sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sobre monopólios


Há meio século, quando Marx escreveu O Capital, a livre concorrência era, para a maior parte dos economistas, uma «lei natural». A ciência oficial procurou aniquilar, por meio da conspiração do silêncio, a obra de Marx, que tinha demonstrado, com uma análise teórica e histórica do capitalismo, que a livre concorrência gera a concentração da produção, e que a referida concentração, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio. Agora o monopólio é um facto. Os economistas publicam montanhas de livros em que descrevem as diferentes manifestações do monopólio e continuam a declarar em coro que o marxismo foi refutado. Mas os factos são teimosos - como afirma o provérbio inglês - e de bom ou mau grado há que tê-los em conta. Os factos demonstram que as diferenças entre os diversos países capitalistas, por exemplo no que se refere ao proteccionismo ou ao livre câmbio, trazem consigo apenas diferenças não essenciais quanto à forma dos monopólios ou ao momento do seu aparecimento, mas que o aparecimento do monopólio devido à concentração da produção é uma lei geral e fundamental da presente fase de desenvolvimento do capitalismo.

(...)

Traduzido em linguagem comum, isto significa: o desenvolvimento do capitalismo chegou a um ponto tal que, ainda que a produção mercantil continue «reinando» como antes, e seja considerada a base de toda a economia, na realidade encontra-se já minada e os lucros principais vão parar aos «génios» das maquinações financeiras. Estas maquinações e estas trapaças têm a sua base na socialização da produção, mas o imenso progresso da humanidade, que chegou a essa socialização, beneficia ... os especuladores.

(Vladimir Ilitch Lenine, Trechos do capítulo I de “O imperialismo, fase superior do capitalismo”, junho 1916. Tradução de Tiago Sabóia para o Arquivo Marxista na Internet)



Imagem do Tijolaço de Brizola Neto

4 comentários:

Gustavo Santiago disse...

Entrei teu blog hoje e já me interessei logo de cara, também sou simpatizante de marx, só que mais aberto para outros conteúdos.
Ontem estava vendo a entrevista do filósofo, psícanalista e crítico Zizek no roda viva.
E achei interessante várias citações dele.
Como por exemplo falar que chegamos ao fim de uma utopia no caso(capitalis.) e que a esquerda no séc passado tentou agir demais, que nesse século agora ela tem que observar mais. Me sinto assim observando o espetáculo disso tudo que acontece. Como você citou nessa postagem um deles é o monopólio -
mas bixo da uma vontade de agir, mas por enquanto não dá. temos que reescrever, abraços.

Mordechai disse...

Fodão esse Brizola Neto hein?

André Lux disse...

Jurandir, a Folha/UOl ameaçou o blogueiro Antônio Arles por ter publicado uns banners a favor do cancelamento das assinaturas do jornal e do portal (http://www.arlesophia.com.br). O Antônio Mello as republicou em seu blog e eu no meu. Vamos mostrar a esses canalhas e covardes que não temos medo do esgoto da "ditabranda"!

Maria Maria disse...

Só pensei uma coisa quando ouvi essa notícia: e a concorrência???

Já basta o que passamos com as empresas de telecomunicação, agora teremos que passar o mesmo com o pãozinho nosso de cada dia... (pãozinho, patê, brioche, tortas congeladas - bemmmmmmmmmmmm burguês, rs, rs, rs).