quinta-feira, 5 de março de 2009

Respostas para o teste do ditadômetro

O leitor Alberto acertou e ganhou uma camisa, primeira promoção deste blog. Vamos às respostas do teste e alguns comentários:

Todas as definições são resumos do Informe 2008 da Anistia Internacional, que analisa anualmente a questão dos direitos humanos em quase todo o planeta. Seguem as respostas com seus links:

a) Paquistão
b) Arábia Saudita
c) Egito
d) EUA
e) Cuba (em inglês)

Sim, Cuba é uma ditadura, nunca seu governo disse que seria diferente. O socialismo existe com a tomada do poder pela maioria, o proletariado, que exerce um justo domínio para a transformação do país em uma sociedade sem classes, onde só assim pode existir a verdadeira democracia. Não foi invenção de cubanos. Um alemão cabeçudo, no fim do século XIX, estudou à fundo o que de mais avançado existia sobre o pensamento humano e abriu a cortina da história. Disse que até então a trajetória humana era marcada pela exploração do homem pelo homem, que a democracia existente era uma ditadura de sua classe dominante, a burguesia, e que sua derrota era tarefa dos que eram explorados ao vender sua força de trabalho, uma mera mercadoria. Estaria ele enganado? Vamos analisar o que diz a Anistia Internacional.

Os EUA, exemplo de democracia para muitos, tem um sistema de representação que é um jogo de cartas marcadas. Seu governo é dominado apenas pelos interesses de grandes corporações e do capital financeiro. Para manter os recursos necessários ao funcionamento de sua economia, escolhem exercer o domínio sobre outras nações, fabricando tensão, guerras e prendendo opositores ao seu poder. Valem-se de torturas e prisões ilegais, à margem da lei, sem julgamento. Uma tirania que já entrou para a história como uma das mais perversas.

Paquistão, Arábia Saudita e Egito são exemplos de terrorismo de estado. Todos são governos apoiados entusiasticamente pelos EUA. Matam, torturam indiscriminadamente. Os relatos são tristes e abundantes.

Em resposta nas cartas dos leitores, a Folha de S. Paulo disse que os professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, que repudiaram editorial que chamava a ditadura brasileira de “ditabranda”, tinham uma indignação “cínica e mentirosa”, já que nunca repudiaram “ditaduras de esquerda, como aquele ainda vigente em Cuba”.

Digo eu: a Folha de S. Paulo é cínica e mentirosa ao permanentemente desqualificar governos populares, onde o proletariado tenta novas formas de organização, como em Cuba e na Venezuela, sem nunca ter feito um editorial para condenar as atrocidades que são cometidas no Paquistão, na Arábia Saudita e no Egito.

Obrigado ao Alberto pela participação. E também ao Gilberto Tedeia, que quase acertou. Os dois ganharam uma camisa do Salgueiro. Para o envio, mandem seus endereços para meu email: jurandirpaulo arroba gmail ponto com.

9 comentários:

Luis Henrique disse...

Gostaria de ver um direitista admitir que, dentre os países em questão, Cuba é o que tem situação mais razoável em relação aos direitos humanos, segundo a Anistia Internacional... mas sei que jamais vou presenciar isso.

Anônimo disse...

Caros,

Postagem nova no blog do Igor,
a série: E assim nasceu a Blogosfera... excelente artigo do Prof. Roberto Grün. Apareça por lá.
http://alexeievitchromanov.zip.net

Alberto

Laguardia disse...

Em Cuba só existem hoje duas classes sociais. Os miseráveis, o povo que há 50 anos compra com cartôes de racionamento, e a classe dominante de Fidel e seus aólitos que compram em lojas especiais para eles onde não existem cotas de racionamento.

Qual o percentual da população cubana vive no exílio?

Qual o percentual da população egípsia vive no exilio?

Qual o persentual da população suadita vive no exílio?

Qual o percentual da população paquistanesa vive no exílio?

Nenhum esquerdista de carteirinha tem coragem de responder.

Anônimo disse...

Não disse?

Esses direitistas raivosos tem uma verdadeira obscessão por Cuba - não sabem ranhetar sobre outra coisa! O informe da Anistia Internacional está aí, para quem quiser ver, mas o cabresto ideológico promovido pelas Vejas da vida os impede de enxergar um palmo à frente do nariz.

Aí ficam só na retórica e no blá-blá-blá de sempre, tal qual seu representante de classe da vez, o Otavinho Frias, nessa última da 'ditabranda'.

E depois, não cabe a nós, brasileiros, focar nossa atenção sobre a situação dos direitos humanos aqui, no Brasil que, mesmo após a ditadura, ainda é palco para a tortura, violência policial e assassinatos políticos, que atingem sobretudo a população mais pobre?

Luis Henrique

Anônimo disse...

10/03/2009 - 09:18


"O REI ESTÁ NÚ"

Por Armando Coelho Neto -
Blog do Nassif

Sobre a Operação Satiagraha, o enfoque que vem sendo dado pela Globo e outros veículos, na esteira dos obscuros interesses da revista Veja, não está correto.

Veja, Globo e outros estão falando em pedir providências das autoridades. Alguns se escondem com expressões do gênero, “A Veja disse que teria…” numa forma de, com o verbo no condicional, escamotear o que endossam.

Bom lembrar que os documentos citados por Veja são a própria providência ou já são parte dela, em andamento na Polícia Federal.

Não obstante, pedem providência!

A Veja fala como se ela tivesse descoberto fatos, quando quem teve a iniciativa de ir até a casa do delegado Protógenes foi a PF. Foi a PF que recolheu o que encontrou, analisou e tomou medidas, enviando inclusive para a Justiça.

O que se vê é a leitura tendenciosa de Veja, sensacionalista, que tem encontrado amparo pouco prudente até de pessoas respeitáveis.

Constata-se uma leitura manipulada de quem não tem tradição alguma de praticar um jornalismo sério.

Na condição de Delegado Federal, eu tenho cópias de documentos de alguns trabalhos que fiz, até pra me resguardar e resguardar o interesse público - em caso de má fé de terceiros.

Que mal há nisso? Isso autoriza alguém a dizer que eu iria usar tais documentos para chantagear alguém ou praticar qualquer crime?

Se durante uma investigação, suspeito de alguma derivação, é meu dever aferir ou esconder? Em aferindo a improcedência do que suspeitei, sou obrigado a jogar fora?

Se a Veja sabe disso, vai dizer que na PF a regra é “guardar tudo para fins criminosos”; outros falarão de Estado Policial ou recorrerão a mantras e frases de efeito que só servem para alimentar no imaginário social a aceitação das estruturas podres que minam o Estado.
Dentro do jornalismo investigativo, um material produzido, mas não utilizado pelo jornal, TV, revista deve, necessariamente, ser jogado fora? Guardar, manter em seu arquivo pessoal tal material só pode ter destino espúrio?

Digo, pois, que se eu tivesse trabalhado numa operação como a Satiagraha, eu não teria fragmentos do trabalho, teria sim, cópia integral de tudo, sem que disso se pudesse ter qualquer conotação criminosa.

É improvável que uma operação daquele porte, envolvendo tantos interesses escusos, tenha transcorrido sem deslizes. Mas, certamente de proporções diminutas diante da cleptocracia brasileira, endossada por alguns veículos de imprensa - o que nos leva a supor que o Protógenes tinha razão ao cogitar de um esquema de mídia para proteger criminosos.

O importante não é o que Veja teve acesso, mas sim a leitura que faz do que viu e do que tenta impor, na pretensa condição de formadora de opinião.

Não custa lembrar que um Estado Democrático e de Direitos se faz, sobretudo com uma imprensa digna, honesta.

Que venham as sapatadas!

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/

alex disse...

NÃO É ACEITÁVEL QUE SEGMENTOS DA MÍDIA SE "ESFORCEM" TANTO

Delegados da PF se manifestam


Operação Satiagraha ADPF divulga nota sobre matéria publicada na Veja

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal – ADPF

manifesta sua irresignação com a informação de que jornalistas da Revista

VEJA tiveram acesso ao suposto conteúdo de material apreendido em

investigação da Polícia Federal sobre os procedimentos do Delegado de Polícia

Federal Protógenes Queiroz a frente da Operação Satiagraha.

É preciso ser exemplar, quando se quer cobrar respeito ao Estado

Democrático de Direito. Isso não é possível com a violação de uma investigação

que tramita em segredo de justiça.

Assim como não é compatível com acusações de escutas clandestinas

baseadas em ilações e conjecturas sem apresentação de qualquer áudio ou outra

prova material dos noticiados grampos telefônicos.

Não é aceitável que segmentos da mídia nacional se esforcem tanto em

apurar os procedimentos do Delegado de Polícia Federal Protógenes Queiroz

sem dedicar, ao menos, igual esforço para a apuração dos fatos principais da

Operação Satiagraha envolvendo o empresário Daniel Dantas.

Essa movimentação jornalística coincide com a apresentação do Relatório

da CPI das Escutas com o claro objetivo de forçar uma prorrogação e de

indiciamentos até então não propostos.

Por fim, os Delegados de Polícia Federal reafirmam seu compromisso

com a necessidade de investigação de tudo e de todos os envolvidos na Operação

Satiagraha, inclusive, se for o caso de prorrogação da CPI das Escutas, da

autoria de mais essa violação de segredo de justiça.

Comissão de Prerrogativas – ADPF

http://www.adpf.org.br/modules/news/article.php?storyid=43960

alexandre disse...

Jurandir,
Por acaso tu viste o Post do blog do Zé dirceu sobre a reportagem antiprotógenes daquela capa ridícula da Veja?
Pois é,minha sugestão pra próxima vinheta do blog é essa :José Dirceu.
Abraço.

Jurandir Paulo disse...

La Guardia, obrigado pela presença. É motivo para um novo post, com resposta a seu comentário.

Alexandre, Zé Dirceu tem muitas contradições, mas eu não o coloco no mesmo lugar de inúmeros canalhas que abundam nossa terra. A mídia soube tirar proveito destas contradições para envenenar a opinião pública, é sua especialidade.

alexandre disse...

Tem razão,Jura.Realmente não dá pra colocar o Zé no mesmo patamar de um Itagiba ou de um jarbas,ou de um serra. Mas que o alinhamento com a Veja foi estarrecedor,foi. porque O zé erA um crítico sistemático da Veja(como não poderia deixar de ser) e esse alinhamento automático ficou pra lá de suspeito.tão chocante quanto a Veja. abração .