quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O crepúsculo

Osamagate 2


Há motivos para alguém sugerir que o governo americano tinha interesses no resultado dos atentados de 11 de setembro? Sugiro a leitura de THE GRAND CHESSBOARD - American Primacy And It's Geostrategic Imperatives," de Zbigniew Brzezinski. Seu autor, o mais velho na foto acima, é professor de política externa americana na Universidade Johns Hopkins, foi secretário de defesa no governo Jimmy Carter, teve participação no governo Ronald Reagan e no de Bush pai, é conselheiro do Centro Internacional de estudos estratégicos e mais uma extensa lista de atividades que o credencia como um guru das empreitadas americanas pelo planeta. Não são precisos muitos neurônios para entender que tudo o que está sendo feito pelo governo Bush segue a cartilha do “professor”. O que nele está escrito, desnuda de forma clara a estratégia dos EUA de dominar o mundo, e é praticamente uma confissão de culpa.

Segundo ele, é necessário que os EUA exerçam seu papel de liderança em uma nova ordem mundial, sem competidores, controlada apenas pelos interesses de bancos, empresas e da elite dominante. Para tal, deve-se ter em conta uma estratégia de guerra que vise garantir o domínio deste grande tabuleiro. Do contrário, ameaça sobrevir um mundo em caos.

O centro da disputa, diz Brzezinski, é a Eurásia, o território que vai do leste da Alemanha até o Pacífico, abraçando Russia, China, o Oriente Médio e o subcontinente indiano. Diz:

“Desde que os continentes começaram a interagir politicamente, há cinco séculos atrás, a Eurásia passou a ser o centro do poder mundial”

“A chave para controlar a Eurásia é controlar as repúblicas da Ásia Central. E a chave para controlar a Ásia Central é o Uzbequistão”


Arrogante, né? Vale lembrar que neste país o movimento militar americano é intenso há muitos anos e foi citado por Bush, logo após os atentados, como o primeiro lugar para um grande desembarque de tropas.

Mas não fica nisso, suas idéias são mais radicais:

“A última década do século XX testemunhou uma mudança radical nas relações internacionais. Pela primeira vez, um poder de fora da Eurásia emergiu não apenas como árbitro das relações de poder entre as repúblicas deste território, mas como o supremo poder mundial. O colapso da União Soviética foi o último passo para a ascensão do poder ocidental, os EUA como o único e verdadeiro poder global”

“Neste contexto, a gerência da Eurásia é crítica para a América. A Eurásia, maior continente do mundo, é também o de maior importância geopolítica. Um poder que domine a Eurásia passa ter controle sobre duas das três mais produtivas regiões do planeta. Uma simples olhada no mapa sugere que o controle da Eurásia subordina a África, o Hemisférios Ocidental”

“...entretanto, é imperativo que nenhuma força eurasiana apareça, capaz de exercer alguma dominação na região e desta forma desafiar os EUA. A formulação de uma abrangente e completa geoestratégia para a Eurásia é a proposta deste livro”

“O recuo do poder americano no mundo, a emergência de outra nação rival, pode produzir uma imensa instabilidade internacional, logo estimulando uma anarquia global”

E aqui, o que me parece mais grave de tudo:

“A postura da opinião pública americana em relação ao poderio externo dos EUA tem sido muitas vezes ambivalente. A população só apoiou o engajamento da América na segunda Guerra Mundial em função do choque causado pelo ataque a Pearl Harbour”

“Além disso, como a América se torna a cada dia uma sociedade mais multi-cultural, fica mais difícil de se achar um consenso sobre assuntos de política externa, a menos na circunstância de uma massiva e percebida ameaça externa”



Qualquer semelhança com episódio acontecido há seis anos não será mera coincidência.

E a propósito: a foto acima foi publicada pelo The New York Village Voice, quando Brzezinski visitava seu bom garoto, Osama bin Laden, ao seu lado, em treinamento no exército do Paquistão, em 1981. Foto creditada a Agência Sygma/Corbis, Paris.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Osamagate 1


Esta alegre família de 22 irmãos, fotografados no verão da Suécia, em 1971, tem muitos significados na história mundial recente. Pertencem a mais abastada família da Arábia Saudita, riqueza só menor que a da real, com quem eles têm grandes afinidades. Foram todos educados no exterior, têm hábitos ocidentais e um enorme talento para negócios, herdados do pai, morto em 1968.

Desde 1979, quando o irmão mais velho, Salem bin Laden, investiu em uma certa Arbusto Energy, então propriedade do atual presidente americano, a família está presente em grandes negócios nos EUA. Por enorme coincidência, sempre com os mesmos Bush. Em 26 de outubro de 2001, os Bin Laden distribuíram uma lacônica nota a imprensa, para divulgar que retiravam US$ 2 milhões de dólares de seu investimento no Carlyle Group, um dos principais fornecedores de armas do Pentágono, onde Bush pai teve assento na direção, funcionando como um grande vendedor de seus produtos pelo mundo.

30 anos após, também, por enorme coincidência, o jovem assinalado na foto, Osama bin Laden, aqui aos 14 anos, viria a estar de novo fortemente envolvido com a família Bush. Mas, nem sempre esteve distante. Em 1985, por decisão do presidente Ronald Reagan, um forte amigo da família petroleira americana, foram feitos pesados investimentos na brigada muçulmana contra o Afeganistão soviético. O investimento foi feito via a ISI, a central de inteligência do Paquistão, que tinha ali Osama como dos principais organizadores do grupo. Mais adiante, em 1996, em Mogadíscio, na Somália, o mesmo Osama foi o anfitrião da reunião, com representantes da mesma ISI, que preparou nova brigada de muçulmanos para se incorporarem ao Kosovo Liberation Army,a KLA, que lutou na Chechênia pelos interesses estratégicos americanos, até 1998. Desta data, à frente, o departamento de estado americano e suas centrais de inteligência divulgaram a notícia de que o cara surtou, se transformando em um fundamentalista radical, inimigo dos interesses americanos. As razões, os fatos, desta virada tão radical, nunca foram provados, nem ao menos explicados, menos ainda apurados pela mídia internacional. Ao contrário das informações que aqui indico, que podem ser pesquisadas, ampliadas e comprovadas. Temos que conviver com um Osama bin Laden, alardeado como grande terrorista internacional, que ocasionalmente aparece em vídeos caseiros para impor seu medo em momentos chaves: antes, pouco antes da reeleição de Bush; na última semana, pouco antes da discussão no congresso americano da continuidade da guerra do Iraque. Parece que ele continua bastante fiel aos seus amigos do Texas.

No próximo post: o grande estrategista do Osamagate.

11/9

Hoje tem um tanto de gente chorando seus mortos. E não só aqueles que foram despedaçados nos prédios do WTC. Não podemos esquecer dos outros milhares q desapareceram após os supostos atentados que justificaram muitos e muitos assassinatos.
Ah, sim. Supostos. E claro que justificaram ações e ataques norte americanos por aí.
Vejam os fatos, pesquisem, busquem, estudem. Esqueçam as crenças.
Aliás, a cada dia me convenço mais que onde tem crença é do lado de quem acredita que um moço com um passado de playboy americano tenha surtado e comandado os tais ataques direto de uma caverna. Hein?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O jabaculê institucionalizado


O colunista Ancelmo Gois, no Globo de quinta-feira última, publica foto de manifestantes recolhendo votos no plebiscito que pede a anulação da venda da Vale do Rio Doce. Diz que a votação não empolgou. Segundo ele, por que o governo dá apoio envergonhado à causa, já que a campanha eleitoral de Lula recebeu R$ 4,3 milhões da mineradora.

Inaugurou a explicito conceito do toma-lá-dá-cá no jornalismo, algo antes só creditado às hordas dos maus políticos. Se recebeu, deveria ter ficado quietinho. O mesmo diz quanto a CNBB, que ganhou contribuição para a Campanha da Fraternidade. Agora, traindo quem lhe agradou com o regalo, pede a revisão da venda da Vale.

Talvez este comentário do jornalista ajude a melhor entender o processo, cercado de controvérsias. Afinal, a empresa foi vendida por pouco mais de três vezes seu lucro líquido ao ano. O lance inicial foi proposto por um grupo de avalistas, entre eles o Bradesco, que se tornou sócio da mineradora após o leilão. Sem falar na atuação na venda do senhor Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro de FHC e Serra, suspeito à época de atuar para fazer uma caixinha de R$ 15 milhões, sabe-se lá para o que, ou para quem . Quem sabe para também agradar com minos aos que poderiam atrapalhar a venda de um patrimônio que contava com a maior frota de graneleiros do mundo, a maior mina de ferro do planeta?

Suspeita-se agora, no comentário do jornalista, que a nossa grande mídia possa também ter entrado na farta distribuição destas prendas. Na época ela olhou para o outro lado, foram poucas as vozes dissonantes que acusaram a falcatrua.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Amor, Marx

Ando lendo Sobre o Amor, do Leandro Konder. Lendo e gostando, aliás. Podem pensar vocês, ô comunistinha essa aí, lendo Konder.
Taí, talvez seja mesmo muito demodé ler sobre amor, filosofia, história do pensamento e ora, bolas, Marx.

Já há uns anos fiquei sabendo que não existem mais marxistas (apesar de achar que eles fazem falta, muita falta. Aliás, acho que eles existem, mas estão escondidinhos ;).

Até na academia (não a dos aparelhos, ops, a que talvez pode ser de aparelhos, mas de outro tipo, bien sur), os estudiosos do velho Karl não são mais chamados de marxistas, para não se misturar com essa coisa antiga, entende?

Pois bem, lendo o velho Konder, me deparo com interessantíssimas concepções do amor marxista que ultrapassam e muito aquela noção do senso comum - a qual me filiava, inclusive - que, sobre desse tema, o alemão se limitava saber maltratar a esposa.
Ora, que tola fui.

Marx defendia o amor no plano teórico e também o viveu de forma intensa com Jenny.
Mas sua discussão em torno do conceito de amor não se limitava de forma alguma ao amor marital ou sexual.

Continua...

Sem trocadilhos,

mas quem estará por trás de Mônica Veloso?

terça-feira, 4 de setembro de 2007

E Cabral , avistou?



Deu no Globo Online:

Cabral viu cópia pirata de 'Tropa de elite'

Algumas horas depois:

Governador Sérgio Cabral nega ter visto 'Tropa de elite'

Uma coisa é certa: entre o Globo e Sérgio Cabral é mais fácil acreditar que os dois estão mentindo.

Aeroporto de mosquito



Deu no Estadão:

Estado de SP reage para conter surto recorde de dengue

SÃO PAULO - Com mais de 62 mil casos da doença registrados até agora em 2007, São Paulo enfrenta uma epidemia recorde de dengue. O ano com mais casos registrado anteriormente havia sido 2001, com 51,4 mil ocorrências. Em 2003 esse número havia caído mais de 50%, para 20,2 mil, mas já voltava a superar os 50 mil em 2005.

A Secretaria da Saúde paulista atribui o grande número de casos ao aumento da doença em Estados vizinhos, mais especificamente o Mato Grosso do Sul.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Dicas

Chegaram aqui através da busca como conquistar um canalha. Bonita ou bonito, é o seguinte: seja um. Ou uma ;)

Uma coisa é uma coisa, outra coisa...

Se havia o mensalão, era pra quê?
É a pergunta que falta.
Nenhum dos brilhantes jornalistas vai responder à pergunta? Não. Nunca, pelo fato do que eles chamam de mensalão simplesmente não existir.
Caixa dois, corrupção, tirar um por fora, lavar dinheiro, pagar campanhas de milhões declarando que custaram milhares, ah, isso tudo existe.

domingo, 2 de setembro de 2007

Professor canalhocrata


Fernando Hentique Cardoso como o General Desaix, óleo de Andrea Appiani, 1801, Musée National de Château, Versailles.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Troca de madamas na Playboy

Sai Mônica Veloso da próxima Playboy, entra Bárbara Paz, ex também, mas do Supla (ui!). Os jornalões dizem que as fotos não ficaram prontas. Parece que não é bem assim. Segundo o blog do Rovai, o advogado da Abril recomendou gaveta enquanto rolar o julgamento do Renan. A empresa é citada, está no rolo, e a moça é testemunha. Poderia complicar o cofrinho dos Civitas. Interessante que mais uma vez um blog dá uma notícia em primeira mão

Levantamento de informações




*Imagem gentilmente cedida pela birosca do seu Vavá.

Sessão paraguaia de filme brasileiro americanizado

Eu vi “Tropa de elite”. Nem tentem me prender, esculachar, nada fiz. Apenas comprava no Centro material para fazer meu puxadinho. Ali, ao lado do Camelódromo. Parei numa birosca que começava a passar o filme em uma TV minúscula. Juntou gente. Grudei na tela, comprei uma latinha, e vi tudo.Estou pronto para fazer uma crítica de cinema antes da grande mídia. Problema deles que são filhos da pauta.

...

Hollywood veio dar uma mãozinha para o cinema brasileiro conquistar, finalmente, seu Oscar. Os gringos colocaram sua melhor expertise: a boa grana, as violentas cenas de ação e uma história bem contada, com roteiro seguindo os chavões da indústria ianque. Se vamos botar o mão no boneco, os entendidos que se manifestem. Tenho lá minhas dúvidas. Há incômodos para eles no filme e aos meus critérios. Mas, acho até cômico, depois de tantas tentativas dos nossos cineastas mauricinhos narrarem suas “sensíveis” percepções, uma história baseada em livro de policial do Bope conquistar louros em Los Angeles.

E o filme é Bope, totalmente caveirão. Pode servir de estímulo em seus treinamentos. Levanta o moral da tropa. Desconfio desta realidade. Vende-se policiais incorruptíveis, o que fatos notórios contestam. Vemos cenas de exercícios de iniciação onde tentam eliminar os fracos e os corruptos. O cinema americano precisa de mocinhos e bandidos claros. Com o tempo aprendeu a flexibilizar o maniqueísmo. Humanizaram, no seu restrito e pior sentido, colocando cores mais reais. Neste filme, esta elite policial é violentíssima. Arrebenta, tortura barbaramente pessoas inocentes, como a esposa de um traficante, mas são eficientes ao extremo em seus propósitos. Fazendo sucesso no exterior o filme pode levar muitos de nossos policiais brasucas a fazerem bela carreira em Israel, Iraque ou outros aprazíveis recantos do planeta.

Inegável, lá está nossa realidade. Uma cadeia de reprodução. Policiais barbaramente violentos se alimentam de inescrupulosos traficantes, que precisam ser sustentados por uma classe média boçal, consumidora de drogas. Estes últimos são os que ficaram com o filme mais queimado. O núcleo “Malhação” é pobre. Faltaram a aulas no Tablado, mas fazem a platéia concluir que nossos branquinhos são os que mais fazem eme na sociedade. Alguns deles acham que pobres podem ser redimidos com esmolas, em uma dança, um teatrinho, uns desenhinhos, onde deveriam sacar que apenas uns óculos fazem toda a diferença. Vejam sobre as ongs no post da Kelly.

Há algo a pensar, sem dúvida. O filme lembra, logo em seu início, que existem 700 favelas no Rio, todas com milícias armadas. Impossível não refletir sobre o tamanho deste problema, suas conseqüências. Os liberais certamente irão colocar a culpa no indolente povo, que nada faz por mudar sua condição, que perverte a paisagem ao morar ao seu lado. Não querem pensar que fizeram isso ao longo de muitos anos, mantendo e reinventando uma política que exclui milhões, sem um projeto factível de solução. Estamos condenados a ver, depois de palmeiras, samba e carnaval, nossas pobres mazelas se transformarem em novo exotismo aos olhos do faturamento de Hollywood.