terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A sionista TV Record

Vocês sabem das notícias pela emissora do bispo Macedo? Se, sobre Israel saberão que este país luta para se defender dos "terroristas palestinos". Verão imagens de uma escola israelita que teve que suspender suas aulas por causa de um foguete que caiu em suas proximidades. Verão imagens "chocantes" divulgadas pelo departamento de propaganda de Israel, em um datashow, mostrando uma “ardilosa” armadilha palestina em zoológico. Fios ligados a uma bomba, que seriam detonados de... uma escola. Os tais escudos humanos. Basta acessar www.mundorecordnews.com.br e digitar Israel no campo de pesquisas. Vejam e tirem suas próprias conclusões sobre a "isenção" jornalística da emissora.

Como explicar? Quem entender de religião, ou de negócios, que tente. De minha parte, que não faço a menor idéia sobre o que é a tal “fogueira santa de Israel” que o bispo tanto fala, acho apenas esclarecedor que uma entidade sionista como a Amisrael apóie a iniciativa da Frente Parlamentar Brasil-Israel da Assembléia Legislativa do Rio em indicar o nome de Edir Macedo para o Prêmio Nobel da Paz em 2009.

O bispo parece gostar da idéia. E, "em nome da paz", pouco fala sobre guerra no site da sua imprensa. A principal notícia internacional em seu site fala sobre a importância de conscientizar jovens sobre uma praia limpa... em Moçambique.

4 comentários:

Carlinhos Medeiros disse...

Salve, Jurandir! Ainda bem que dois grandes e combativos guerreiros voltaram das férias para somar na trincheira cibernética contra às injustiças do mundo, sobretudo nesse genocídio injustificável as barbas das potencias mundiais: Você e André Lux.

O Hamas não é um grupo terrorista, defende seu povo contra a invasão e carnificina provocada pelo Estado Sionista de Israel. Nossa mídia sim, é terrorista. Por que apoiam os terroristas legalizados como Bush e seus comparsas.
Abraços e bom regresso!

Anônimo disse...

www.bringseanhome.org

Moacir disse...

Ouço dizer em alguns lugares, até mesmo na blogosfera que o jornalismo da Record é independente e lá tem grandes profissionais como Paulo Henrique Amorin, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Viana e outros. Concordo que sejam grandes profissionais e também que lá se pratica um jornalismo independente, até porque a Record é das poucas redes midiáticas que "não devem na praça". Mas, praticar um jornalismo democrático é muito diferente de meramente ser independente e nesse sentido, apesar dos nomes citados como pertencentes a seu quadro, o jornalismo da Record é tão parcial quanto o da Globo, Abril, Band e outros. A cobertura da guerra na Faixa de Gaza não deixa nenhuma dúvida. Onde está a outra visão dessa guerra? Só vale a do "bispo Macedo"?

Anônimo disse...

"Deixe que eu descreva a Palestina, como era antigamente"
Sumia Ibrahim, Live from Palestine, 26 de janeiro 2009


Os avós da autora, com os filhos, já em Bagdá em 1955.

Nunca vi minha avó sem um grande medalhão pendurado no pescoço. Quando eu era criança, ficava olhando o cordão, via as turquesas brilharem sobre a base de ouro. Quando eu perguntava à vovó o que era, ela dizia, “É o lugar de onde eu venho”. Eu imaginava o lugar um palácio numa terra mítica, como o castelo do mágico de Oz”.

Depois eu entendi que era o Domo, que se localiza no centro da velha cidade de Jerusalém. A cidade, um fervedouro religioso e às vezes econômico e cultural de uma Palestina predominantemente árabe por quase 1.200 anos, tinha sido, em épocas recentes tornado-se tumultuada com a ocupação de Israel, em 1948. Com a aparição do estado sionista, veio a destruição da sociedade palestina e minha avó foi forçada a fugir com mais de 700.000 outros palestinos.
Quando finalmente entendi o contexto histórico do medalhão, eu entendi que, para minha avó, o medalhão simbolizava a terra que ela amava, mas para a qual não poderia jamais retornar, um emblema de beleza e tragédia.
Com o passar dos anos, o medalhão ficou fosco, corroído por décadas de areia e vento. Não mais brilhava nem refletia o sol, era uma parte do corpo de minha avó como uma cicatriz no rosto de um amigo que se observa ligeiramente, mas não se nota sempre. Eu não prestava muita atenção ao medalhão e não prestava muita atenção à experiência vivida por minha avó. Mas, assim como uma cicatriz que você olha discretamente, no rosto de um amigo, cuja origem nunca é expressa, um dia tinha que ser descrita. O ano de 2008, marcou o sexagésimo aniversário da invasão, da expulsão forçada dos palestinos de sua casa.
Em todo o mundo as pessoas que não tem conhecimento da verdade celebraram a independência de Israel. Outros, ao contrário estavam lembrando das vidas dos centenas de milhares de palestinos que foram assassinados e retirados de suas casas e dos quase quatro milhões de palestinos que vivem sob a ocupação militar israelense e do cerco cruel da Faixa de Gaza, mais a população de cinco milhões de refugiados palestinos que ainda não conseguiram retornar às suas casas porque tem seu direito à própria terra recusado.
Quando então minha avó fez oitenta anos, eu perguntei à ela: “Vovó, como era a Palestina, a sua terra, quando você vivia lá?”
Vovó segurou o medalhão e sorriu. “Deixe que eu descreva como era a Palestina, como era lá, antigamente” ela disse. “A coisa que eu mais recordo é minha infância na cidade de Jaffa. Nós íamos à praia todos os dias para brincar na areia. Era a uma quadra de nossa casa, meu pai era o dono do prédio onde morávamos. À noite, nós nos sentávamos na varanda, assistíamos os navios passarem, ouvindo suas sirenes”, e vovó riu. “Nós chupávamos tantas laranjas, imagine! Eles traziam sacolas enormes de laranjas para nós. Eu empilhava dez, onze laranjas e ia chupando uma por uma, acredite”.
E quando vovó começou a falar sobre seu casamento, seu rosto brilhava com alegria infantil, “No começo disseram que ele era muito velho para mim. Depois eles disseram que ele era bom. Ele era diretor de uma escola na cidadezinha vizinha. Quando nós nos mudamos para nossa casa, não acreditei no tamanho da casa, era enorme. Minhas amigas me visitavam quando seu avô estava trabalhando, e aí, nós pulávamos corda no meio da sala, veja só”.
Aí, vovó parou de sorrir lembrando da situação política que começou a se evidenciar na Palestina, durante sua infância. “Quando eu era uma criança, eu ouvia falar sobre os judeus que estavam imigrando pouco a pouco, especialmente para Tel Aviv que era perto. Nós sabíamos que eles queriam tomar nossas terras. Mas não prestamos muito atenção à eles, eles ainda não eram muito poderosos para fazer nada “.
"Mas eu me lembro bem da declaração de Balfour," continuou minha avó, "Os ingleses escreveram esta declaração em 1917 e ela dizia que os judeus precisavam de sua antiga pátria, na Palestina. Os palestinos não concordaram. Era nossa terra, nós vivíamos lá sempre, só haviam palestinos lá, então porque deveríamos dividir com eles?” Minha avó suspirou e disse “E então, eles começaram tudo”.
"Nós começamos a ouvir dizer que os judeus estavam saqueando as cidades palestinas. Meu irmão comprou uma pistola para se defender , caso precisasse. A resistência palestina então começou. Houve uma greve de quatro meses, em 1936 em toda a Palestina, protestando contra esta invasão. Ninguém foi trabalhar . Meu pai ficou em casa o dia todo”. Os quase 10.000 árabes que eram policiais e a sociedade palestina exigiam um fim desta invasão que era ajudada pelos ingleses que financiavam o aumento da imigração e a invasão da terra que não era deles. As organizações paramilitares sionistas dos ingleses sufocaram a revolta e 120 palestinos foram sentenciados à morte, entre eles meu avô. Ele foi muito torturado mas escapou de morrer.”
"Nesta altura, 1947-1948 ainda tínhamos esperanças. Os árabes se uniram de todos os lugares para lutar por sua Palestina invadida. Aí, então, vieram enormes navios cheios de judeus imigrando para a Palestina, contando com muitos incentivos do governo inglês”. "Então começaram os massacres das aldeias. Três aldeias perto de nós foram totalmente massacradas. Ninguém sobreviveu. Em uma sexta feira, as forças dos judeus entraram nas casas enquanto os homens estavam rezando na mesquita e mataram todas as mulheres e crianças. Jogaram os corpos em poços, matando as crianças de colo. Seu avô chegou em casa, e disse “Não podemos ficar mais aqui”. Ele tinha acabado de ouvir que as mulheres que não eram assassinadas estavam sendo todas estupradas. Foi a gota d’água para ele.”
"Primeiro mudamos para um apartamento longe da baía. Achávamos que seria mais seguro. Todos os que moravam em nosso prédio também fugiram. Até aí, nós não queríamos deixar a Palestina. Sempre pensávamos que as forças árabes iriam chegar e nos ajudar. Seu avô foi convidado a ler as notícias em uma rádio que, claro, pertencia aos árabes. Ele fez isto algum tempo, tentando convencer as pessoas a não deixar o nosso país, a ficar e a lutar por ele”.
"Eles começaram a jogar bombas. Eu olhava pela janela e via explosões em todos os lados. As minhas filhas, uma de quatro anos e uma de dois, ficavam muito assustadas”. “Então nós achamos que, por causa de nossas filhas, seria melhor nós nos mudarmos para Nablus, por algum tempo. Isto foi no início de 1948. Só levamos umas roupas, um colchão, um tapete e umas coisas de cozinha além de alguns livros. Tínhamos somente 80 dinares. Deixamos nossos móveis com medo de quebrarem no caminho. Deixamos nossos diplomas, pensamos, ah vamos voltar em uns três meses. Achávamos que os sionistas seriam derrotados. Quando saímos de lá, deixamos tudo.”
"Em Nablus vivíamos em um apartamentinho. Somente um cômodo para dormirmos, uma pequena cozinha e um banheiro. Não tínhamos móveis, colocávamos as coisas no chão encostadas na parede”.
"Nós queríamos que as tropas árabes lutassem para que pudéssemos voltar para nossa casa em Jaffa e voltar às nossa vidas. Nós víamos as tropas árabes e perguntávamos porque estavam ali e porque não estavam lutando e eles nos diziam que não tinham recebido ordens para lutar e então nós começamos a entender que aquilo não acabaria logo”.
"Ficamos durante dois meses em Nablus. Então decidimos que para a segurança de nossa família, por nossas filhas, tínhamos que sair do nosso país até que o país fosse nosso novamente. Seu avô trabalhava para uma firma farmacêutica chamada Evans que tinha uma filiam em Bagdá. Ele conseguiu ser transferido e com um amigo que tinha no Iraque conseguiu traduzir nossos passaportes então colocamos todas as nossas coisas em um táxi e fomos até Aman.”
"Em nossa viagem para Bagdá, vimos muitas caminhonetes com refugiados palestinos também, na carroceria. Eles estavam vindo de cidades que tinham sido massacradas ou totalmente destruídas e estavam sendo levados pelos soldados do Iraque até Bagdá. Eles viajavam sem cobertura, no sol escaldante, e eu podia vê-los vomitando e ficando doentes por causa do calor. Foram legados a um local chamado 'Tobchee,' que tinha casas do governo iraquiano para receber ajuda. Esses, apesar de todo o sofrimento, foram os que tiveram mais sorte”.
Muitos palestinos acabaram em campos de refugiados, em circunstâncias esquálidas, tanto nos campos de refugiados internos, Cisjordânia e Gaza, quanto nos campos de refugiados externos, no Jordão, Líbano e na Síria, sofrendo hostilidades e discriminação de todo o tipo até hoje.
Vovó então começa a descrever as terríveis dificuldades de sua família refugiada em um país estrangeiro. “No começo quando chegamos a Bagdá, ficamos em um ótimo hotel. A Evans pagava. Depois a filial teve que fechar, pagaram a seu avô dois meses de salário e o mandaram embora. Ficamos preocupados, mas estava sendo aberto um banco árabe em Bagdá então ele conseguiu um emprego lá como caixa com um salário muito, muito baixo. O gerente tinha que emprestar dinheiro à ele para comermos. Com o trabalho árduo que fazia conseguiu chegar até gerente."
"Ao mesmo tempo, seu avô começou a trabalhar como tradutor, traduzindo livros do inglês para o árabe, ele estava sempre trabalhando, ele tinha às vezes três empregos para nos sustentar. Aí ele ficou muito doente, vivia muito cansado, reclamava de dores mas não parava de trabalhar para nos sustentar”. Minha avó explicou que ele tinha sido criado em uma pequena chácara na aldeia palestina de Budrus, e passou sua vida toda trabalhando muito para melhorar a situação de sua família.

Eu visitei Budrus, em 2006 e ali me contaram muitas histórias de meu avô, de sua determinação em progredir. Ele costumava colocar os pés em uma pedra de gelo para manter-se acordado enquanto estudava. Ficava de pé em cima de uma cadeira embaixo de uma goteira para não dormir à noite estudando. “Ele foi um grande homem” as pessoas me diziam. “Junto com o pai dele (meu bisavô) ele construiu a primeira escola para meninas da cidade, foi de porta em porta convencendo os pais a permitir que suas filhas estudassem. Ele andava quilômetros para freqüentar a escola e aprendeu inglês sozinho.” Eu entendi seu desejo de superação quando vi a casa onde ele passou a infância. Ele vivia em uma estrutura de pedra em que no primeiro andar era o estábulo e o segundo a residência. Totalmente vazia, exceto com um buraco na parede onde os cobertores eram guardados.
Minha avó lembra como meu avô queria construir uma grande casa em Bagdá para todos os membros da família, sonhando com as refeições reunindo todos, com muito riso e alegria. Mas seu sonho morreu com a chegada de Saddam Hussein e a guerra novamente espalhando toda a família. Isto foi um peso muito grande para meu avô e minha avó.
"Tivemos que sair da Palestina invadida," disse minha avó, "depois minha família começou a sair do Iraque. Ficamos todos espalhados pelo mundo. Seu avô estava muito cansado. Ele chegava em casa e dizia “Ah su só queria voltar para a minha Palestina e morrer lá”. Ou dizia, “Quem sabe meus filhos um dia podem voltar, ou meus netos”. “Ele morreu querendo voltar”.

"Se eu pudesse voltar, o que eu queria mais ver era Jaffa," e minha avó sorri distante, "Andar até a praia como eu costumava fazer, ver a casa do meu pai – mas mesmo se eles me deixassem voltar, eu não iria conseguir ver o que existe lá agora, Jaffa, tomada pelos israelenses, o lugar onde vivi destruído, minha família espalhada, acho que não consigo ver isto”.
Neste sexagésimo aniversário da expulsão dos palestinos de suas terras, não podemos esquecer que os sofrimentos dos refugiados não podem ficar soterrados nas demolições, Minha avó diz que sabe que se voltar nunca será a mesma coisa, “ mas andar em nosso solo que nos pertence e viver com nosso povo novamente, seria justo, sabendo que o mundo não esqueceu nossa luta mas nos ajudou”.
Sumia Ibrahim é palestina iraquiana que mora nos Estados Unidos, ativista para o fim da ocupação israelense da Palestina e seu e-mail é sumiaibrahim AT gmail DOT com.