vídeos caseiros para impor seu medo em momentos chaves: antes, pouco antes da reeleição de Bush; na última semana, pouco antes da discussão no congresso americano da continuidade da guerra do Iraque. Parece que ele continua bastante fiel aos seus amigos do Texas.

No próximo post: o grande estrategista do Osamagate.

11/9

Hoje tem um tanto de gente chorando seus mortos. E não só aqueles que foram despedaçados nos prédios do WTC. Não podemos esquecer dos outros milhares q desapareceram após os supostos atentados que justificaram muitos e muitos assassinatos.
Ah, sim. Supostos. E claro que justificaram ações e ataques norte americanos por aí.
Vejam os fatos, pesquisem, busquem, estudem. Esqueçam as crenças.
Aliás, a cada dia me convenço mais que onde tem crença é do lado de quem acredita que um moço com um passado de playboy americano tenha surtado e comandado os tais ataques direto de uma caverna. Hein?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O jabaculê institucionalizado


O colunista Ancelmo Gois, no Globo de quinta-feira última, publica foto de manifestantes recolhendo votos no plebiscito que pede a anulação da venda da Vale do Rio Doce. Diz que a votação não empolgou. Segundo ele, por que o governo dá apoio envergonhado à causa, já que a campanha eleitoral de Lula recebeu R$ 4,3 milhões da mineradora.

Inaugurou a explicito conceito do toma-lá-dá-cá no jornalismo, algo antes só creditado às hordas dos maus políticos. Se recebeu, deveria ter ficado quietinho. O mesmo diz quanto a CNBB, que ganhou contribuição para a Campanha da Fraternidade. Agora, traindo quem lhe agradou com o regalo, pede a revisão da venda da Vale.

Talvez este comentário do jornalista ajude a melhor entender o processo, cercado de controvérsias. Afinal, a empresa foi vendida por pouco mais de três vezes seu lucro líquido ao ano. O lance inicial foi proposto por um grupo de avalistas, entre eles o Bradesco, que se tornou sócio da mineradora após o leilão. Sem falar na atuação na venda do senhor Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro de FHC e Serra, suspeito à época de atuar para fazer uma caixinha de R$ 15 milhões, sabe-se lá para o que, ou para quem . Quem sabe para também agradar com minos aos que poderiam atrapalhar a venda de um patrimônio que contava com a maior frota de graneleiros do mundo, a maior mina de ferro do planeta?

Suspeita-se agora, no comentário do jornalista, que a nossa grande mídia possa também ter entrado na farta distribuição destas prendas. Na época ela olhou para o outro lado, foram poucas as vozes dissonantes que acusaram a falcatrua.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Amor, Marx

Ando lendo Sobre o Amor, do Leandro Konder. Lendo e gostando, aliás. Podem pensar vocês, ô comunistinha essa aí, lendo Konder.
Taí, talvez seja mesmo muito demodé ler sobre amor, filosofia, história do pensamento e ora, bolas, Marx.

Já há uns anos fiquei sabendo que não existem mais marxistas (apesar de achar que eles fazem falta, muita falta. Aliás, acho que eles existem, mas estão escondidinhos ;).

Até na academia (não a dos aparelhos, ops, a que talvez pode ser de aparelhos, mas de outro tipo, bien sur), os estudiosos do velho Karl não são mais chamados de marxistas, para não se misturar com essa coisa antiga, entende?

Pois bem, lendo o velho Konder, me deparo com interessantíssimas concepções do amor marxista que ultrapassam e muito aquela noção do senso comum - a qual me filiava, inclusive - que, sobre desse tema, o alemão se limitava saber maltratar a esposa.
Ora, que tola fui.

Marx defendia o amor no plano teórico e também o viveu de forma intensa com Jenny.
Mas sua discussão em torno do conceito de amor não se limitava de forma alguma ao amor marital ou sexual.

Continua...

Sem trocadilhos,

mas quem estará por trás de Mônica Veloso?

terça-feira, 4 de setembro de 2007

E Cabral , avistou?



Deu no Globo Online:

Cabral viu cópia pirata de 'Tropa de elite'

Algumas horas depois:

Governador Sérgio Cabral nega ter visto 'Tropa de elite'

Uma coisa é certa: entre o Globo e Sérgio Cabral é mais fácil acreditar que os dois estão mentindo.

Aeroporto de mosquito



Deu no Estadão:

Estado de SP reage para conter surto recorde de dengue

SÃO PAULO - Com mais de 62 mil casos da doença registrados até agora em 2007, São Paulo enfrenta uma epidemia recorde de dengue. O ano com mais casos registrado anteriormente havia sido 2001, com 51,4 mil ocorrências. Em 2003 esse número havia caído mais de 50%, para 20,2 mil, mas já voltava a superar os 50 mil em 2005.

A Secretaria da Saúde paulista atribui o grande número de casos ao aumento da doença em Estados vizinhos, mais especificamente o Mato Grosso do Sul.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Dicas

Chegaram aqui através da busca como conquistar um canalha. Bonita ou bonito, é o seguinte: seja um. Ou uma ;)

Uma coisa é uma coisa, outra coisa...

Se havia o mensalão, era pra quê?
É a pergunta que falta.
Nenhum dos brilhantes jornalistas vai responder à pergunta? Não. Nunca, pelo fato do que eles chamam de mensalão simplesmente não existir.
Caixa dois, corrupção, tirar um por fora, lavar dinheiro, pagar campanhas de milhões declarando que custaram milhares, ah, isso tudo existe.

domingo, 2 de setembro de 2007

Professor canalhocrata


Fernando Hentique Cardoso como o General Desaix, óleo de Andrea Appiani, 1801, Musée National de Château, Versailles.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Troca de madamas na Playboy

Sai Mônica Veloso da próxima Playboy, entra Bárbara Paz, ex também, mas do Supla (ui!). Os jornalões dizem que as fotos não ficaram prontas. Parece que não é bem assim. Segundo o blog do Rovai, o advogado da Abril recomendou gaveta enquanto rolar o julgamento do Renan. A empresa é citada, está no rolo, e a moça é testemunha. Poderia complicar o cofrinho dos Civitas. Interessante que mais uma vez um blog dá uma notícia em primeira mão

Levantamento de informações




*Imagem gentilmente cedida pela birosca do seu Vavá.

Sessão paraguaia de filme brasileiro americanizado

Eu vi “Tropa de elite”. Nem tentem me prender, esculachar, nada fiz. Apenas comprava no Centro material para fazer meu puxadinho. Ali, ao lado do Camelódromo. Parei numa birosca que começava a passar o filme em uma TV minúscula. Juntou gente. Grudei na tela, comprei uma latinha, e vi tudo.Estou pronto para fazer uma crítica de cinema antes da grande mídia. Problema deles que são filhos da pauta.

...

Hollywood veio dar uma mãozinha para o cinema brasileiro conquistar, finalmente, seu Oscar. Os gringos colocaram sua melhor expertise: a boa grana, as violentas cenas de ação e uma história bem contada, com roteiro seguindo os chavões da indústria ianque. Se vamos botar o mão no boneco, os entendidos que se manifestem. Tenho lá minhas dúvidas. Há incômodos para eles no filme e aos meus critérios. Mas, acho até cômico, depois de tantas tentativas dos nossos cineastas mauricinhos narrarem suas “sensíveis” percepções, uma história baseada em livro de policial do Bope conquistar louros em Los Angeles.

E o filme é Bope, totalmente caveirão. Pode servir de estímulo em seus treinamentos. Levanta o moral da tropa. Desconfio desta realidade. Vende-se policiais incorruptíveis, o que fatos notórios contestam. Vemos cenas de exercícios de iniciação onde tentam eliminar os fracos e os corruptos. O cinema americano precisa de mocinhos e bandidos claros. Com o tempo aprendeu a flexibilizar o maniqueísmo. Humanizaram, no seu restrito e pior sentido, colocando cores mais reais. Neste filme, esta elite policial é violentíssima. Arrebenta, tortura barbaramente pessoas inocentes, como a esposa de um traficante, mas são eficientes ao extremo em seus propósitos. Fazendo sucesso no exterior o filme pode levar muitos de nossos policiais brasucas a fazerem bela carreira em Israel, Iraque ou outros aprazíveis recantos do planeta.

Inegável, lá está nossa realidade. Uma cadeia de reprodução. Policiais barbaramente violentos se alimentam de inescrupulosos traficantes, que precisam ser sustentados por uma classe média boçal, consumidora de drogas. Estes últimos são os que ficaram com o filme mais queimado. O núcleo “Malhação” é pobre. Faltaram a aulas no Tablado, mas fazem a platéia concluir que nossos branquinhos são os que mais fazem eme na sociedade. Alguns deles acham que pobres podem ser redimidos com esmolas, em uma dança, um teatrinho, uns desenhinhos, onde deveriam sacar que apenas uns óculos fazem toda a diferença. Vejam sobre as ongs no post da Kelly.

Há algo a pensar, sem dúvida. O filme lembra, logo em seu início, que existem 700 favelas no Rio, todas com milícias armadas. Impossível não refletir sobre o tamanho deste problema, suas conseqüências. Os liberais certamente irão colocar a culpa no indolente povo, que nada faz por mudar sua condição, que perverte a paisagem ao morar ao seu lado. Não querem pensar que fizeram isso ao longo de muitos anos, mantendo e reinventando uma política que exclui milhões, sem um projeto factível de solução. Estamos condenados a ver, depois de palmeiras, samba e carnaval, nossas pobres mazelas se transformarem em novo exotismo aos olhos do faturamento de Hollywood.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

NGO´s

As organizações não governamentais estão fazendo seu trabalhinho de todo dia direitinho para manter a sociedade exatamente como ela está.
Quando não são meras repassadoras de esmola no melhor estilo igreja católica eximindo culpa, seguem um modelinho "aprendam um ofício subalterno e mantenha-se subalterno, que este é o seu lugar, ô menino do criança esperança".
A prática política é desestimulada. A política, afinal, é uma coisa suja, de gente que rouba, feita por pessoas que conhecem esquemas que os demais nunquinha terão acesso.
Então, a via política que é sempre excluída.
Mas ora, bolas, um teatrinho na comunidade resolve todos os problemas, não é mesmo? Um computador com acesso ao yakult é inclusão digital. Uma oficina de marcenaria abre portas da esperança do mercado de trabalho para os meninos que, poxa vida, só conheceriam o tráfico como opção.
Será mesmo?

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Quanto riso, quanta alegria...

Colunas e Ruínas



Este título, que pego emprestado de alguém que já definiu nossos jornalões desta forma, hoje me veio a cabeça quando li embasbacada sobre a festinha promovida na Oscar Freire - q foi fechada - em São Paulo estes dias a propósito de não sei muito bem o quê.

O motivo destes brasileiríssimos eventos pouco importam. Bacana mesmo é ver mais uma vez as elites beberem 4 mil litros de champagne em um esquema no qual "estivessem protegidos dentro de uma bolha". Percebam, isso não foi dito eh tom crítico. Devia estar no release do evento.

Mais: "se abrir pra todo mundo, vira carnaval da B.". Eu, a pobre, achava q os colunáveis adoravam ir para o carnaval da B. Então, lendo as notinhas todas, percebo pelo menos duas frases memoráveis q mostram uma nova tendência: elites divididas.

Uma moradora "excluída" dos Jardins reclamou q sem a tal pulserinha não podia nem entrar nas lojas. E ela nem queria beber champagne, mas se dizia humilhada.
A ex-mulher-de-30-a-menos de um deputado exibia uma camisa com o slogan estampado: chega de impunidade. Nas costas: Cansei de corrupção, impunidade, violência. Mas a pantera marcava posição, não é mais uma das cansadas, ela é a fundadora do movimento Chega Brasil.

E eu pensava que os maleducados de esquerda que tinham esta mania de se dividir em partidinhos.

A inteligência de nossas elites


Vi a entrevista do sociólogo Alberto Carlos Almeida no Roda Viva, segunda última. É aquele que a Veja disse provar em pesquisa que nossa elite tem papel crucial na construção de um Brasil moderno, por ser menos preconceituosa, menos estatizante e com valores sociais mais sólidos. Pensar o contrário é “maniqueísmo tolo, típico da rasa cachola esquerdista brasileira”, diz o isento jornalismo da revista.

Não é bem assim. A pesquisa aponta que em valores sociais são as elites que gostam de um jeitinho para se dar bem, é o que o professor confirma. Mas, o tempo todo, o acadêmico tenta a conclusão de que os pobres assim o são por falta de estudos. Ao contrário, nossas elites estão bem preparadas e não merecem carregar o peso do estado que sustenta este parvo povo.

Ainda não tenho doutorado, como o professor e seu amigo Roberto da Matta, tolamente o defendendo, mas tenho minha análise: nossas elites são retrógradas, perversas e odeiam o andar de baixo, herança de nosso ainda recente passado colonial. Condenam o estado, mas o cobiçam permanentemente no restrito cumprimento de suas demandas. Odeiam os despossuídos, mas não têm a menor capacidade de atentar para sua responsabilidade na miséria que bate às suas portas, inclusive na forma da violência urbana. Nossas elites precisam voltar para a escola para tentar salvar o seu capitalismo que está fazendo água. Até agora, ainda não apareceu para salvá-los algum de seus “ professores” com uma tese de verdade, apenas profetas com bravatas para faturar um troco com ajuda da mídia.