quarta-feira, 16 de abril de 2008

O PIG e sua cortina de fumaça

terça-feira, 15 de abril de 2008

Ah, se fosse Petrobrax...

Miriam, a suína, como diz a nossa Kelly, não gosta da Petrobras. Adora a Vale. Ah, a Vale, que exemplo de gestão. Uma empresa que tinha a maior mina de ferro do mundo, patrimônio milionário, nas mãos erradas... Por isso teve que ser vendida por menos do que lucrava em 4 meses. Ah, a Vale, e seus jovens gestores. Quanto progresso. Se a Petrobras fosse agora Petrobrax, como FHC e seus mauricinhos tucanos queriam, como tudo seria diferente.

Por exemplo, dona Miriam conseguiria um furo de reportagem. Teria obtido do diretor-geral da ANP a informação e divulgaria no Bundinha Brasil. Renato Machado teria dado um flash antes da fala, diria: “Exclusivo, no próximo bloco Miriam Leitão revela a descoberta de um novo poço de petróleo milionário na costa brasileira”.

Ah, se fosse Petrobrax.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Imprensa golpista, unida, jamais...

O governo Kirchner, depois de atacado nos golpes mais baixos pela imprensa argentina, decidiu criar o Observatório dos Meios de Comunicação, em parceria com a Universidade Nacional de Buenos Aires. Bastou para a iniciativa ser contestada pela nossa aliada mídia brasileira, que acha tal medida um cerceamento à liberdade de imprensa, é o que diz o jornal O Globo ao noticiar o fato.

Para o jornal, a declaração de Cristina Kirchner justificando a falta de imparcialidade da mídia argentina como motivo da criação do Observatório, para que todas as vozes democráticas tenham acesso aos meios de comunicação, não convenceu os representantes locais, que estão preocupados com a obsessão do governo em controlar a imprensa. Quer dizer, a imparcialidade não é bem vista. Desejam manter o monopólio da mídia a serviço da mera propaganda.

A hipocrisia fica clara no final do texto. Depois de relatar o grave acirramento entre simpatizantes do governo e a mídia local, relata que Luiz D’Elia, líder do movimento Terra e Moradia, aliado de Kirchner, “ousou” participar de um programa de TV ao vivo onde defendeu o fim da ditadura do jornal Clarin. Quer dizer, alguém da sociedade que tenha outro ponto de vista, diferente da mídia hegemônica, tem mais é que ficar calado. Se falar, isso é ousadia que deve ser combatida.

Observatório neles!

domingo, 13 de abril de 2008

Reflexões no final de semana



A oposição no divã

Notas e comentários vários nos últimos dias dão sinais de que a oposição ao governo Lula está querendo parar para pensar e rever sua estratégia. É prática já feita muitas vezes, agora parece algo mais sério. Segundo Ancelmo Góis, no Globo, Serra confessou a Marcelo Déda, do PT, governador de Sergipe, que a oposição ainda “não encontrou um discurso para 2010”. Entendam isso também como: “todas nossas tentativas de desmoralizar o governo não deram em nada”.

Apenas neste ano, a oposição, com a ajuda da aliada mídia, tentou criar pânico com um possível apagão elétrico federal, com a febre amarela, com várias denúncias sobre malversação de recursos na utilização de cartões corporativos. Tudo, até agora, sem sucesso para colocar o governo acuado e sem ação. As manchetes escandalosas sobre o apagão sumiram com as chuvas, a febre amarela desapareceu do noticiário quando o alarmismo criava vítimas com overdose da vacina, e as acusações sobre cartões corporativos mudaram de tom quando surgiram informações dos gastos no governo Serra e no governo de FHC. Neste ponto, a tática foi refeita e holofotes deixaram de lado o conteúdo das denúncias, passando a apostar em vazamento de informação, direcionados todos para a ministra, chefe da Casa Civil, possível candidata de Lula à sua sucessão.

E o pior aconteceu aos seus planos. Todo o empenho, todo o papel gasto pela mídia, todas as horas de TV não derrubaram a ministra, nem ao menos sua secretária-executiva, acusada sem provas pelo suposto delito. O efeito de tudo foi o mais indesejado para a oposição. Segundo pesquisa do próprio PSDB para mensurar o estrago feito, o nome de Dilma cresceu depois das denúncias. Foi registrado pelo Jornal do Brasil e repercutido por Eliane Catanhêde, da Folha, esta que antes dizia que Dilma estava morta eleitoralmente. Parece uma síndrome de tiro saindo pela culatra: Lula, mesmo com toda a campanha orquestrada, atingiu recentemente o mais alto índice de aprovação de seu governo, número mais alto do que o de FHC logo após o Plano Real.

Com tanta coisa dando errado, é compreensível que tenham todos a necessidade agora de uma boa terapia coletiva. Mas, com as notícias antecipadas da presença de Antonio Carlos Neto, o grampinho, e Rodrigo Maia, filho do prefeito da dengue no Rio, o tal “guri de merda”, dito por Jobim em uma solenidade, fica difícil acreditar em futuro para tal bando.

Showrnalismo é só para a patuléia

Talvez a conclusão fosse óbvia, mas confesso que só agora caiu a ficha. O jornal Valor Econômico segue um rumo diferente dos outros jornalões. Nesta semana só ele publicou matéria sobre os elogios do Bird ao Bolsa Família com críticas a má vontade da mídia brasileira com o programa. Não é a única matéria que segue pauta diferente do resto.

Mesmo sendo propriedade das Organizações Globo e da Folha, o seu público é a elite econômica, que não paga ingresso para ver as diatribes de um Arthur Virgilio. Os leitores são liberais. Como tal, entendem que em seu mundo, para a permanência do capitalismo, há de existir políticas de compensação, tal como Hayek e outros teóricos do modelo defendiam. Coisa que um Ali Kamel certamente não estudou. Vide ótimo comentário da Kelly.

Os leitores do Valor já estão convencidos, não precisam de conversas moles. Se a mídia precisa fazer propaganda, há de ser em seus outros jornais. E tome denúncias, dossiês, silêncio sobre fatos, tudo misturado a muito apelo, como a quase novela sobre a morte da menina em SP.

Este novo jornalismo, misturado com show, tal como cunhado por José Arbex, é só para a choldra, que pode se sensibilizar com a farsa inventada nas redações.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Na mesma linha,

vale fazer uma pesquisa e fazer doer o fígado de ódio ao ler Miriam Suína atribuir o aumento do preço do pão ao governo Lula... O fato do trigo ser importado da Argentina, e o governo deste país ter - aliás, com sabedoria- aumentado os impostos sobre a exportação de alimentos nada tem a ver com isso.

Daí você pode ver a seguinte regra: quando a economia vai bem, é porque a conjuntura internacional está favorável. Nunca, mas nunca é ponto do governo Lula.

Já na era fh..., todos as dificuldades eram causadas pelas instabilidades externas. Ele fazia todo o possível, todos os méritos eram dele, e os problemas, alheios.

Arrã n.2

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Até o Bird

concorda que nossa imprensa é golpista, preconceituosa e traz "recortes" enviesados e não faz idéia do que seja isenção. Peço desculpas por linkar um jornal dos mais representativos desta linha, mas vale a pena ver a indignação e o viés que o canalha colunista imprime à notícia... Auto-crítica? Rá, Claro que não.

Leia aqui.

O artigo, de Rui Falcão, cita um estudo do Bird que aponta a ideologia dos nossos jornalões quando estes trazem reportagens sobre o "assistencialista" Bolsa-Família, e os elogios que eram fartamente distribuídos aos programas "de distribuição de renda" da era FH.

Arrã.

Imparcialidade só no bozó dos outros

Folha, Estadão e O Globo deram amplo destaque à demissão de Luiz Lobo, editor-chefe na TV Brasil. O jornalista foi ouvido e alegou que o motivo do afastamento foi sua resistência às interferências do governo na edição do Telejornal Brasil, o que comprometia a imparcialidade desejada. Entre os episódios citados, disse que na cobertura do vazamento de informações sobre gastos do governo FHC havia a orientação de só falar em “suposto dossiê”, e em uma reportagem sobre a situação da saúde no Brasil foi repreendido por não incluir o corte da CPMF, derrubado no Senado, como um dos desafios futuros.

Convenhamos, hipocrisia deve ter seus limites. A nossa mídia, em seu ódio a concorrência da imprensa do governo, resolveu defender que no quintal dos outros tem que haver um jornalismo imparcial. Ou seja, deveria falar de dossiê, culpar o tempo toda a ministra Dilma Rousseff, esconder que tudo é uma armação do PSDB, não dar destaque para a confissão de Álvaro Dias, e mais toda uma “imparcialidade” que só ela sabe praticar.

Saúde? Claro, culpa do governo Lula. Imaginem vincular isso ao fim da CPMF.

Convido vocês a verem um trecho de telejornal da TV Brasil. Prestem atenção em como ele é “parcial”:



Viram? Arthur Virgílio aparece com o mesmo tempo que outros representantes do governo. Algo muito parcial, não é mesmo? Deveria ser o dobro do tempo para ele, como o “imparcial” PIG costuma fazer.

A campanha contra a TV Pública está em curso. No último sábado, um acerto entre todos os jornais levou a ampla cobertura do lançamento do livro de Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás, onde ele analisa o período que lá esteve e as pressões para que não fizesse um livre jornalismo.

Muito comovente. Há um bom exemplo de “livre jornalismo” hoje na página A-6 da Folha, em uma pequena nota o título: “Câmara aprova aumento para servidores”. Como assim? Certamente vocês perguntariam: o governo federal encaminhou pedido de aumento de seus servidores às vésperas de eleição? Um escândalo, não é mesmo? A Folha esqueceu de chamar isso na primeira página, certo? Nada. É a “imparcialidade” do PIG. O aumento é para o funcionalismo público da prefeitura de São Paulo, encaminhado pela administração DEM/tucana. Lembrem que Serra detém 80% dos cargos da máquina municipal. E Serra e Folha, vocês sabem.

Ou um outro exemplo bem recente da “imparcialidade” da mídia, também uma ajuda do PIG ao Serra. Na última IstoÉ, em matéria sobre o MST, foi publicada esta foto:



Mas o site independente Brasil de Fato descobriu que a foto original, de Cristiano Machado, da Agência Folha, foi adulterada. Esta é a foto:



Eliminaram no Photoshop a pichação com o “Fora Serra”, pouco se importando com a adulteração da realidade e os direitos autorais. Claro, a foto é da Folha, que faz descarada campanha para Serra, em troca de muita publicidade do governo em suas páginas e muito alinhamento ideológico, e a IstoÉ tem 51% de ações de Daniel Dantas, que responde na justiça por espionagem e formação de quadrilha, mas apóia Serra.

Esta é a mídia que cobra imparcialidade do governo.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sobre farsa e um pênis escondido

A tradição golpista brasileira tem bons exemplos de engodos praticados com a cumplicidade da mídia. Dois momentos são exemplares: o Plano Cohen, arquitetado por militares integralistas, que serviu como motivo para a instauração da ditadura do Estado Novo e a Carta Brandi, enganação de Carlos Lacerda para interferir nas eleições de 1955. Nos dois casos existiram pinceladas de tragédia. O primeiro, levou a forte repressão aos comunistas, que pagaram um alto preço pela mentira a eles imputada. O segundo, mesmo que tenham descoberto a fraude meses depois, ajudou a aglutinar militares golpistas, que passaram a atuar organizadamente e no sonho do poder, concretizado finalmente no golpe em 1964.

Se antes a tragédia, agora a farsa. Basta um par de neurônios para perceber o circo armado pelos herdeiros dos velhos golpistas com a conivência da mídia. O objetivo está claro: interferir nas próximas eleições. O alvo do momento é a ministra Dilma Rousseff, nome que desponta com força para 2010. A acusação sobre um possível dossiê é totalmente farisaica. O método da mídia, um embuste, tenta até esconder a confissão de um senador das hostes golpistas.

A fraude é hipócrita. Dossiês e informações sobre possíveis gastos da presidência há muito circulam, sendo citados por parlamentares e notas em jornais. Não podemos esquecer que pouco antes do início desta mais recente campanha, a mesma mídia registrava a tentativa de acordo entre governo e oposição para evitar a baixaria com a divulgação dos gastos deste governo e do de FHC. Em 19/3/2008, o jornal Estado de S.Paulo publicou que o presidente Lula vetara o uso de informações conhecidas, como a de um pênis de borracha nos gastos do ex-presidente. Isto foi esquecido e perfeitamente escondido pela mídia golpista. Talvez com o temor que as forças aliadas ao governo usassem tal apetrecho com assemelhado simbolismo ao da tal “tapioca”. Uma compra de R$ 8 que virou exemplo no PIG de abuso de dinheiro público, ao ponto de senadores da república distribuírem sorvete de tapioca em sessão plenária, para posar para as filmagens e as fotos.

Como tudo virou uma grande farsa, eu agora discordo de Lula. Não vamos esquecer do pênis de borracha de FHC. Queremos saber detalhes. Custos, quantidade, dimensões, usos e abusos. E quero ver didlos sendo distribuídos no Senado, farão sucesso. Estou enfurecido, dane-se a república.


sexta-feira, 4 de abril de 2008

Aviso aos nossos navegantes

Alguns pequenos problemas técnicos estão atrapalhando nossas postagens no blog. Nada grave. Estamos com problemas na instalação elétrica na nossa lan house preferida. Depois, ainda agravado com a kit-gás pifado do velho Escort que servia de gerador. No final de semana estamos com esperanças de voltar a desabafar nossa ira contra esta canalhada que reinventa factóides a cada dia.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Pega na mentira

Sorte que os blogs têm leitores. E eles trabalham, fazendo o que os jornalistas não conseguem, não podem ou não desejam fazer. Um leitor anônimo do blog Coleguinhas, do Ivson Alves, pegou o Josias de Souza, da Folha, em um estranho engano, ao dizer que Dilma Roussef mentiu ao citar um documento que diz que o TCU pediu informações sobre gastos do governo FHC. Só que o link do jornalista aponta para outro documento, o verdadeiro é esse, o que confirma as declarações da ministra. Leia o comentário do leitor:

“
No documento correto aparecem muitas menções às prestações de contas retroativas ao governo anterior. O TCU pede para o atual governo prestação de contas do cartão corporativo da época do governo anterior, isso está claro. E como fazer isso sem informatizar criando o SUPRIM? Você somaria as despesas na mão, Josias? Há até elogios do TCU quanto ao aprimoramento da prestação de contas através da criação do banco de dados SUPRIM tais como no capítulo "Voto do Ministro Relator", item 12 parte I, que abrange 2002.

Quem ler o documento correto vai perceber que você está manipulando e "escandalizando o nada".

Banco de dados oficial reconhecido e elogiado pelo TCU não é dossiê.

"

“Jornalismo” é a alma do negócio


Está no Globo Online. Fica alguma dúvida sobre a torcida da mídia? E a informação? Dane-se. O fato de Serra liderar uma pesquisa de intenção de votos, para eleição só em 2010, é mais importante que o presidente obter agora uma aprovação recorde. Muito maior do que a de FHC quando fez o Plano Real. O jornalismo e os coloridos anúncios que emolduram as notícias estão a cada dia mais parecidos...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Jornalismo de mentirinha

A primeira página do jornal O Globo de hoje, dia 28/3/2008, traz uma informação que é desmentida pela próprio jornal em seu interior, na página 33. O incauto leitor que apenas leu a capa, pendurada nas bancas, foi engabelado na informação. Vejam só:



O que está claramente dito? Que Lula tem agora orgulho do Proer. E que isto é uma contradição com o período em que PT criticava o plano.

Nem vamos já analisar, melhor ler antes o que o mesmo jornal diz na página 33:




Está claríssimo que Lula usava de ironia, fazendo inclusive uma provocação com os tucanos e seus aliados que em 1995 inventaram o Proer, uma solução para salvar os banqueiros do resultado de suas próprias falcatruas. Diz ele inclusive: “Eu não vou ensinar, mas tem gente que pode ensinar...”.

A dose de maldade é enorme, uma traição com seus leitores. Será que imaginam que este exemplo, como tantos outros, não será registrado na história do jornalismo brasileiro? Que moral tem os jornalistas do Globo para ensinar em faculdade como fazer jornal? O que diriam? Que os jovens estão iludidos, jornalismo é isso mesmo, pura propaganda. Ou teriam que recorrer ao Ali Kamel para uma mirabolante explicação técnica, que justificaria o injustificável da primeira página dizer o que internamente não está dito?

Gente fina

quinta-feira, 27 de março de 2008

Serra em transe



Ontem fui aos chopes e encontro a dupla de quem ouvi a conversa sobre a demissão de Paulo Henrique Amorim. Desta vez, desavergonhadamente, me convido a sentar na mesa. E logo puxo o assunto:

− PHA também suspeita de Serra, faz sentido?

− Serra? Bom, é certo que ele abriu uma garrafa de champanhe quando soube. Mas, sinceramente, ele ali só manda mesmo é no Caio Túlio.

− Mas não tinha margem para nenhuma manobra dele pela demissão?

− Bom, aí é outro papo. Vou te dizer uma coisa: a demissão do PHA me lembra o filme Gosford Park, você viu?

− Acho que sim, mas não lembro.

− Em um final de semana numa mansão aristocrática do interior da Inglaterra o patriarca reúne a família e amigos. É assassinado e todos têm motivos para matá-lo, é o que vamos descobrindo ao longo da história..

− Bem, motivo Serra tem para querer a cabeça do PHA.

− Claro. E ele adora pedir a cabeça de jornalistas. Do PHA já pediu duas vezes na Record. Serra é o presidente do PIG. Ele é amigo de vários jornalistas conhecidos. Janta, toma café, conversa diariamente com todos os que mandam em redação, de colunistas a donos de jornais. Ele fornece pautas, ajuda na apuração. Há uma troca de favores, com interesses ideológicos e por amizade. Serra odeia engenheiros, economistas. Gosta de jornalistas. É o político com o maior trânsito nas redações. Se não fosse isso, Serra já estaria de pijamas.

− Se assim, manda demitir com facilidade.

− Claro. O Caio é seu empregado, como o irmão, Bob Costa, que o ajudou na campanha em 2002 e hoje cuida da publicidade do governo de São Paulo. Mas Caio não podia demitir PHA. Outras partes decidiram, e Caio e Serra colocaram pra fora toda a raiva contida. Foi uma decisão passional, e burra. PHA não morreu, ficou ainda mais em evidência, vai continuar a bater no Serra, acho que até mais forte.

− E ele tem onde bater, né?

− Só tem. Seu telhado de vidro é imenso. Mas vive cercado da proteção do PIG. Está vivendo hoje um inferno astral. O processo eleitoral para a prefeitura saiu diferente do que desejava, rachando a sua sonhada aliança DEM-PSDB. Perdeu a liderança da Câmara dos Deputados para o candidato apoiado por Aécio. Veio o Apagão. Agora ficou na mão com a privatização da Cesp. Mas a mídia ajuda. No apagão chegou a ser infame. A mesma mídia que batia diariamente em Lula sobre um possível apagão do governo federal, calou-se no apagão concretizado de Serra.

− E tem as notas frias de campanha, ambulâncias, os cartões corporativos com altas despesas em boates...

− A lista é grande, mas nada se compara ao passado recente, suas campanhas. Veja suas ligações com Daniel Dantas, Márcio Fortes, Ricardo Sérgio de Oliveira. Este último, se seu nome for pronunciado na frente de um tucano, ele gela.

− E teve o caso Roseana...

− Este é um dos melhores exemplos de como Serra trabalha, e junto da mídia. A operação da PF na Lunus, os dólares filmados, é Hollywood puro. Nada ali teria impacto se não fossem as imagens. Tudo tramóia de Serra e seus arapongas da Fence Consultoria, empresa de espionagem que era paga pelo Ministério da Saúde.

− É muita coisa, até onde ele consegue chegar?

− Ele se imagina em Brasília, mesmo vivendo a atual agonia. Mas acho que não vai muito longe, ainda que com toda a ajuda do PIG.

quarta-feira, 26 de março de 2008

E aí?

A mídia americana e as indigentes editorias de internacional dos jornalões brasileiros não deram importância às declarações de Dick Cheney dadas a repórter Martha Raddatz, da ABC. No programa Good Morning America, dia 19 último, o vice-presidente justificava o sucesso da invasão do Iraque, em seu quinto ano de ocupação:

RADDATZ: Dois terços dos americanos dizem que não é uma
batalha digna.

CHENEY: E aí?

RADDATZ: E aí? O senhor não se importa com o que os americanos pensam?

CHENEY: Não. Penso que não podemos ficar atrelados às flutuações das pesquisas de opinião pública.

Nossa mídia e a deles acharam pouco importante tais palavras. Melhor publicar notícias com títulos sobre Cheney falando do perigo que é o Irã. A próxima vítima. Morreram 4 mil soldados americanos? 100 mil foram feridos? Um milhão de iraquianos foram mortos? Democracia? E aí? Os gráficos da Halliburton apontam para cima, é o que importa.