sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Para quem trabalha nossa mídia?

Existe o falso compromisso nas redações de que o trabalho jornalístico deve sempre ouvir os dois lados, se existirem. É uma grande balela, todos sabem. No caso do MST, então, o desequilíbrio é ainda mais grave. Hoje, toda a mídia demonizou o MST em sua jornada de lutas no Pará. Repetem somente a versão dos ruralistas, que relatam depredações e violências nas fazendas Santa Bárbara, do condenado Daniel Dantas, e na Rio Vermelho. Não há uma linha de informação sobre o que está em disputa, a história destas propriedades, seus negócios e o direito sobre as terras. Vamos a alguns fatos que a mídia não quis publicar:
Em Tucuruí, as terras da fazenda Piratininga foram desapropriadas em 2008 por serem griladas da União. Sendo uma área com 80% de floresta, o MST propôs que o assentamento fosse agroextrativista e a área de reserva legal fosse comunitária. Porém, madeireiros e posseiros da região estão, desde a época, desmatando a área de reserva, ameaçando e expulsando as famílias do assentamento. Estas terras foram aforadas com a família Mutran e tinham o propósito de servir para exploração de castanhas. Ao invés disso, foi desmatado todo o castanhal e plantado pasto para a pecuária. Depois, ainda foram “vendidas” para a Agropecuária Santa Bárbara (Daniel Dantas) que continua com a pecuária extensiva nas terras. De fevereiro até o atual momento, 18 trabalhadores foram baleados pela escolta armada da fazenda de Dantas, bem como há freqüentes ameaças e seqüestros dos trabalhadores acampados.
Cerca de 200 famílias se mobilizaram na ocupação da PA 158 em frente à Fazenda Rio Vermelho, em Sapucaia, do grupo Quagliato, dono da Empresa Quamasa – Quagliato da Amazônia Agropecuária S/A. A vistoria da terra realizada pelo Incra já confirmou que a área é da União, além da fazenda ser utilizada de forma irregular, esteve durante vários anos na lista de fazendas que utilizavam trabalho escravo. Em julho de 2009, o MPF e o IBAMA multaram fazendeiros e frigoríficos, dentre as multadas estava a fazenda Rio Vermelho, que deve à justiça mais de R$ 375 milhões de reais.
Junto a estas informações, a mídia bem que podia publicar aqueles gráficos bonitos que fazem, para localizar a informação e lembrar de outras do passado. Neste caso, poderiam desenhar um mapa da região entre as duas fazendas. Quase no meio, fica a cidade de Eldorado de Carajás. Ali, na rodovia PA-150, nossos jornalistas poderiam lembrar que, em 1996, 19 trabalhadores rurais sem-terra foram assassinados com tiros à queima-roupa e golpes de machado e facão, sinais evidentes de execução, pela polícia militar, sob ordens do então governador Almir Gabriel (PSDB), naquele que ficou conhecido como o Massacre dos Carajás.
Mas é certo que nada disso será dito, nada lembrado. Mesmo que estas informações estejam facilmente disponíveis. Bastaria consultar o próprio site do MST.
A versão que fica é dos que fazem trabalho escravo, que roubam terras da União para derrubar florestas, que especulam e devem multas vultosas ao Estado. São eles as únicas fontes da nossa mídia. É para eles que trabalham.
Crédito da foto: Sebastião Salgado
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Para que servem as bases dos EUA na Colômbia?
Alguém já deve ter perguntado: para os EUA, desejando atacar a Venezuela, não seria relativamente fácil pelo mar do Caribe? Para que sete bases na Colômbia?
Na Folha, de 2/11/2009, quem sabe outra explicação:
Chávez é motivo para ter base na Colômbia, afirma Pentágono
Ao assinar o acordo militar com a Colômbia e garantir o uso da base área de Palanquero, no centro do país, o governo dos EUA considera ter aproveitado uma “oportunidade única” de obter “acesso e presença regional a custo mínimo” numa área sob ameaças constantes, entre elas as vindas de “governos antiamericanos” como o do venezuelano Hugo Chávez.
(...)
O documento do Pentágono submetido ao Congresso diz que Palanquero é “inquestionavelmente” o melhor lugar “para conduzir um completo espectro de operações pela América do Sul” – a importância da base já havia aparecido em documento da Força Aérea, que a inclui no esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal.
No grifo meu, o que seriam “rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal”? O que me lembro do governo americano fazendo de transporte estratégico aparece no vídeo abaixo:
Partindo da Colômbia, podemos imaginar o que seria.
obs: peguei uma carona em post no Hermenauta.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Sinal de trânsito para tucanos

Depois da polêmica ilustração no Globo para o artigo de FHC, da contribuição do Esquerdopata, segue minha sugestão gráfica para guiar os passos das aves bicudas, que passam por momento de grande dificuldade de direção. Peço desculpas pelo uso do inglês, é que esse pessoal só obedece a ordens nesta língua.
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domingo, 1 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O crack e a mídia

Nossos jornalões e as TVs descobriram que o crack tem culpados: é o governo Lula e os favelados. Se derrubar o Lula e tacar fogo nas favelas, tudo se resolve. É o que se conclui das recentes reportagens, e o que dizem alguns comentaristas nos portais de notícias. Em nenhuma matéria há um dedo sobre informações históricas sobre essa droga que efetivamente destrói em pouco tempo seus usuários, e que foi criada para acabar com o forte movimento dos Panteras Negras nos EUA, obra do próprio estado americano. Inventei? Teoria da conspiração? Não. Quem disse foi esta mesma mídia gorda em uma série de reportagens do San Jose Mercury News, assinadas pelo valoroso e premiado repórter Gary Webb, em 1996.
Webb seguiu os passos do caso Irã-Contras, um dos momentos em que, por um descuido, a cortina que encobre o sistema é levantada e podemos ver a fábrica de salsichas funcionando. Simplesmente o governo americano, via sua central de inteligência, vendia armas para seu inimigo aiatolá Komeini e arrumava mais um bom troco no mercado negro de drogas. Tudo para financiar os caros mercenários que combatiam a revolução sandinista. Uma revista em Beirute deu o flagra, espanou o mau cheiro e deu em uma longuíssima CPI no Congresso Americano.
O jornalista fez seu trabalho com competência. Seguiu passos de traficantes, deu nomes, mostrou rotas de tráfico que eram do conhecimento da CIA, e exibiu todo o cenário. Depois, a série foi transformada em livro: Dark Alliance: The CIA, the Contras, and the Crack Cocaine Explosion. Bastou para o mundo cair sobre sua cabeça. Foi acusado por todos os lados de usar falsas fontes, de manipular informações, sua vida virou um inferno. Perdeu o emprego e entrou em lista negra na mídia americana. Morreu em 2004. Segundo a polícia e a mídia, foi suicídio.
Claro, a nossa mídia aqui não lembrou do fato agora. É muito complexo entrar em um terreno tão polêmico. Imagina então pesquisar, que absurdo.
Ah, só um detalhe, certamente sem relevância jornalística: Gary Webb cometeu suicídio com dois tiros na cabeça.
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Referências para saber mais:
Verbete sobre Gary Webb na Wikipedia (em inglês)
Ótimo texto do professor Ney Jansen sobre drogas. Como o crack derrotou os Panteras Negras.
Sobre o caso Irã-Contras (em inglês)
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Técnica de maquiagem para vampiros
Para quem tem blog, é sempre divertido e interessante acompanhar pelas ferramentas de estatísticas o resultado das pesquisas do Google para nossa página. O Rafael Galvão é impagável com textos a partir de lá. Aqui, uma pesquisa recorrente chamou minha atenção: “maquiagem para vampiros”. Solucionei a estranheza com minha mulher, ser antenado que sabe tudo o que acontece. Vampiros estão na moda entre os adolescentes. Um filme de 2008 sobre os dentudos, “Crepúsculo”, bombou e terá uma continuação com a presença de seus jovens atores na estréia brasileira. Como o nosso blog, acima de tudo, pretende ser de utilidade pública, publicamos nossa sugestão de técnica para transformar um jovem em vampiro para a festa de Halloween que está próxima. Sigam com atenção os passos necessários:
1) Nosso jovem modelo, de compenetrado semblante, antes da profunda transformação. 
2) Vampiros carecem de sangue, são pálidos. Use uma base bem clara em todo o rosto.
3) Seres noturnos, quase insones, têm olheiras profundas. Crie bolsões embaixo dos olhos. Escureçam ao redor.
4) Os lábios são arroxeados. A cor está na moda.
5) Fundamental os caninos salientes.
6) E sangue... muito. Com gotas caindo sobre a camisa. E pronto!
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Uma notícia em dois tempos
Em 18 de julho de 2007:
Hoje, 28 de outubro de 2009, em discreto espaço na primeira página do Globo:
Na edição de hoje, a Folha de S.Paulo nada publicou sobre o relatório. Deveria, ao menos para novamente ouvir o governador de São Paulo, que em 18 de outubro de 2007 afirmava ao jornal que a tragédia estava prevista, e responsabilizava o governo federal:
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), esteve à noite no aeroporto de Congonhas após o acidente com o avião da TAM e afirmou que "todos tem muito o que lamentar, o que chorar", e que a cidade "está de luto". Apesar de afirmar que ainda era cedo para falar em causas, o governador disse que, para ele, o acidente foi uma tragédia anunciada. (...) "Ouvi dizer que muita gente achava isso. Inclusive eu. Mas tem que investigar com serenidade. E trabalhar para que isso não aconteça de novo". (...) O governador também falou sobre os problemas dos aeroportos no Estado. "A questão aeroportuária tem que passar por um reexame. Essa não é uma responsabilidade nossa. É Federal. Mas, como governo, nós vamos dar nossa opinião." (Folha de S.Paulo. 18/7/2007)
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sábado, 24 de outubro de 2009
Em defesa do MST

Este blog não está sozinho em seus protestos. Nada menos que nomes dignos do maior respeito internacional assinam um belo e fundamentado manifesto em favor do MST. Já assinei a petição:
Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais
22 de outubro de 2009
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.
Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.
Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.
Bloquear a reforma agrária
Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola −¬ cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 − e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.
Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.
O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.
Concentração fundiária
A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.
Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.
Não violência
A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.
É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.
Contra a criminalização das lutas sociais
Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
Ana Clara Ribeiro
Ana Esther Ceceña
Boaventura de Sousa Santos
Carlos Nelson Coutinho
Carlos Walter Porto-Gonçalves
Claudia Santiago
Claudia Korol
Ciro Correia
Chico Alencar
Chico de Oliveira
Daniel Bensaïd
Demian Bezerra de Melo
Fernando Vieira Velloso
Eduardo Galeano
Eleuterio Prado
Emir Sader
Gaudêncio Frigotto
Gilberto Maringoni
Gilcilene Barão
Heloisa Fernandes
Isabel Monal
István Mészáros
Ivana Jinkings
José Paulo Netto
Lucia Maria Wanderley Neves
Luis Acosta
Marcelo Badaró Mattos
Marcelo Freixo
Maria Orlanda Pinassi
Marilda Iamamoto
Maurício Vieira Martins
Mauro Luis Iasi
Michael Lowy
Otilia Fiori Arantes
Paulo Arantes
Paulo Nakatani
Plínio de Arruda Sampaio
Reinaldo A. Carcanholo
Ricardo Antunes
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
Roberto Leher
Sara Granemann
Sergio Romagnolo
Virgínia Fontes
Vito Giannotti
Assine também:
http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
O que querem de Lula?

Toda a mídia tucana dando destaque à entrevista de Lula na Folha. O meu momento escolhido como mais interessante foi este:
FOLHA - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tem uma crítica...
LULA - Deixa eu falar do câmbio. Depois respondo à crítica do Serra, que é menos importante para mim, para você e para o povo brasileiro. (...)
Vão se catar. Nunca um presidente da república nesse país teve tanto saco para aturar as maldadezinhas da mídia em oposição. As respostas de Lula foram precisas, demonstrou o quanto conhece do país um inteligente torneiro mecânico. Enfiem no lixo os mauricinhos formados em Harvard. Esta é a conclusão principal da entrevista. O resto é futrica eleitoral.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Polícia de Yeda persegue trovador
No blog do Marco Aurélio Weissheimer:
Cantor denuncia perseguição da Brigada Militar
Oct 21st, 2009
O cantor e compositor Pedro Munhoz denuncia que já sofreu duas tentativas de prisão por parte da Brigada Militar, uma em Alvorada e a outra em Porto Alegre, durante o ato-show Fora Yeda!, realizado dia 4 de outubro, no Parque Marinha do Brasil. Munhoz relata:
“Depois de ter recitado novamente o poema, “Quando Matam Um Sem Terra”, houve a tentativa de me prender. Como ocorrera em Alvorada, na sexta-feira. Uma vez mais tive que sair às pressas. Sou um trovador, um narrador de tudo aquilo que acontece no tempo histórico que estou inserido. Nada temo. Cumpro a minha função de trovador, munido apenas de palavras e canções. Sou um solitário cantador. É a nossa função”.
E acrescenta: “Não atiro pelas costas. Canto de frente”.
Natural de Barra do Ribeiro, Munhoz gravou seu primeiro CD em 1998 (“Pedro Munhoz Encantoria) e já atuou no Uruguai, Canadá, Cuba, França, Chile e Itália, entre outros países.
O poema que incomoda é este:
“Quando matam um Sem Terra” Por Pedro Munhoz
1.
Quem contar tráz à memória,
sabendo que a dôr existe,
quando a morte ainda insiste,
em calar quem faz a História.
Pois quem morre não tem glória,
nem tão pouco desespera,
é um valente na guerra,
tomba, em nome da vida.
Da intenção ninguém duvida,
quando matam um Sem Terra.
2.
Foi assim nesta jornada,
quando mataram mais um,
o companheiro ELTON BRUM,
não teve tempo prá nada.
Numa arma disparada,
o Estado é quem enterra
e uma vida se encerra,
em nome da covardia.
Toda a nossa rebeldia
quando matam um Sem Terra.
3.
È o desatino fardado,
armado até os dentes,
até esquecem que são gente,
quando estão do outro lado.
E vestidos de soldado,
todo o sonho dilacera,
violência prolifera
tiro certeiro, fatal.
Beiram o irracional,
quando matam um Sem Terra.
4.
Quem és tu, torturador,
que tanta dôr desatas,
desanima e maltrata
o humilde plantador?
Negas a classe, traidor,
do povo tudo se gera,
te esqueces devéras,
debaixo de um capacete.
Dá a ordem o Gabinete,
quando matam um Sem Terra.
5.
Em algum lugar da pampa,
ELTON deve de estar,
tranquilo no caminhar,
jeito humilde na estampa.
E algum céu se descampa,
corajem se retempera,
outras batalhas se espera,
dois projetos em disputa.
Não se desiste da luta,
quando matam um Sem Terra.
PEDRO MUNHOZ
Barra do Ribeiro / RS
27.08.09
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
Serra em transe. Gilmar acode

Para as próximas eleições, José Serra vem fazendo tudo aquilo que é sua especialidade: preparou ou comprou dossiês para publicar em sua venal mídia, patrocinou discórdias, pisou em pescoços variados, e nada. Resultado, nem o DEM agüenta mais e está se preparando para pular fora.
Até seu plano B está fazendo água, o de desistir de enfrentar a candidata do presidente mais popular de nossa história e tentar se reeleger em sua base. Os aliados paulistas estão quicando e há o sério risco de enfrentar os murros de Ciro Gomes em casa. Não tem para onde correr.
Hoje, o amigo Gilmar Dantas fez o que sabe, chamou microfones e holofotes para ajudar. Disse que as obras inauguradas de Lula são uma antecipação da campanha. As inúmeras viagens recentes do governador de São Paulo ao Nordeste não foram lembradas.
Chora, Serra! Grita, Gilmar!
Vamos mover nossos canhões contra o Aécio. E sério palpite: ele terá a Marina de vice.
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domingo, 18 de outubro de 2009
As viagens culturais de Serra
A oposição reclama das viagens do Lula. Para as do governador de São Paulo, diz que são motivadas por interesses culturais. Flagramos alguns momentos do álbum de fotografias de José Serra.


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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Honra ao mérito global

As Organizações Globo anunciaram ontem a venda do Diário de S.Paulo, sua tentativa frustrada de entrar no mercado paulista. Não foi divulgado o valor da transação, mas há motivos bem concretos para se especular que o preço ficou muito abaixo do que Orestes Quércia recebeu em 2001. Segundo a Folha de S.Paulo, naquele ano o negócio foi fechado em RS 200 milhões, com a Globo assumindo dívidas diversas em torno de R$ 100 milhões. “Foi o melhor negócio da minha vida”, disse o ex-governador, que pouco depois, em campanha, usou a boa venda como desculpa para justificar um aumento de 562% em seu patrimônio. Afinal, o jornal foi comprado por ele por U$ 5 milhões, que pessoalmente detinha apenas R$ 330 mil em cotas patrimoniais.
O jornal comprado tinha 116 anos de existência, uma tiragem diária de 120 mil exemplares e liderança em alguns importantes segmentos de classificados. Uma das primeiras medidas dos novos donos foi a mudança do nome, seguindo pesquisas encomendadas e a opinião de publicitários. O título Diário Popular foi limado, Implicaram com o termo “popular”. Disse na época Merval Pereira, diretor da Infoglobo, uma das cabeças do projeto, para justificar a consulta e a mudança:
As pesquisas asseguram que ‘a mudança é segura’ e o novo jornal nasce ‘em sintonia fina’ com os desejos de publicitários e leitores.
Certamente, não foi tão segura. Muitos apontam aí o primeiro erro. E mais disse:
Existe um nicho no mercado paulista entre os leitores de Folha e Estadão, e os dos jornais ‘populares’. Por isso, pensamos atingir basicamente a classe B-2 e uma circulação diária de 300 mil exemplares.
Não existia tal nicho, o jornal teria que ganhar leitores dos grandes jornalões e para isso sempre patinou nas decisões editoriais. O resultado é patético. Sua tiragem hoje está em torno de 55 mil exemplares.
Ontem, Merval Pereira foi homenageado com uma medalha na Universidade de Columbia. Justificaram a escolha por Merval ter atuado em meio às adversidades da ditadura militar (alguém lembra quando e como?) e ajudado a impedir a criação de um Conselho Nacional de Jornalismo. Entendo. Esse negócio de um Conselho, com transparência nos negócios e na prática da imprensa, com o povo olhando para dentro da fábrica de salsichas, é um atentado à “democracia”. Vai pegar mal para futuras premiações de tão antiga e tradicional láurea, que já agraciou jornalistas com os mais notórios compromissos democráticos e sociais, como Roberto Civita, Roberto Marinho, Carlos Lacerda, Otávio Frias Filho, Gilberto Dimenstein, Miriam Leitão, entre outros.
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Leitora quer fazer um churrasco
Este blog, além de espaço para particular e necessário desabafo, é também serviço de utilidade pública. Pedidos de leitores aqui são levados a sério. Nossa leitora Miriam pede:
Sr. Abunda
Estou em busca de uma foto muito boa que o sr publicou tempos atrás, da querida Kátia Abreu mostrando seu corpinho bovino. Não encontro no blog. Poderia me dar uma ajuda?? Grata
Cara Miriam.
A imagem citada fez parte de nosso logo por uma temporada, depois substituída pela de outro canalha do momento. Mas consultando nossos arquivos pude recuperar a imagem da vaca, quer dizer, da senadora, que segue:

Use como mais lhe agradar.
Abraços,
Jurandir
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