segunda-feira, 10 de março de 2008

Assessoria para quem precisa...

Assessorias de imprensa são uma praga. Hoje, quase o mundo todo tem uma. De botequim a jogador de futebol, passando por ex-participantes do Big Brother, todos falam por um assessor. O mesmo que cava a pauta da semana para seu protegido e responde à imprensa quando a coisa pega. É modernismo mundial e relativamente recente, mas está de acordo com o que se transformou o nosso jornalismo. Uma nota feita pela assessoria muitas vezes tem mais peso que a velha e já quase aposentada reportagem. A palavra do assessor é sempre mais publicável que a montanha de anotações de um repórter iniciante. Principalmente quando se trata de alguém bem visto pela “casa”.

Pensando em tudo isso, achei divertidíssima a piada que li na coluna de Renato Pompeu, ótimo jornalista de tempos outros, na última Caros Amigos. É um fiel retrato da hipocrisia da nossa nova era midiática.

Diz ele, em tradução do original em inglês, recebido em lista de discussão:

Judy Wallman, uma genealogista profissional, descobriu que um tio-bisavô da senadora americana Hillary Clinton, Remus Rodham, era ladrão de cavalos e assaltante de trem em Montana. Passou uma temporada na prisão e, solto, assaltou outro trem, tendo sido de novo preso e enforcado.

Ciente da informação, assim foi emitida a nota da assessoria de imprensa da senadora:

Remus Rodham foi um famoso vaqueiro no território de Montana. Seu império empresarial incluiu a aquisição de valiosos ativos eqüestres e negócios estreitos com a ferrovia de Montana. A partir de 1883, passou alguns anos trabalhando para o governo, retomando a seguir seus negócios. Em 1887, foi um participante-chave numa crucial investigação da renomada Agência de Detetives Pinkerton. Em 1889, Remos faleceu durante uma importante cerimônia pública em sua honra, quando despencou a plataforma em que estava.

Um comentário:

Kelly disse...

ah, mas já disse: cpi dos jabás!
essa relação assessorias - grandes redações - trabalho de preguiçoso - presentinho todo dia, todo ano, viagenzinha, além das coisas "impublicáveis" - ei, tem uma piada aqui! - dá um angu bom, viu?