Os marqueteiros da campanha de Serra decidiram não levar à campanha na TV as acusações do candidato de vínculo do PT às FARC. Não ganha votos, disseram. Provavelmente. Mas fica claro para muitos o que pensa e de que lado está o candidato tucano. Dois vídeos podem ajudar a esclarecer.
Acima, o jornalista Miguel Urbano Rodrigues, editor do www.odiario.info, comenta a atuação das FARC-EP, com quem conviveu por semanas nas selvas colombianas. Para ele, a mídia internacional é a responsável pela criminalização e a acusação de narcotraficante ao movimento.
Acima, uma boa biografia de Álvaro Uribe, presidente do Colômbia, que deixa o cargo no próximo dia 7. Enquanto Serra acusa Evo Morales, presidente da Bolívia, de ser responsável pela cocaína que chega ao Brasil, Uribe tem uma extensa folha corrida de serviços prestados ao narcotráfico. Não são meras acusações, suposições, mas documentos, muitos deles do próprio governo americano.
Para o narcopresidente da Colômbia, nenhuma palavra de desagrado do candidato tucano.
sábado, 24 de julho de 2010
Serra e o narcotráfico
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Jurandir Paulo
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
Para os amigos, tudo
O podre governo de Álvaro Uribe segue ruindo e nossa mídia continua olhando o quadro com distanciamento e extrema ponderação. Um bom exemplo é o editorial da Folha de hoje, “Uribe e os paramilitares”. Segue um relato frio dos fatos recentes, como a prisão de Mario Uribe, estreito colaborador e primo do presidente, sem citar seu envolvimento com o tráfico de drogas. Ao final, de forma distanciada, o jornal especula que “talvez esteja se desenhando a "hecatombe" que Uribe uma vez mencionou como único fator que poderia levá-lo a tentar modificar uma vez mais a Constituição de modo a permitir-lhe disputar o terceiro mandato".
Quer dizer, no meio de uma saraivada de evidências do envolvimento do governo com as milícias de direita, seus métodos bárbaros, formação de quadrilha, envolvimento com o tráfico de drogas e plano de mudanças na constituição para conquistar um terceiro mandato, o jornalão não dedica nenhuma crítica, mantendo uma distanciada serenidade.
É o mesmo jornal que repete as mentiras sobre o envolvimento das Farc com o narcotráfico, que faz de Chávez o maior tirano da AL, que vive especulando sobre um possível terceiro mandato de Lula. Para tudo isso, não há economia de adjetivos.
Para Uribe, tirano, narcotraficante, chefe de quadrilha, a fleuma.
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Jurandir Paulo
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quarta-feira, 12 de março de 2008
A farsa do diário da guerrilheira

O diário colombiano El Tiempo publicou, em setembro de 2007, reportagem com trechos do diário da guerrilheira “Eillen”, supostamente achado em acampamento das FARC. A jovem, de 29 anos, foi identificada pelo jornal como a holandesa Tanja Nijmeijer, graduada em filologia hispânica, de família de classe média e na Colômbia desde 2002, quando chegou dentro de programa da ONG Pax Christi, para logo em seguir entrar na guerrilha.
A versão, divulgada pelo exército e publicada pelo jornal, repercutiu em toda a mídia mundial, e com grande comoção na Holanda. Um dos trechos no alegado diário dizia o seguinte:
“
Estou cansada, cansada das FARC, cansada desta gente, cansada de viver em comunidade, cansada de nunca ter algo para mim.
“
Desde então, a mídia e o governo Uribe sustentam que ela é mais uma seqüestrada, ao ser impedida de sair da guerrilha, o que sua família não confirma. Sua mãe disse que, pouco antes do episódio, a filha garantiu estar planejando férias em casa.
Seguindo a mesma tese, em 16 de fevereiro último, a revista colombiana Semana, pró-Uribe, publica que a guerrilheira está em julgamento militar e, como castigo, está sendo obrigada a fazer um documentário, nos moldes de Guerrilha Girl. E que tal produção , de uma equipe holandesa, era patrocinada com dinheiro das FARC.
A matéria é veementemente desmentida pelo próprio diretor do documentário, Ivan vd Boer, nome de guerra, em texto na Agência de Notícias Nova Colômbia, que reafirma que em nenhum momento Tanja foi obrigada a participar e que o seu interesse é o da Nova, produtora independente de TV holandesa. Diz ele:
“
Finalmente, quero deixar claro ao analista que não pode haver comparação alguma com outras produções e a determinação de produzir um filme sobre a vida da guerrilheira Eillen é uma determinação pessoal e livre, o processo está em marcha, queira-se ou não, junto ao direito irrenunciável de um povo que tem empreendido o caminho de sua definitiva independência para o socialismo e a Pátria Grande, que um povo que tem cultura é um povo que luta, resiste e se liberta.
“
Belas palavras, promete um imperdível filme. Uribe-Bush devem estar em pânico.
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Jurandir Paulo
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segunda-feira, 10 de março de 2008
Greg Palast desmascara Uribe
Greg Palast, um dos poucos jornalistas da grande mídia que nadam contra a corrente, teve acesso e publica em seu blog a mensagem de Raúl Reyes que supostamente se referia aos US$ 300 milhões que Chávez teria enviado às FARC, segundo declaração do general Oscar Naranjo, chefe da polícia colombiana, repetida por Uribe e Bush e repercutida em escandalosas manchetes de nossa comprometida mídia. O que diz o texto? Nada do que foi dito. Leiam o trecho onde surgiu a denúncia:
"
Camaradas secretariado. Cordial saludo. Por dos días nos reunimos con
Rodríguez. Conclusiones principales:
1- Con relación a 300, que en adelante llamaremos ossierya hay
gestiones adelantadas por instrucciones del jefe del cojo, las cuales
comentaré en nota aparte. Al jefe lo llamaremos Ángel, y al cojo Ernesto.
2- Para recibir a los tres liberados, Chávez plantea tres opciones:
Plan A. Hacerlo a través de una aravana humanitariade la que harían parte Venezuela, Francia, Piedad, Suiza, Unión Europea, demócratas, Argentina, Cruz Roja etc. Mecanismo: similar al utilizado cuando nos recogieron para los diálogos de Caracas y Tlaxcala, es decir, en helicópteros recogerían en la coordenadas que se indiquen, y que sólo conocerá Rodríguez Chacín. De ahí serían trasladados a un aeropuerto cercano donde los esperaría un avión para trasladarlos directamente a Caracas.
"
Onde entra Hugo Chávez com dinheiro? Onde estão os 300 milhões? Todo o texto é parte de um longo relatório sobre a tentativa de liberação de reféns, onde Chávez aparece como negociador. Nada que possa justificar as declarações dos comprometidos representantes do governo colombiano. Nada que justifique o tratamento da mídia.
Greg Palast trabalha para a BBC e é repórter do The Observer, diário britânico. A ele é creditada a primeira reportagem que acusou Jeb Bush, governador da Flórida, de fraudar as eleições em favor de seu irmão, George Bush.
Ainda bem que existem jornalistas como ele.
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Jurandir Paulo
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domingo, 9 de março de 2008
Viva as mulheres guerrilheiras
No sábado, dia 8 de março, desejava publicar aqui uma homenagem ao dia Internacional das Mulheres. Matutei algumas coisas, imaginava escolher um exemplo de mulher que representasse muitas. Demorei, outras demandas me fizeram postergar, quando vejo no Blog do Mello a melhor das homenagens, que muito me emocionou. O documentário dinamarquês “Guerrilla Girl”, de 2005, que mostra a entrada de Isabel, uma jovem colombiana de 21 anos, para a guerrilha das FARC. Vale a pena ver. E fica aqui também a minha homenagem, neste exemplo de mulheres, as guerrilheiras.
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Jurandir Paulo
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terça-feira, 4 de março de 2008
Diálogo colombino

Conversa com um crédulo e acrítico leitor dos nossos bem informados jornais:
− Esse Uribe é um canalha!
− Ah, mas ele foi macho. Os caras estavam fazendo jogo duro para libertar os reféns.
− Muito pelo contrário. Assassinaram o principal negociador das Farc, o Raúl Reys. Agora tudo ficou mais difícil. O que Uribe queria era exatamente evitar a libertação. Coisa de traíra.
− Mas esses caras são terroristas, não dá para confiar.
− Terroristas? Eles são um outro estado dentro daquele país. São guerrilheiros, querem implantar um governo marxista-leninista. Foram organizados em 1964 quando perseguidos por militares e paramilitares à mando da elite corrupta e assassina.
− Se querem o poder, deviam sair da clandestinidade. Fazer um partido e disputar eleições, dentro da democracia.
− Mas foi o que fizeram em 1984. Assinaram um acordo de cessar-fogo com o então governo de Belisário Betancur, criando a União Patriótica, uma frente de várias tendências, que elegeu 350 conselheiros municipais, 23 deputados e 6 senadores.
− E desistiram? Aposto que não gostaram da experiência democrática.
− Claro que não gostaram. As elites e o governo se aproveitaram do momento e assassinaram vários parlamentares, incluindo dois candidatos presidenciais, em um total de 4 mil militantes.
− Ah, mas hoje eles são ligados aos narcotraficantes.
− É uma grande mentira, criada pelo ex-embaixador dos EUA na Colômbia, Louis Stamb, e até hoje repetida pela mídia. A Colômbia, sua elite, vive e depende do narcotráfico. Seu atual presidente tem negócios e interesses nas drogas.
− Aí você já está apelando. Isso é teoria da conspiração.
− É? Mas quem diz não sou eu, mas o próprio governo americano.
− Cumé?
− Saiu na Newsweek de 9 de agosto de 2004. Segundo ela, um relatório do Departamento de Defesa dos EUA, de 1991, faz um Quem é Quem do mercado de drogas colombiano. Em uma lista dos 100 o nome de Álvaro Uribe Velez é o número 82. E ainda afirma a revista que ele tinha negócios nos EUA que envolviam cocaína, além de ser grande amigo de Pablo Escobar.
− Que babado! Ah, mas tem o Plano Colômbia, os EUA querem acabar com a produção de cocaína no país.
− Querem? O Plano Colômbia aumentou a produção. O grande país do norte é parceiro e interessado na produção de cocaína mundial.
− Tá maluco! E o DEA?
− Foram apanhados juntos com paramilitares. O governo americano, CIA e drogas fazem uma combinação há muito controvertida. Pesquise no Google.
− Teoria da conspiração!
− Pesquise o caso Irã-Contras. Tinham drogas naquele mafuá.
− O fato é que mataram os caras de pijamas, isso eu concordo.
− Pois é. Tem vídeo que mostra que foi de madrugada, todos dormiam, uma covardia.
− Até concordo.
− Mas de pijamas? E guerrilheiro usa pijamas? Na selva?
− Ah, mas eu li nos jornais.
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Jurandir Paulo
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