segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Em cartaz

Não existe racismo?

Sugestão do leitor Leonardo. Como fica a tese de Ali Kamel?



Obs: Muito bom o trabalho dos jovens do núcleo audiovisual do Circo Voador.

domingo, 15 de novembro de 2009

A patética ajuda da mídia


Alguns leitores do blog estão atentos ao papel vergonhoso da mídia em tentar proteger seu candidato à presidência no acidente do Rodoanel. Apontam, no post abaixo, que a barafunda de informação chega ao ponto de apontar responsabilidade na falta de engenheiros civis (!!!), chegam a colocar o nome PAC na obra tucana.

Hoje, a edição dominical da Folha faz manchete e dedica vasto espaço para gritar que o número de blecautes cresceu 29% no país em 2009. Oh! Como é difícil viver sem um competente gestor tucano no poder. Oh! Oh! E a mídia vem nos salvar, apurando a “verdade”, mesmo que tenha para isso que colocar escondido, lá pelo final dos vários textos, a explicação óbvia que foi neste último ano que foram incluídos ao sistema interligado os estados do Acre e Rondônia, com linhas novas e no meio da rainforest.

Já sobre o Roubanel, o destaque vai para a voz firme do governador, que fala duro sobre a apuração do acidente. Deveriam ter perguntado ao José Serra se este também não era um acidente previsível, tal como ele disse sobre o acidente da TAM, culpando o governo federal. Afinal, o jornal enfim publica a informação, já conhecida antes do acidente, que auditoria do TCU em 2007 e 2008 constatou várias irregularidades na obra. Entre elas, a de que as empreiteiras responsáveis pelo Rodoanel mudaram o material descrito em contrato e optaram por vigas pré-moldadas a fim de baratear o custo dos viadutos, incluindo o trecho sul, onde as vigas despencaram. O governador não sabia? Se sabia, o que fez?

Será que isso não valeria a manchete? Não. Escolheram esquentar o assunto “apagão”. E no texto principal do Roubanel ainda colocaram uma frase que parece retirada de algum panfleto de propaganda: “O Rodoanel é a maior obra viária do país. Deve retirar da cidade até 500 mil caminhões por mês.” Oh! Que coisa enorme! Será uma maravilha, se os 500 mil caminhões não caírem na cabeça dos paulistas.

sábado, 14 de novembro de 2009

Dura vida de vampiro

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Festa nas trevas


Fantasmas surgem da escuridão. Ainda não sabem direito para onde seguir. A mídia, confusa, chega ao ponto de dizer o que um entrevistado disse e mostrar logo em seguida que ele não disse, como mostra o Cloaca. Mas tentam, ficaram animados. Pouco importa que o recente apagão não traduza crise de energia, o que é claro. A escuridão trata de fazer os gatos todos ficarem pardos. Aliás, foi o que José Serra e alguns outros representantes da noite aprenderam recentemente com o professor Drew Western, que diz que o importante não é fazer um eleitor pensar, mas sentir. Ou, mais vale parecer que é do que ser. Como se essa gente mal iluminada não soubesse, poderiam até ensinar.

Mas estou com uma pulga atrás da orelha. Não chego ao ponto de desconfiar, como o Eduardo Guimarães, de redações preparando edição sobre o apagão antes do fato. Menos. Mas acho que não é nada difícil no quadro atual aparecerem crimes políticos para alimentar o forno da mídia, que carece de mais lenha. E fui pesquisar para encarar meus medos e desconfianças.

Com umas googadas, achei uma tese do último Simpósio de Inovação Tecnológica, de autoria de André Luiz Carneiro de Araújo, Paulo Régis Carneiro de Araújo e Antônio Themóteo Varela. Trata-se de uma solução tecnológica para evitar furto de cabos elétricos. Segundo eles, algo que acontece com freqüência. Para mostrar o funcionamento de suas idéias, analisam o processo do ataque dos ladrões:

Em um primeiro cenário, o indivíduo que deseja violar o sistema inicialmente tenta derrubar o sistema elétrico. Há duas formas em que ele pode fazer isso. A primeira é abrindo as canelas que fica antes do transformador. Neste caso a concessionária não tem como identificar o evento. A segunda é provocando um curto fase-fase ou fase-neutro que aciona o dispositivo de segurança do sistema. A concessionária consegue identificar o evento, entretanto não consegue determinar se o evento é um furto ou outro problema qualquer em sua rede.


São especialistas no setor. Fica claro que há maneiras fáceis de derrubar um sistema elétrico. Principalmente quando há muitos interesses envolvidos.

Neste ponto estou com o Eduardo Guimarães: Atenção! Vamos botar a PF pra trabalhar!


Em tempo:

A melhor frase sobre a cobertura do apagão é do Hermenauta: “Juro que nunca vi tantos inimigos do Iluminismo reclamarem tanto do escuro…”.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre muros

A guerra fria acabou? Contraditoriamente, talvez a festa que a grande mídia internacional fará hoje para comemorar seu fim, com a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1983, prove exatamente o contrário. Velhos clichês estarão de volta, embalados em belas imagens. Lembrarão que os maus comunas do lado de lá impediam seu povo de usufruir as maravilhas do mundo capitalista. Mas há vozes dissonantes, que não serão convidadas para os canapés, provando que o Fla x Flu resiste ao tempo. O historiador americano William Blum é uma delas, em artigo traduzido recentemente no Resistir cita um jornal vermelhíssimo de 1963 que aponta uma justa motivação:

"Berlim Oeste ressentiu-se economicamente do muro com a perda de cerca de 60 mil trabalhadores especializados que saíam diariamente das suas casas em Berlim Leste para os seus locais de trabalho em Berlim Oeste"


O jornal é um tal de New York Times, que assim relatou o incômodo de um estado que investia pesadamente em educação e via surgir uma crise com a perda de seu investimento.

Mas claro, há sempre o “mas”. O muro também servia para impedir que os comunistas fossem ao outro lado comer criancinhas. Temos que lembrar.

Particularmente, continuo achando muita hipocrisia comemorar a queda de um muro quando o mundo, dito “livre”, construiu tantas muralhas nesses últimos anos:


Muro construído pelo Egito na fronteira com Gaza.


Muro construído pelos EUA na fronteira com o México. Mais ótimas fotos aqui.


Muro construído pela prefeitura do Rio de Janeiro na favela Dona Marta.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

E na cantoria pós tertúlia sublacerdista...

Para quem trabalha nossa mídia?


Existe o falso compromisso nas redações de que o trabalho jornalístico deve sempre ouvir os dois lados, se existirem. É uma grande balela, todos sabem. No caso do MST, então, o desequilíbrio é ainda mais grave. Hoje, toda a mídia demonizou o MST em sua jornada de lutas no Pará. Repetem somente a versão dos ruralistas, que relatam depredações e violências nas fazendas Santa Bárbara, do condenado Daniel Dantas, e na Rio Vermelho. Não há uma linha de informação sobre o que está em disputa, a história destas propriedades, seus negócios e o direito sobre as terras. Vamos a alguns fatos que a mídia não quis publicar:

Em Tucuruí, as terras da fazenda Piratininga foram desapropriadas em 2008 por serem griladas da União. Sendo uma área com 80% de floresta, o MST propôs que o assentamento fosse agroextrativista e a área de reserva legal fosse comunitária. Porém, madeireiros e posseiros da região estão, desde a época, desmatando a área de reserva, ameaçando e expulsando as famílias do assentamento. Estas terras foram aforadas com a família Mutran e tinham o propósito de servir para exploração de castanhas. Ao invés disso, foi desmatado todo o castanhal e plantado pasto para a pecuária. Depois, ainda foram “vendidas” para a Agropecuária Santa Bárbara (Daniel Dantas) que continua com a pecuária extensiva nas terras. De fevereiro até o atual momento, 18 trabalhadores foram baleados pela escolta armada da fazenda de Dantas, bem como há freqüentes ameaças e seqüestros dos trabalhadores acampados.

Cerca de 200 famílias se mobilizaram na ocupação da PA 158 em frente à Fazenda Rio Vermelho, em Sapucaia, do grupo Quagliato, dono da Empresa Quamasa – Quagliato da Amazônia Agropecuária S/A. A vistoria da terra realizada pelo Incra já confirmou que a área é da União, além da fazenda ser utilizada de forma irregular, esteve durante vários anos na lista de fazendas que utilizavam trabalho escravo. Em julho de 2009, o MPF e o IBAMA multaram fazendeiros e frigoríficos, dentre as multadas estava a fazenda Rio Vermelho, que deve à justiça mais de R$ 375 milhões de reais.

Junto a estas informações, a mídia bem que podia publicar aqueles gráficos bonitos que fazem, para localizar a informação e lembrar de outras do passado. Neste caso, poderiam desenhar um mapa da região entre as duas fazendas. Quase no meio, fica a cidade de Eldorado de Carajás. Ali, na rodovia PA-150, nossos jornalistas poderiam lembrar que, em 1996, 19 trabalhadores rurais sem-terra foram assassinados com tiros à queima-roupa e golpes de machado e facão, sinais evidentes de execução, pela polícia militar, sob ordens do então governador Almir Gabriel (PSDB), naquele que ficou conhecido como o Massacre dos Carajás.

Mas é certo que nada disso será dito, nada lembrado. Mesmo que estas informações estejam facilmente disponíveis. Bastaria consultar o próprio site do MST.

A versão que fica é dos que fazem trabalho escravo, que roubam terras da União para derrubar florestas, que especulam e devem multas vultosas ao Estado. São eles as únicas fontes da nossa mídia. É para eles que trabalham.

Crédito da foto: Sebastião Salgado

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Para que servem as bases dos EUA na Colômbia?

Alguém já deve ter perguntado: para os EUA, desejando atacar a Venezuela, não seria relativamente fácil pelo mar do Caribe? Para que sete bases na Colômbia?

Na Folha, de 2/11/2009, quem sabe outra explicação:

Chávez é motivo para ter base na Colômbia, afirma Pentágono

Ao assinar o acordo militar com a Colômbia e garantir o uso da base área de Palanquero, no centro do país, o governo dos EUA considera ter aproveitado uma “oportunidade única” de obter “acesso e presença regional a custo mínimo” numa área sob ameaças constantes, entre elas as vindas de “governos antiamericanos” como o do venezuelano Hugo Chávez.
(...)
O documento do Pentágono submetido ao Congresso diz que Palanquero é “inquestionavelmente” o melhor lugar “para conduzir um completo espectro de operações pela América do Sul” – a importância da base já havia aparecido em documento da Força Aérea, que a inclui no esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal.

No grifo meu, o que seriam “rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal”? O que me lembro do governo americano fazendo de transporte estratégico aparece no vídeo abaixo:



Partindo da Colômbia, podemos imaginar o que seria.

obs: peguei uma carona em post no Hermenauta.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sinal de trânsito para tucanos


Depois da polêmica ilustração no Globo para o artigo de FHC, da contribuição do Esquerdopata, segue minha sugestão gráfica para guiar os passos das aves bicudas, que passam por momento de grande dificuldade de direção. Peço desculpas pelo uso do inglês, é que esse pessoal só obedece a ordens nesta língua.

domingo, 1 de novembro de 2009

Para onde vai FHC?


Leiam o que disse Fernando Henrique Cardoso e disseram dele aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O crack e a mídia


Nossos jornalões e as TVs descobriram que o crack tem culpados: é o governo Lula e os favelados. Se derrubar o Lula e tacar fogo nas favelas, tudo se resolve. É o que se conclui das recentes reportagens, e o que dizem alguns comentaristas nos portais de notícias. Em nenhuma matéria há um dedo sobre informações históricas sobre essa droga que efetivamente destrói em pouco tempo seus usuários, e que foi criada para acabar com o forte movimento dos Panteras Negras nos EUA, obra do próprio estado americano. Inventei? Teoria da conspiração? Não. Quem disse foi esta mesma mídia gorda em uma série de reportagens do San Jose Mercury News, assinadas pelo valoroso e premiado repórter Gary Webb, em 1996.

Webb seguiu os passos do caso Irã-Contras, um dos momentos em que, por um descuido, a cortina que encobre o sistema é levantada e podemos ver a fábrica de salsichas funcionando. Simplesmente o governo americano, via sua central de inteligência, vendia armas para seu inimigo aiatolá Komeini e arrumava mais um bom troco no mercado negro de drogas. Tudo para financiar os caros mercenários que combatiam a revolução sandinista. Uma revista em Beirute deu o flagra, espanou o mau cheiro e deu em uma longuíssima CPI no Congresso Americano.

O jornalista fez seu trabalho com competência. Seguiu passos de traficantes, deu nomes, mostrou rotas de tráfico que eram do conhecimento da CIA, e exibiu todo o cenário. Depois, a série foi transformada em livro: Dark Alliance: The CIA, the Contras, and the Crack Cocaine Explosion. Bastou para o mundo cair sobre sua cabeça. Foi acusado por todos os lados de usar falsas fontes, de manipular informações, sua vida virou um inferno. Perdeu o emprego e entrou em lista negra na mídia americana. Morreu em 2004. Segundo a polícia e a mídia, foi suicídio.

Claro, a nossa mídia aqui não lembrou do fato agora. É muito complexo entrar em um terreno tão polêmico. Imagina então pesquisar, que absurdo.

Ah, só um detalhe, certamente sem relevância jornalística: Gary Webb cometeu suicídio com dois tiros na cabeça.

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Referências para saber mais:

Verbete sobre Gary Webb na Wikipedia (em inglês)

Ótimo texto do professor Ney Jansen sobre drogas. Como o crack derrotou os Panteras Negras.

Sobre o caso Irã-Contras (em inglês)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Técnica de maquiagem para vampiros

Para quem tem blog, é sempre divertido e interessante acompanhar pelas ferramentas de estatísticas o resultado das pesquisas do Google para nossa página. O Rafael Galvão é impagável com textos a partir de lá. Aqui, uma pesquisa recorrente chamou minha atenção: “maquiagem para vampiros”. Solucionei a estranheza com minha mulher, ser antenado que sabe tudo o que acontece. Vampiros estão na moda entre os adolescentes. Um filme de 2008 sobre os dentudos, “Crepúsculo”, bombou e terá uma continuação com a presença de seus jovens atores na estréia brasileira. Como o nosso blog, acima de tudo, pretende ser de utilidade pública, publicamos nossa sugestão de técnica para transformar um jovem em vampiro para a festa de Halloween que está próxima. Sigam com atenção os passos necessários:



1) Nosso jovem modelo, de compenetrado semblante, antes da profunda transformação.



2) Vampiros carecem de sangue, são pálidos. Use uma base bem clara em todo o rosto.



3) Seres noturnos, quase insones, têm olheiras profundas. Crie bolsões embaixo dos olhos. Escureçam ao redor.



4) Os lábios são arroxeados. A cor está na moda.



5) Fundamental os caninos salientes.



6) E sangue... muito. Com gotas caindo sobre a camisa. E pronto!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Uma notícia em dois tempos

Em 18 de julho de 2007:



Hoje, 28 de outubro de 2009, em discreto espaço na primeira página do Globo:



Na edição de hoje, a Folha de S.Paulo nada publicou sobre o relatório. Deveria, ao menos para novamente ouvir o governador de São Paulo, que em 18 de outubro de 2007 afirmava ao jornal que a tragédia estava prevista, e responsabilizava o governo federal:

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), esteve à noite no aeroporto de Congonhas após o acidente com o avião da TAM e afirmou que "todos tem muito o que lamentar, o que chorar", e que a cidade "está de luto". Apesar de afirmar que ainda era cedo para falar em causas, o governador disse que, para ele, o acidente foi uma tragédia anunciada. (...) "Ouvi dizer que muita gente achava isso. Inclusive eu. Mas tem que investigar com serenidade. E trabalhar para que isso não aconteça de novo". (...) O governador também falou sobre os problemas dos aeroportos no Estado. "A questão aeroportuária tem que passar por um reexame. Essa não é uma responsabilidade nossa. É Federal. Mas, como governo, nós vamos dar nossa opinião." (Folha de S.Paulo. 18/7/2007)

sábado, 24 de outubro de 2009

Em defesa do MST



Este blog não está sozinho em seus protestos. Nada menos que nomes dignos do maior respeito internacional assinam um belo e fundamentado manifesto em favor do MST. Já assinei a petição:

Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais

22 de outubro de 2009

As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.

Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.
Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.

Bloquear a reforma agrária

Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola −¬ cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 − e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.
Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.

O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.

Concentração fundiária

A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.

Não violência

A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.

É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.

Contra a criminalização das lutas sociais

Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.

Ana Clara Ribeiro
Ana Esther Ceceña
Boaventura de Sousa Santos
Carlos Nelson Coutinho
Carlos Walter Porto-Gonçalves
Claudia Santiago
Claudia Korol
Ciro Correia
Chico Alencar
Chico de Oliveira
Daniel Bensaïd
Demian Bezerra de Melo
Fernando Vieira Velloso
Eduardo Galeano
Eleuterio Prado
Emir Sader
Gaudêncio Frigotto
Gilberto Maringoni
Gilcilene Barão
Heloisa Fernandes
Isabel Monal
István Mészáros
Ivana Jinkings
José Paulo Netto
Lucia Maria Wanderley Neves
Luis Acosta
Marcelo Badaró Mattos
Marcelo Freixo
Maria Orlanda Pinassi
Marilda Iamamoto
Maurício Vieira Martins
Mauro Luis Iasi
Michael Lowy
Otilia Fiori Arantes
Paulo Arantes
Paulo Nakatani
Plínio de Arruda Sampaio
Reinaldo A. Carcanholo
Ricardo Antunes
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
Roberto Leher
Sara Granemann
Sergio Romagnolo
Virgínia Fontes
Vito Giannotti

Assine também:
http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html