domingo, 18 de janeiro de 2009

Que o mundo puna os criminosos




As últimas notícias neste domingo relatam sobre o cessar-fogo em Gaza, com o início da retirada das tropas invasoras de Israel. Saem deixando um rastro de sangue, exemplos da mais horrenda barbárie, como a utilização de novas armas de mutilação de corpos, como os explosivos de metal denso inerte, tecnologia do horror da máquina de destruição americana, cedida a Israel. Junto deste possível final de capítulo, infelizmente sem solução definitiva à vista, descobrimos que o mundo repudia o sionismo e a limpeza étnica que esta política pratica contra a população palestina. Foram muitos os protestos por todo o planeta. Foi na internet, muito mais que na mídia tradicional, que lemos, tomamos conhecimento dos fatos, e da história desta triste realidade.

Em raro momento da mídia tradicional, foi reprisado na Globonews esta semana a entrevista com dois acadêmicos brasileiros, especialistas em Oriente Médio. Paulo Geiger, professor de história judaica e Arlene Clemesha, historiadora formada pela USP, com livro publicado sobre as relações entre marximo e judaísmo. Acima o vídeo.

Vale conhecer a professora Arlene. Ainda muito jovem, tem um longo trabalho acadêmico, como podemos ver pelo seu vasto curriculum Lattes, três livros publicados e uma didática maravilhosa para que muitos possam entender com clareza o conflito, como pode ser visto aqui em uma outra entrevista.

Em tempo: sugiro a leitura de post do Altamiro Borges sobre matéria da Folha que passou despercebida, sem destaque na capa. Informações da agência Reuters dizem que “os EUA estão contratando um navio mercantil para levar centenas de toneladas de armas da Grécia a Israel ainda neste mês”. Entre eles, novos matérias explosivos. Apesar da negativa do Pentágono, “um comando da Marinha americana confirmou que o carregamento de 325 contêineres de seis metros cada deve ser levado em duas viagens do porto grego de Ashdod, que fica a 38 quilômetros da Faixa de Gaza”. Com isso, uma evidente e criminosa prova do envolvimento dos EUA no genocídio. Que o mundo tome conhecimento e puna seus criminosos.

3 comentários:

Carlinhos Medeiros disse...

Faz tempo eu venho denunciando os EUA nessa tramoia!

Conspiracao disse...

Tomara que punam tambem os terroristas do HAMAS que treinam criancinhas a pegar em armas (CADE A UNICEF???) e apontam seus misseis indiscriminadamente à alvos civis, e usam a populacao civil como escudos humanos.

Anônimo disse...

Enterrado Vivo
Eva Bartlett , Gaza ocupada, Live from Palestine, 5 fevereiro 2009

Abu Qusay enterrado nos destroços.
"Isto aqui, foi no começo, quando eles começaram a cavar para tirar os corpos dos destroços”, disse Abu Qusay referindo-se a uma foto de si mesmo enterrado até os ombros nos escombros, com sua face totalmente ensangüentada. Algumas semanas depois de ter sido enterrado vivo pelo bombardeio sobre o prédio onde ele estava, incrivelmente exibia somente uma cicatriz na testa, atestando seu sofrimento.
Abu Qusay tem 30 e poucos anos, é pai de seis crianças entre quatro e 15 anos de idade e é policial e segurança particular, há 14 anos. Ele sobreviveu aos primeiros ataques durante os quais 60 aeronaves de guerra israelenses miraram e bombardearam simultaneamente 100 delegacias de polícia, escolas, escritórios do governo e outros locais em toda a Gaza.
"Estávamos em reunião. Éramos 15 e estávamos no terceiro andar, eram onze da manhã. Eu estava perto do gerente, que estava falando quando a primeira bomba nos atingiu. Um F-16 voou baixo, com muito barulho”. Ele continua com ar tenso. “A explosão propriamente dita, foi estranha, diferente das outras explosões que conhecemos, eu senti uma pressão imensa do ar que me jogou no chão, e ouvi a explosão dos prédios vizinhos, a sensação era tão estranha, eu não sei o que era”.
"Tentei abrir os olhos e não consegui, a poeira era tão densa que me cegava. Senti algo correndo pelo rosto, e tentei muitas vezes abrir os olhos sem conseguir. Quando finalmente consegui, não enxergava nada. Só um ponto de luz, parecia que eu estava na frente de uma parede com um pequeno orifício. Senti o pé de alguém na minha cabeça e eu estava muito desorientado, tentei empurrar o pé da pessoa mas descobri que meus braços estavam presos atrás de mim. Aí entendi que o líquido no meu rosto era sangue”. "Foi quando comecei a ouvir os gritos das pessoas à minha volta e a voz de alguém pedindo que fossemos pacientes”.
"Ai senti o peso movendo-se à minha volta e entendi que estavam me tirando de onde eu estava: enterrado nos blocos de concreto do prédio. O terceiro piso agora era o chão do edifício, os três andares foram totalmente demolidos. Perdi então os sentidos.” "Acordei no hospital de al-Shifa. À minha volta, em todo lugar haviam corpos e mais corpos. Cadáveres e feridos espalhados no chão da emergência. Tantos, tantos, demais para as poucas camas. Pessoas com pernas e braços amputados. Pessoas com horrendas feridas abertas. Era mesmo surreal. Eu estava em uma reunião, fui enterrado pelos escombros e agora havia toda esta morte à minha volta. Sem aviso. Eu não conseguia entender nada. Eu estava me sentindo perdido. Mas esqueci da dor que eu sentia quando vi um garoto que freqüentava a escola perto de Montada. A cabeça dele estava rasgada de feridas. Eu levantei, comecei a andar e olhar o que havia. Não conseguir parar. Os médicos mandavam que eu sentasse, ficasse quieto. Eles diziam, o que você vai fazer, onde vai, você está ferido”.
"Quando se vive em Gaza, espera-se qualquer coisa dos israelenses. Qualquer tipo de ataque. Já tivemos muitas invasões e bombardeios. Mas ainda assim eu não conseguia acreditar no que eu via. Na proporção do que eles tinham feito. E veja, eu ainda não sabia nada sobre os outros lugares em Gaza

No que Abu conta sua história mais F-16s sobrevoam roncando.

"Eu sabia dirigir ambulâncias. Eu aprendi porque senti que era muito importante aprender várias coisas. Mas no tempo em que eu fazia isso, nunca vi nada tão horrível como vi no ataque de Israel perto deste natal agora. São outros tipos de armas de ataque. Monstruosamente mutiladoras. Jamais vi tantas amputações e tantas decapitações.” "Não conseguia esquecer aquela criança da escola. Haviam “terroristas” na escola que foi atacada? O que é que aquela pobre criança fez? Eu sou policial, certo, para manter a ordem na cidade, certo, será que isto aconteceria no Canadá, na Inglaterra? Como é que os israelenses podem ser tão criminosos que bombardeiam áreas onde só há civis, crianças vindo da escola? Quem são os terroristas senão aqueles que arrancam com as bombas árvores e destroem casas totalmente – um massacre contra nós – sem provocação, isso sim é um horrível terrorismo.”
Abu Qusay é claramente um dos sortudos porque sobreviveu ao ataque com todos os seus membros intactos. Mas perdeu muitos amigos, pense o que é perder mais de dez conhecidos e amigos ou como a família Samouni em que morreram 48 parentes. Não consigo imaginar coisa mais horrível.
Eva Bartlett is a Canadian human rights advocate and freelancer who spent eight months in 2007 living in West Bank communities and four months in Cairo and at the Rafah crossing. She is currently based in the Gaza Strip after having arrived with the third Free Gaza Movement boat in November. She has been working with the International Solidarity Movement in Gaza, accompanying ambulances while witnessing and documenting the ongoing Israeli air strikes and ground invasion of the Gaza Strip. – www.electronicintifada.net