quinta-feira, 13 de março de 2008

quarta-feira, 12 de março de 2008

A farsa do diário da guerrilheira



O diário colombiano El Tiempo publicou, em setembro de 2007, reportagem com trechos do diário da guerrilheira “Eillen”, supostamente achado em acampamento das FARC. A jovem, de 29 anos, foi identificada pelo jornal como a holandesa Tanja Nijmeijer, graduada em filologia hispânica, de família de classe média e na Colômbia desde 2002, quando chegou dentro de programa da ONG Pax Christi, para logo em seguir entrar na guerrilha.

A versão, divulgada pelo exército e publicada pelo jornal, repercutiu em toda a mídia mundial, e com grande comoção na Holanda. Um dos trechos no alegado diário dizia o seguinte:

“
Estou cansada, cansada das FARC, cansada desta gente, cansada de viver em comunidade, cansada de nunca ter algo para mim.
“

Desde então, a mídia e o governo Uribe sustentam que ela é mais uma seqüestrada, ao ser impedida de sair da guerrilha, o que sua família não confirma. Sua mãe disse que, pouco antes do episódio, a filha garantiu estar planejando férias em casa.

Seguindo a mesma tese, em 16 de fevereiro último, a revista colombiana Semana, pró-Uribe, publica que a guerrilheira está em julgamento militar e, como castigo, está sendo obrigada a fazer um documentário, nos moldes de Guerrilha Girl. E que tal produção , de uma equipe holandesa, era patrocinada com dinheiro das FARC.

A matéria é veementemente desmentida pelo próprio diretor do documentário, Ivan vd Boer, nome de guerra, em texto na Agência de Notícias Nova Colômbia, que reafirma que em nenhum momento Tanja foi obrigada a participar e que o seu interesse é o da Nova, produtora independente de TV holandesa. Diz ele:

“
Finalmente, quero deixar claro ao analista que não pode haver comparação alguma com outras produções e a determinação de produzir um filme sobre a vida da guerrilheira Eillen é uma determinação pessoal e livre, o processo está em marcha, queira-se ou não, junto ao direito irrenunciável de um povo que tem empreendido o caminho de sua definitiva independência para o socialismo e a Pátria Grande, que um povo que tem cultura é um povo que luta, resiste e se liberta.
“

Belas palavras, promete um imperdível filme. Uribe-Bush devem estar em pânico.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Assessoria para quem precisa...

Assessorias de imprensa são uma praga. Hoje, quase o mundo todo tem uma. De botequim a jogador de futebol, passando por ex-participantes do Big Brother, todos falam por um assessor. O mesmo que cava a pauta da semana para seu protegido e responde à imprensa quando a coisa pega. É modernismo mundial e relativamente recente, mas está de acordo com o que se transformou o nosso jornalismo. Uma nota feita pela assessoria muitas vezes tem mais peso que a velha e já quase aposentada reportagem. A palavra do assessor é sempre mais publicável que a montanha de anotações de um repórter iniciante. Principalmente quando se trata de alguém bem visto pela “casa”.

Pensando em tudo isso, achei divertidíssima a piada que li na coluna de Renato Pompeu, ótimo jornalista de tempos outros, na última Caros Amigos. É um fiel retrato da hipocrisia da nossa nova era midiática.

Diz ele, em tradução do original em inglês, recebido em lista de discussão:

Judy Wallman, uma genealogista profissional, descobriu que um tio-bisavô da senadora americana Hillary Clinton, Remus Rodham, era ladrão de cavalos e assaltante de trem em Montana. Passou uma temporada na prisão e, solto, assaltou outro trem, tendo sido de novo preso e enforcado.

Ciente da informação, assim foi emitida a nota da assessoria de imprensa da senadora:

Remus Rodham foi um famoso vaqueiro no território de Montana. Seu império empresarial incluiu a aquisição de valiosos ativos eqüestres e negócios estreitos com a ferrovia de Montana. A partir de 1883, passou alguns anos trabalhando para o governo, retomando a seguir seus negócios. Em 1887, foi um participante-chave numa crucial investigação da renomada Agência de Detetives Pinkerton. Em 1889, Remos faleceu durante uma importante cerimônia pública em sua honra, quando despencou a plataforma em que estava.

Greg Palast desmascara Uribe

Greg Palast, um dos poucos jornalistas da grande mídia que nadam contra a corrente, teve acesso e publica em seu blog a mensagem de Raúl Reyes que supostamente se referia aos US$ 300 milhões que Chávez teria enviado às FARC, segundo declaração do general Oscar Naranjo, chefe da polícia colombiana, repetida por Uribe e Bush e repercutida em escandalosas manchetes de nossa comprometida mídia. O que diz o texto? Nada do que foi dito. Leiam o trecho onde surgiu a denúncia:

"
Camaradas secretariado. Cordial saludo. Por dos días nos reunimos con
Rodríguez. Conclusiones principales:
1- Con relación a 300, que en adelante llamaremos ossierya hay
gestiones adelantadas por instrucciones del jefe del cojo, las cuales
comentaré en nota aparte. Al jefe lo llamaremos Ángel, y al cojo Ernesto.
2- Para recibir a los tres liberados, Chávez plantea tres opciones:
Plan A. Hacerlo a través de una aravana humanitariade la que harían parte Venezuela, Francia, Piedad, Suiza, Unión Europea, demócratas, Argentina, Cruz Roja etc. Mecanismo: similar al utilizado cuando nos recogieron para los diálogos de Caracas y Tlaxcala, es decir, en helicópteros recogerían en la coordenadas que se indiquen, y que sólo conocerá Rodríguez Chacín. De ahí serían trasladados a un aeropuerto cercano donde los esperaría un avión para trasladarlos directamente a Caracas.

"

Onde entra Hugo Chávez com dinheiro? Onde estão os 300 milhões? Todo o texto é parte de um longo relatório sobre a tentativa de liberação de reféns, onde Chávez aparece como negociador. Nada que possa justificar as declarações dos comprometidos representantes do governo colombiano. Nada que justifique o tratamento da mídia.

Greg Palast trabalha para a BBC e é repórter do The Observer, diário britânico. A ele é creditada a primeira reportagem que acusou Jeb Bush, governador da Flórida, de fraudar as eleições em favor de seu irmão, George Bush.

Ainda bem que existem jornalistas como ele.

domingo, 9 de março de 2008

Viva as mulheres guerrilheiras

No sábado, dia 8 de março, desejava publicar aqui uma homenagem ao dia Internacional das Mulheres. Matutei algumas coisas, imaginava escolher um exemplo de mulher que representasse muitas. Demorei, outras demandas me fizeram postergar, quando vejo no Blog do Mello a melhor das homenagens, que muito me emocionou. O documentário dinamarquês “Guerrilla Girl”, de 2005, que mostra a entrada de Isabel, uma jovem colombiana de 21 anos, para a guerrilha das FARC. Vale a pena ver. E fica aqui também a minha homenagem, neste exemplo de mulheres, as guerrilheiras.

sábado, 8 de março de 2008

A mídia diz que sabe, mas não fala

Posso estar enganado, mas a primeira citação na grande imprensa sobre a série de Luiz Nassif sobre a Veja saiu hoje, em nota do colunista Jorge Bastos Moreno, no Globo deste sábado.

Começa assim:

“
Estive em SP. Lá não se fala de outra coisa a não ser em briga de coleguinhas.
Esqueceram até do Serra.

“

E segue uma conversa mole, marota, pouco mais dizendo, apenas sarcasmo em comparar esta briga, masculina, com possíveis outras no Rio, onde há mulheres e notícias.

Não é nada, não é nada, mas já há registro histórico de que algo acontece, muitos falam. E mesmo assim, a mídia não tem o interesse em informar.

sexta-feira, 7 de março de 2008

A mídia ilumina Serra



A vida não anda fácil para José Serra. Desceu ladeira abaixo sua sonhada aliança PSDB-DEM para a prefeitura, com Alckmin e Kassab adversários. Isso logo depois de ter perdido a liderança da Câmara dos Deputados para o candidato apoiado por Aécio. Como se o inferno astral ainda fosse pouco, São Paulo viveu um dia de caos na última terça-feira, conseqüência de um apagão elétrico que parou o Metrô, deu um nó no trânsito, afetou indústrias, hospitais e 3 milhões de famílias.

Como a mídia tratou o fato? Burocraticamente. Serra foi poupado e nem um único editorial foi usado para cobrar responsabilidades do governo estadual ou da Companhia Transmissora de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). Entende-se. A empresa foi privatizada no ano passado, arrematada pela Interconexión Eléctrica S/A (ISA), estatal de energia elétrica lá na Colômbia de Uribe. Desde então, uma campanha era desenvolvida na mídia para elogiar a empresa e os números recentemente conseguidos, como seus 136% de lucro. Como? Segundo a mídia, com corte em gastos e despesas, e um novo modelo de gestão mais moderno.

Agora, nenhum editorial se preocupou, nem foram lembrados os protestos que marcaram a nova empresa desde a privatização. O Ministério Público havia tentado suspender o leilão através de um inquérito civil, acusando os executores de improbidade administrativa. Desde então, os trabalhadores e seu sindicato acusam a “nova gestão” da empresa de estar colocando em risco a qualidade do seu serviço, ao reduzir drasticamente seu quadro de funcionários, de 3.200 para 1.200, com a paralisação de investimentos em infra-estrutura.

Tudo esquecido. Uma situação bem diferente de janeiro deste ano, quando a imprensa estampava gritadas manchetes sobre o iminente apagão do Lula, que não aconteceu, cedendo seus holofotes para a febre amarela.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ali Kamel, este desconhecido

Uma leitora deste blog nos dá um correto puxão de orelha. Ela, na Paraíba, nunca ouviu falar do Kamel. Justíssimo. E erro nosso. Esquecemos que o sujeito só aparece em parte do Brasil, ajudado pela mídia mais do que amiga. Sem ela, ele não existe. Disse nossa leitora, Érica Santos:

"
Meus queridos, gostei de muito do que li aqui, mas estou perdida para entender melhor quem é esse Ali Kamel. Aqui em João Pessoa, o único Ali que conheço é dono de um armarinho.
"

Cara Érica. Nosso modesto blog começa a ser lido por muitos e gente de todos os lugares do Brasil. Estamos felizes. Mas precisamos aprender a não usar nossas ironias e incômodos de forma incompreensível:

Ali Kamel é o atual diretor de jornalismo da TV Globo. Foi repórter e depois diretor de redação do jornal O Globo, onde eventualmente ainda escreve artigos, sempre polêmicos, defendendo idéias conservadoras e justificando o injustificável. Segundo comentário de Mino Carta, ele não escreve para muitos, seu desejo é ser lido apenas por seus patrões. Neste objetivo, tentou defender a TV Globo dizendo que ela sempre apoiou o movimento das diretas, uma desavergonhada mentira. Que o jornalismo feito no Brasil é isento e de ótima qualidade. E publicou uma série de artigos, depois um livro, onde defendia que no Brasil não existe racismo.

Seus argumentos chegam a ser simplórios. Mas é sempre ajudado por uma mão amiga da mídia que faz repercussão de seus devaneios. A Kelly, minha sócia no blog, aponta as contradições de seu último artigo, onde ele critica o Bolsa Família por ter seus recursos desviados quando os beneficiários compram eletrodomésticos, e não comida. A crítica de Kamel é conflitante com as idéias do liberalismo, ideologia de seus patrões.

Obrigado pelo toque, Érica. E pedimos desculpas a todos pelo nosso esquecimento da total inexpressividade do senhor Ali Kamel.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Liberalismo à la Kamel

Ele não sabe o que diz, ó pai.

Leio sobre o liberalismo. Busco em Hayek os fundamentos da crítica ao bolsa-família do nosso querido Ali Kamel. Não acho.

Mas insisto. Sou chata. Cato em seu artigo Bolsa-Eletroméstico a visão que fundamentaria a dimensão de desvio de recursos. Não acho.

Não satisfeita, já que meu lado auto-crítico é exigente, busco experiências em países de tradição liberal as críticas sobre o mau uso das políticas de compensação social. Não acho.

Assim como não encontro, nas normas da compensação, nada sobre o que deveria ser comprado, consumido ou detonado, whatever it is, com tais recursos.

Não estou falando de normas brasileiras, estou falando de economias liberais. Ou ditas liberais.


Então, vamos às aulas: os Estados Unidos, a Inglaterra etc, países que professam a teoria liberal são contrários às limitações das liberdades individuais no que dizem respeito a que fazer com nossos bens e vontades, certo? E isso é o Pareto Ótimo para estas economias. O ideal está na liberdade, certo? Neca de determinar o que fazer, confere? Ainda mais pelo Estado. Isso é economia planificada, o Mal.

Então. Os países citados foram dos primeiros a ter políticas compensatórias. A partir da idéia liberal que deveríamos ter igualdade de oportunidades, não dá para pensar em um mundo onde uns têm herança e outros só têm as dívidas paternas como futuro, blá blá. Daí, impostos sobre herança e renda mínima, educação etc etc etc para todos, para que nossas potencialidades sejam julgadas e premiadas pelo ser supremo, o Mercado.

Chegamos ao terceiro mundo. Aqui, no Brasil. Ora bolas. Alguém constesta nosso pior lugar no ranking da desigualdade social? Opa. Chegamos ao quinto. De baixo para cima....

O presidente lança o bolsa-família - é pra ganhar votos! Bem, e o que não é? - e objetivamente diminui a desigualdade social. Os cabras ganham até 200 pilas para comprar o que necessitam. Ou simplesmente o que quiserem, certo? Os meus liberais dizem que sim.

Desconsideremos a pressão positiva sobre o aumento da renda causado pela Bolsa-Familia (ou sobre a distribuição de renda, eeei, liberais, aqui temos um ponto em comum!) dos trabalhadores dos canaviais, por exemplo – foi provado que já que os usineiros pagavam meia mariola para seus escravos, ops, trabalhadores, estes assim decidiram que ficar em casa era mais negócio que receber o que era oferecido, a maldita bolsa foi de fato fator fundamental para que a remuneração para cortar cana fosse aumentada - o que foi interpretada pelos nossos liberais como "preguiça de trabalhar"...


Enfim, colegas. Catei, catei e não achei. Nada na teoria liberal clássica que condene o uso LIVRE dos recursos pelos seus beneficiários. Seriam nossos liberais ignorantes pura e simplesmente ou eles querem ter um Estado – E maiúsculo – dirigido?

terça-feira, 4 de março de 2008

Diálogo colombino



Conversa com um crédulo e acrítico leitor dos nossos bem informados jornais:


− Esse Uribe é um canalha!

− Ah, mas ele foi macho. Os caras estavam fazendo jogo duro para libertar os reféns.

− Muito pelo contrário. Assassinaram o principal negociador das Farc, o Raúl Reys. Agora tudo ficou mais difícil. O que Uribe queria era exatamente evitar a libertação. Coisa de traíra.

− Mas esses caras são terroristas, não dá para confiar.

− Terroristas? Eles são um outro estado dentro daquele país. São guerrilheiros, querem implantar um governo marxista-leninista. Foram organizados em 1964 quando perseguidos por militares e paramilitares à mando da elite corrupta e assassina.

− Se querem o poder, deviam sair da clandestinidade. Fazer um partido e disputar eleições, dentro da democracia.

− Mas foi o que fizeram em 1984. Assinaram um acordo de cessar-fogo com o então governo de Belisário Betancur, criando a União Patriótica, uma frente de várias tendências, que elegeu 350 conselheiros municipais, 23 deputados e 6 senadores.

− E desistiram? Aposto que não gostaram da experiência democrática.

− Claro que não gostaram. As elites e o governo se aproveitaram do momento e assassinaram vários parlamentares, incluindo dois candidatos presidenciais, em um total de 4 mil militantes.

− Ah, mas hoje eles são ligados aos narcotraficantes.

− É uma grande mentira, criada pelo ex-embaixador dos EUA na Colômbia, Louis Stamb, e até hoje repetida pela mídia. A Colômbia, sua elite, vive e depende do narcotráfico. Seu atual presidente tem negócios e interesses nas drogas.

− Aí você já está apelando. Isso é teoria da conspiração.

− É? Mas quem diz não sou eu, mas o próprio governo americano.

− Cumé?

− Saiu na Newsweek de 9 de agosto de 2004. Segundo ela, um relatório do Departamento de Defesa dos EUA, de 1991, faz um Quem é Quem do mercado de drogas colombiano. Em uma lista dos 100 o nome de Álvaro Uribe Velez é o número 82. E ainda afirma a revista que ele tinha negócios nos EUA que envolviam cocaína, além de ser grande amigo de Pablo Escobar.

− Que babado! Ah, mas tem o Plano Colômbia, os EUA querem acabar com a produção de cocaína no país.

− Querem? O Plano Colômbia aumentou a produção. O grande país do norte é parceiro e interessado na produção de cocaína mundial.

− Tá maluco! E o DEA?

− Foram apanhados juntos com paramilitares. O governo americano, CIA e drogas fazem uma combinação há muito controvertida. Pesquise no Google.

− Teoria da conspiração!

− Pesquise o caso Irã-Contras. Tinham drogas naquele mafuá.

− O fato é que mataram os caras de pijamas, isso eu concordo.

− Pois é. Tem vídeo que mostra que foi de madrugada, todos dormiam, uma covardia.

− Até concordo.

− Mas de pijamas? E guerrilheiro usa pijamas? Na selva?

− Ah, mas eu li nos jornais.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Sobre macacos



Caro senhor Mainardi,

Não desejo que a leitura de suas colunas se torne um dos meus novos hábitos. Tenho mais o que fazer. Aqui já comentei as duas anteriores, talvez bastasse. Mas amigos chamaram minha atenção para a última, onde mais uma vez seu cinismo manifesta ódio para com algo que me diz respeito. Esta sua frase me parece exemplar:

“Num tempo dominado pela mais absoluta demagogia intelectual, em que todas as idéias parecem se equivaler, em que qualquer macaco pode abrir um blog e opinar sobre Lewis Carroll e Georges Seurat, a história da enxaqueca ajuda a restabelecer alguns valores”

Há muito a considerar sobre esta boa amostra de seus pensamentos, começaria onde concordo com um único dos argumentos: de fato, qualquer um pode abrir um blog e opinar sobre qualquer assunto. É muito fácil. Bastam algumas clicadas, e é de graça. Simples até mesmo para um macaco. Não por outro motivo existam milhões deles no planeta. Mas, apenas a facilidade e o número pouco diz. Importa o blog ter o que dizer, e a quem. Pode ser a um número restrito, mas fiel. Ou a um maior, coisa onde poucos se destacam. Mas o suficiente para ser um fenômeno tão forte que a mídia tradicional passou a preocupar-se com esta concorrência, como o seu veículo, que tenta competir com as mesmas armas.

E aqui está o início do seu incômodo. Alguém, não escolhido, talvez um macaco, pode neste descalabro moderno opinar indevidamente sobre assuntos não pertinentes ao seu pedigree, concluo ser este o seu pensamento. O que fica claro que o senhor defende um corporativismo opinativo. Apenas a grande mídia deveria, quem sabe por lei e direito, manifestar-se cotidianamente sobre o mundo, a cidade, a filosofia, a história, o comportamento humano, até suas dores, quem sabe até suas enxaquecas, imagino.

Uma lembrança histórica para análise: há algumas décadas existiam dezenas de jornais diários aqui no Rio de Janeiro. Cada um tinha o que dizer a seu público. Eram diversos, com razoável conteúdo. O que mudou, principalmente a partir da década de 60? Muito. Em resumo, a mídia concentrou-se, em grandes grupos, com favorecimentos aos negociados e aparentados das elites, benefícios diversos foram oferecidos.

Se em um blog qualquer mané escreve, que processo existe na escolha dos quadros da grande mídia? É mais apurado? Tenho minhas dúvidas. Certamente exige-se um perfil distinto da qualidade de seu texto, dos seus conhecimentos. Gestão de negócios é muito bem vista. Afinal, o jornalismo, e o colunismo em particular, tem um foco muito específico em business, você sabe bem do que estou falando.

Portanto, se existe demagogia intelectual, se todas as idéias se equivalem, não é algo de responsabilidade do novo mundo dos blogs. Neste, o mundo viceja em inteligência. Há diversidade, opiniões e informações variadas. No seu mundo, o dos negócios, do toma aqui eu digo lá, a verdade é a primeira assassinada, sobrevive apenas a hipocrisia dos interesses. Apenas valem os objetivos, pessoais ou do patrão. Até enxaquecas são assunto, desde que no final algo possa ser mensurado mecanicamente na planilha. Coisa simples, até para macacos.

PS: Vi outro dia na TV um macaco que fazia cálculos matemáticos. Cuidado. Algum pode tomar seu bem remunerado emprego.

sábado, 1 de março de 2008

Fica cada dia mais difícil

não ser contrária ao estado de Israel.

Mas não tenho quase nada a dizer depois do que a PalestinaDoEspetaculo disse. Até tenho, mas estou sob o impacto ainda.

Blogosfera

O Blowg está no Marinaw.com.br

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