quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A inteligência de nossas elites


Vi a entrevista do sociólogo Alberto Carlos Almeida no Roda Viva, segunda última. É aquele que a Veja disse provar em pesquisa que nossa elite tem papel crucial na construção de um Brasil moderno, por ser menos preconceituosa, menos estatizante e com valores sociais mais sólidos. Pensar o contrário é “maniqueísmo tolo, típico da rasa cachola esquerdista brasileira”, diz o isento jornalismo da revista.

Não é bem assim. A pesquisa aponta que em valores sociais são as elites que gostam de um jeitinho para se dar bem, é o que o professor confirma. Mas, o tempo todo, o acadêmico tenta a conclusão de que os pobres assim o são por falta de estudos. Ao contrário, nossas elites estão bem preparadas e não merecem carregar o peso do estado que sustenta este parvo povo.

Ainda não tenho doutorado, como o professor e seu amigo Roberto da Matta, tolamente o defendendo, mas tenho minha análise: nossas elites são retrógradas, perversas e odeiam o andar de baixo, herança de nosso ainda recente passado colonial. Condenam o estado, mas o cobiçam permanentemente no restrito cumprimento de suas demandas. Odeiam os despossuídos, mas não têm a menor capacidade de atentar para sua responsabilidade na miséria que bate às suas portas, inclusive na forma da violência urbana. Nossas elites precisam voltar para a escola para tentar salvar o seu capitalismo que está fazendo água. Até agora, ainda não apareceu para salvá-los algum de seus “ professores” com uma tese de verdade, apenas profetas com bravatas para faturar um troco com ajuda da mídia.

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